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Foi ver carnaval e perdeu emprego

É uma história real, contada em primeira mão pelo visado. Chama-se Alfredo Mário, e é natural do distrito do Ile, concretamente em Mulevala.

Ele diz que veio a Quelimane, há três anos e conseguiu emprego numa casa, como empregado doméstico. Mais tarde, o seu patrão, conseguiu comprar um talhão e colocou-lhe lá como guarda nocturno.

Durante este tempo todo, Mário sempre ouviu falar do carnaval e via seus vizinhos a se vestirem de máscaras. Quando perguntava, respondiam-lhe que iam a festa do carnaval. Mas ninguém lhe explicava o que era isso de carnaval.

Desta vez, Mário decidiu ir ver in-loco esta coisa de carnaval. Só que a decisão dele, trouxe-lhe prejuízos. Lá iremos. Na sexta-feira, conforme seus relatos, ouviu dizer que havia desfile de pessoas e o destino seria a avenida marginal, onde iria se dançar.

“Quando ouvi, decidi ir ver pelo menos que fosse pela primeira vez” – disse. Jantou e verificou os seus pertences na obra e viu que estava tudo bem. Dai veio a decisão de ir devagar, devagar ver o carnaval.

Eram quase 22horas. Aliás, dizia ele que não tinha receio nenhum, porque durante o período em que este trabalha, nunca sofreu nem ameaça de roubo nessa obra.

Foi ao carnaval, viu o que viu e pronto, o seu coração encheu-se de alegria e já tinha motivos para que um dia, após o seu regresso a terra de nascença, para contar aos seus amigos e familiares.

Azar ou não, Alfredo Mário, pensou em regressar a casa. Já eram quase 4 horas. Quando chegou, entrou no quintal e encontrou desmando. Já haviam roubado nove perus e mais de dezasseis varões de construção. Não acreditou. Mas não tinha a quem perguntar.

Girou no quintal, pensou na família que deixou no Ile e nada mais tinha a fazer. Desatou choro em língua local, tudo porque no que diziam as suas palavras, foi o carnaval que lhe fez perder emprego.

“Se não fosse carnaval isso não iria acontecer” – chorava o guarda Mário. A vizinhança apreensiva, pensando que havia algum falecimento, acordou e quis perceber o que estava acontecendo. Ele chorando ia explicando que perdeu emprego porque foi ao carnaval e os ladrões roubaram alguns bens do local onde guarnece.

Ninguém acreditou ao avaliar pela maneira como ele chorava. Mário dá culpa ao carnaval e não a sua própria consciência. Na manhã deste sábado quando conversava com um repórter do nosso jornal, Mário ainda chorava, porque segundo ele, os patrões já haviam decidido que ele não mais seria o guarda.

Pai de dois filhos na zona, mulher a espera, Mário não sabe o que fazer. Voltar a casa e dizer que perdeu emprego por causa do carnaval? E é isso que vai acontecer provavelmente.

Esta é uma história real. E então caro leitor, será que Alfredo Mário teve culpa em ter ido assistir ao carnaval ou os amigos do alheio é que são culpados?

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