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FMI espera crescimento superior a sete por cento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que o crescimento económico de Moçambique poderá ultrapassar os sete por cento em 2010, esperando-se uma aceleração a médio prazo para oito por cento. A constatação constitui o rescaldo da visita de uma missão do FMI que entre os dias 19 e 29 de Outubro último esteve no país, para efectuar a primeira avaliação do novo programa trienal denominado Instrumento de Apoio a Políticas (PSI) aprovado em Junho.

Victor Lledó, novo representante do FMI no país, falando em conferência de imprensa havida hoje em Maputo, disse que o desempenho económico no país permaneceu forte apesar do ambiente difícil externo.

A crise global, segundo Lledó, teve um grande impacto na balança de pagamentos na forma de redução de exportações tanto de mega projectos quanto de exportações tradicionais (camarão, castanha de caju entre outras), bem como a redução de capitais privados, fontes tradicionais e importantes de financiamento do sector afim. “Isto requereu políticas monetárias e fiscais acomodatícias para eliminar as pressões externas que põem em risco o crescimento económico do país”, explicou Lledó. Estas políticas, segundo a fonte, contribuíram para sustentar o crescimento económico que no seu entender pode vir a ultrapassar os sete por cento em 2010, aliás o FMI projecta uma aceleração a médio prazo do crescimento económico para oito por cento.

Neste sentido, o representante do FMI destacou a determinação do Banco de Moçambique (BM) no combate a inflação por muitos considerada a principal causa do custo de vida sobre às populações mais pobres. A fonte destacou, por outro lado, que o BM ao desenhar tendências de aceleração inflacionárias reagiu imediata e decisivamente aumentando as taxas de juros de referência assim como os coeficientes de reserva obrigatória (as quantidades de depósitos obrigatórios que os bancos comerciais devem remeter junto ao banco).

A missão do FMI saudou o facto de o orçamento do governo para 2011 ter sido desenhado com o objectivo de continuar a favorecer os sectores sociais prioritários e o investimento em infra-estruturas, que, no entender do órgão financeiro, são fundamentais no reforço da base produtiva do país. Além de constituírem esta base, a missão afirma que proporcionam um efeito catalítico a actividade do sector privado para sustentar o crescimento económico do Moçambique.

A missão do FMI considera a nova estratégia de redução da pobreza que consiste na operacionalização do Plano Quinquenal do Governo 2010/14 uma oportunidade única para o desenvolvimento de acções concretas para aumentar o emprego, fortalecer pequenas e médias empresas e melhorar as condições de vida das famílias seja no campo como na cidade.

Apesar dos grandes desafios pela frente, o FMI continua a acreditar em Moçambique pelo seu enorme potencial humano, riquezas naturais, localização estratégica e a forte determinação com a estabilidade macroeconómica e crescimento sustentável. “Ao nosso ver isso será importante para que Moçambique continue firmando sua história de sucesso em África”, ressaltou o novo representante.

O relatório da missão que visitou Moçambique estará disponível no portal do FMI após a discussão desta primeira avaliação pelo conselho administrativo em Washington, agendada para Dezembro próximo.

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