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Forças de Assad tentam reagir e o chefe de inteligência morre

Um quarto integrante do primeiro escalão do regime sírio morreu, esta Sexta-feira (20), em decorrência de ferimentos sofridos num ataque, esta semana, enquanto as forças do presidente Bashar al-Assad lutam para recapturar postos de fronteira e partes de Damasco que estão nas mãos dos rebeldes.

Os refugiados estão a deixar o país em massa, e os funcionários da ONU ouviram rumores de falta de dinheiro nos bancos de Damasco.

Aumentando a sensação de que os dias de Assad no poder estão contados, o embaixador da Rússia em Paris admitiu que o presidente sírio terá que deixar o poder.

Logo em seguida, a TV estatal síria exibiu uma mensagem do governo a dizer que essas declarações eram “completamente destituídas de verdade”.

A mesma emissora disse que o chefe de inteligência Hisham Bekhtyar morreu, na manhã desta Sexta-feira, em decorrência de ferimentos sofridos no ataque a bomba que também matou outras três importantes autoridades do regime, o ministro da Defesa, o poderoso cunhado de Assad e um general de alta patente.

Os três foram sepultados, esta Sexta-feira (20), informou a TV estatal, sem dizer se Assad compareceu ou não ao funeral.

O irmão mais novo do presidente, Maher, esteve na cerimónia realizada num monumento militar em Damasco, de acordo com outra emissora, a Al-Manar, de propriedade do grupo xiita do Líbamo Hezbollah, que é ligado ao governo sírio.

Os confrontos em Damasco continuaram pelo sexto dia, e pelo menos três pessoas foram mortas em disparos de foguetes feitos por helicópteros militares contra o bairro de Saída Zeinab, na zona sudeste, segundo os activistas da oposição.

Os rebeldes doutras partes da Síria têm convergido para a capital, prometendo a “libertação” da cidade.

“O regime está nos seus últimos dias”, disse em Roma Abdelbasset Seida, líder do Conselho Nacional Sírio, principal coligação de oposição, prevendo uma possível escalada da violência.

Os combates durante a noite foram mais intensos no bairro de Mezzeh, onde os rebeldes parecem promover ataques contra os muitos complexos de segurança existentes na região, segundo os moradores.

A TV estatal disse que as forças sírias eliminaram “mercenários e terroristas” do bairro central de Midan. Os activistas da oposição e fontes rebeldes confirmaram, Sexta-feira (20), que os seus combatentes retiraram-se sob pesado bombardeio.

“É um recuo táctico. Ainda estamos em Damasco”, disse por telefone o comandante rebelde Abu Omar. Moradores do centro de Damasco disseram que as lojas estão fechadas e que há pouca gente nas ruas, com menos presença militar nas ruas do que é habitual.

Também durante a noite, forças do governo atacaram um posto de controle na fronteira com a Turquia que estava em poder dos rebeldes, na localidade de Bab al Hawa, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade oposicionista com sede na Grã-Bretanha.

O Observatório reportou também bombardeios contra a cidade de Abu Kamal, perto da principal passagem fronteiriça para o Iraque, que foi capturada pelos rebeldes na véspera.

Mas, segundo uma autoridade iraquiana, os rebeldes sírios continuam controlando o principal posto fronteiriço de Abu Kamal, que fica na rodovia que acompanha o curso do rio Eufrates, e que é uma das principais rotas comerciais do Oriente Médio.

Outros postos de fronteira mais ao norte, perto da cidade iraquiana de Mosul, parecem permanecer sob controle dos militares sírios, segundo a mesma fonte iraquiana.

Até 30 mil refugiados podem ter entrado no Líbano nas últimas 48 horas, fugindo dos conflitos, segundo a ONU.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que 310 pessoas foram mortas no país, Quinta-feira, sendo 98 membros das forças de segurança.

Esse é o maior número diário divulgado pelo Observatório em 17 meses de conflito na Síria.

Os relatos vindos do país não podem ser confirmados de forma independente, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho dos jornalistas.

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