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Fixado preço mínimo de compra de algodão da presente safra

A comercialização de algodão caroço da safra em curso tem novo preço mínimo fixado em 5.20 e 3.90 meticais, o quilograma de primeira e segunda qualidade, respectivamente.

Este preço foi acordado ontem, numa negociação difícil na sequência do encontro sobre a matéria, realizado em Nampula, onde os produtores anunciaram ao ministro da Agricultura, Soares Nhaca, a sua intenção de abandonar a prática daquela cultura estratégica, em razão, alegadamente, da redução dos ganhos obtidos na venda.

Comparando ao preço de compra de algodão caroço praticado na última safra, regista-se uma redução de 18 por cento, situação que aflige os produtores daquela cultura que levavam para o encontro uma proposta de 6.35 e 4.70 meticais o quilograma para o de primeira e segunda qualidades, respectivamente, praticado na campanha 2007/08.

O facto exaltou os ânimos dos representantes do Fórum Nacional dos Produtores do Algodão (FONPA), tendo o seu presidente António Malico dito, frontalmente, ao ministro da Agricultura, adeus à prática do algodão porque existem outras culturas que oferecem preços relativamente altos, que podem ajudar os produtores a melhorar o seu nível de vida.

António Malico justificou que o preço de 6.35 meticais, praticado na compra de algodão caroço na última safra, foi o possível mas não consensual, e quando há uma redução do que já era pouco, toda a força anímica esfuma-se no seio dos produtores. E anotou que a colheita de algodão caroço, ainda nos campos, será secundarizada pelos camponeses em relação à preparação da segunda época das culturas alimentares, na esperança de amealharem alguma receita.

A nossa reportagem apurou existir divisão entre as fomentadoras, que alegam altos encargos para aquisição de insumos para o fomento do algodão, além da redução acentuada do Índex A no mercado afectado pela crise financeira global, para melhorar a sua proposta de preço de compra da cultura na presente safra.

A Companhia Nacional Algodoeira que opera na província de Sofala, é exemplo disso, justificada pelo seu director geral, Jean Charles Sigrist, que revelou que o volume de colheitas de algodão caroço conseguidas na safra 2006/07, na sua concessão, rondava as 15 mil toneladas, tendo, porém, caindo na campanha seguinte para cerca de cinco mil, em reflexo da insatisfação dos produtores devido à queda constante do preço de comercialização acordado entre os fomentadores. esidente da Associação Algodoeira de Moçambique, advoga a procura de uma solução sustentável para aliviar as fomentadoras do choque que enfrentam como razão directa da crise financeira global, propondo a redução da taxa de câmbio, de importação de produtos fitossanitários, entre outros encargos.

Face às preocupações levantadas pelos intervenientes , Soares Nhaca teve que contactar telefonicamente o seu homólogo das Finanças, Manuel Chang, que o aconselhou à realização, na próxima semana, de um encontro com as concessionárias, envolvendo o Ministério da Planificação e Desenvolvimento, para analisar a proposta apresentada que refere a necessidade de alívio dos encargos com o fisco.

O governante disse que a contribuição do sector algodoeiro nas receitas é ainda insignificante, havendo, portanto, necessidade de serem identificados os factores que motivam o incremento da produção da cultura, entre os quais a fixação de preços competitivos.

Acrescentou que o seu pelouro vai monitorar a evolução dos preços da fibra no mercado internacional e, caso haja melhorias, vai instar os fomentadores a incrementar o preço de compra.

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