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FMI revê de 34% para apenas 6,8% o crescimento do PIB de Moçambique em 2021 devido atraso dos investimentos da Eni e Anadarko

FMI revê de 34% para apenas 6

Gráfico do FMI, editado na dataO Fundo Monetário Internacional(FMI) adiou para depois de de 2021 as previsões de crescimento a dois dígitos do Produto Interno Bruto(PIB) de Moçambique, em vez dos 34% previstos em Janeiro a instituição de “Bretton Woods” reviu na semana finda para apenas 6,8% o PIB no início da próxima década, ao que tudo indica devido aos atrasos nas Decisões Finais sobre os Investimentos (DFI) das multinacionais ENI e Anadarko para as construções dos primeiros terminais de liquefação e processamento de gás natural da bacia do Rovuma, no Norte do nosso País.

Um documento do FMI, produzido com informação disponível até 3 de Dezembro de 2015, previa que a produção e a exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) poderia iniciar em 2021 caso a Eni e a Anadarko tomassem as suas Decisões Finais sobre os Investimentos(DFI) até meados do corrente ano, o que ainda não se concretizou.

Com essa perspectiva o Fundo Monetário previa que em 2012 a taxa do PIB do nosso País chegaria aos 34%. Além disso, “a taxa média de crescimento real do PIB entre 2021 e 2025 poderia chegar a 24%. Em consequência, a participação dos projectos de GNL no PIB total nominal de Moçambique poderia chegar a mais de 50% até meados de 2020”.

A Eni tem projectada a construção de uma instalação de liquefação flutuante na Área 4 da bacia do Rovuma, que produzirá cerca de 3,3 milhões de toneladas de GNL por ano. Para o efeito a empresa ainda está a procura financiamento, estimado em alguns biliões de dólares norte-americanos.

Na passada terça-feira(04), a empresa italiana (principal concessionária do campo através da sua subsidiária ENI East-África Oriental em parceria com a chinesa CNPC, a sul-coreana Kogas, a portuguesa Galp Energia e e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique) divulgou ter chegado a acordo de 20 anos com comprador para o GNL que espera produzir. Poderá ser o “trunfo” que faltava para que a DFI aconteça ainda em 2016.

Por seu turno a Anadarko, principal concessionária da Área 1 planeia inicialmente construir dois terminais de liquefação onshore, cada um produzindo cerca de 5,5 milhões de toneladas de GNL por ano, todavia só deverá anunciar a sua DFI em 2017, segundo declarações do CEO da multinacional norte-americano, Al Walker, durante a recente visita do Presidente de Moçambique aos seus escritórios no Texas.

Aliás a deslocação de Filipe Nyusi aos Estados Unidos da América(EUA) tinha como um dos principais objectivos acelerar as negociações não só com a Anadarko mas também com a Exxon Mobil, a maior empresa petrolífera do mundo, que possui três licenças de prospecção petrolífera a sul da Área 4 e prepara-se para comprar uma participação no bloco Área 4.

Um dos entraves nas negociações, segundo fontes com conhecimento dos dossiers, era o antigo ministro dos Recursos Mineirais e Energia, Pedro Couto, que foi exonerado após o regresso de Nyusi dos EUA. Dez dias depois ainda não foi indicado o seu sucessor para um dos Ministérios onde não há vice.

Entretanto o relatório sobre as Perspectivas Económicas Mundiais do FMI, tornado público na semana finda, indica que a taxa do PIB em 2021 será de apenas 6,8%.

Embora a instituição financeira mundial não o refira o @Verdade entende que esta revisão em baixa está associada aos atrasos nas Decisões Finais sobre os Investimentos da ENI e da Anadarko.

Auditoria independente à dívida pública será tornada pública

Esta revisão de crescimento é outro revés para o Governo do partido Frelimo que contraiu dívida pública para financiar, entre outros, empresas estatais que se propõem a vender serviços de segurança marítima às explorações de GNL. À falta de viabilidade dessas empresas o Executivo hipotecou parte das receitas do gás para a amortização dos empréstimos, contraídos violando a Lei Orçamental, que até onde é do conhecimento público ultrapassam os 2 biliões de dólares norte-americanos.

Aparentemente o total da dívida pública será ainda maior, esta semana o @Verdade reportou a existência de dívida pública adicional, cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos, contraída para financiar os Aeroportos de Moçambique.

Foto FMINão foi possível apurar se estas perspectivas do Fundo Monetário já incluem os custos da dívida pública, cuja dimensão real só deverá ser conhecida após a realização da auditoria internacional e independente que a instituição e Governo de Filipe Nyusi já acordaram realizar mas não tem data prevista para iniciar.

Existe “um bom acordo entre o Governo e o FMI sobre alguns dos pré-requisitos fundamentais para a auditoria. Isto haverá uma auditoria independente realizada sobre os empréstimos que têm sido contraídos pelas empresas estatais, e essa auditoria será tornada pública. Será publicada. Então eu acho que isso é um entendimento muito bom. Vamos esperar para ver como que evolui nos próximos meses”, disse o novo director do departamento de África, Abebe Aemro Selassie, neste sábado(08) em conferência de imprensa em Washington.

Questionado por jornalistas sobre o que o FMI estaria a fazer para evitar ser novamente enganado pelo Governo de Moçambique Selassie disse que a contratação das dívidas não ludibriou a instituição mas sim o povo moçambicano e acrescentou que o Fundo Monetário só pode “trabalhar com os dados que são fornecidos para nós, e nós podemos fornecer conselhos sobre a base do que isso. Assim, a transparência na conta fiscal, a transparência na formulação de políticas públicas é antes de tudo importante para as pessoas dos países em que os governos representam”, concluiu.

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