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Europa retoma parte de tráfego aéreo sob ameaça de nova nuvem

A Europa começou a levantar esta terça-feira as restrições aéreas, o que permitiu a retomada dos voos, mas novas cinzas do vulcão islandês ameaçam prolongar o caos quando milhares de passageiros seguem sem poder voltar para casa. A Agência Europeia para a Segurança da Navegação Aérea, Eurocontrol, prevê a realização de metade dos voos previstos para o dia no continente, ou seja, 14 mil dos 27 ou 28 mil programados normalmente.

Esta estimativa, anunciada após a reabertura gradual dos espaços aéreos de alguns países, como França, Bélgica e Itália, representa uma clara melhora em relação à média de 30% registrada nos últimos três dias de crise, que começou na quinta-feira de manhã. Mas, na Grã-Bretanha, apesar da decolagem de alguns aviões no início da manhã desde a Escócia e do norte da Inglaterra, os principais aeroportos permanecerão fechados pelo menos até a quarta-feira às 00H00 GMT, incluindo Heathrow, o maior da Europa em número de passageiros.

Outros aeroportos importantes, como os parisienses Roissy e Orly, reabriram nesta terça-feira após cinco dias de paralisação total, com o objetivo de garantir 30% dos voos domésticos e internacionais, segundo fontes do governo. O tráfego aéreo também começou a ser retomado na Bélgica, onde por enquanto só se autorizam pousos, além da Itália e da Suíça. “Vão ser necessárias várias horas, ou até dias para voltar à normalidade”, disse um porta-voz da Agência Federal de Aviação Civil suíça.

A Alemanha prolongou o encerramento até as 18H00 GMT, ainda que a Agência Federal de Segurança Aérea (DFS) tenha anunciado que entre 700 e 800 voos receberam uma autorização especial para operar. Entretanto, o anúncio da chegada de uma nova nuvem de cinzas ameaça esta tímida retomada dos voos.

O serviço de controle de tráfego aéreo britânico (NATS) anunciou durante a noite que a erupção vulcânica se intensificou e uma nova nuvem de cinzas se movia para o sul e o leste, em direção à Grã-Bretanha. A situação levou a companhia British Airways a cancelar todas as decolagens previstas para esta terça-feira. A empresa informou que espera poder autorizar alguns voos de longo curso nas próximas horas.

A polícia islandesa, no entanto, minimizou as declarações alarmistas britânicas sobre o aumento da atividade do vulcão Eyjafjöll, ao informar que três crateras ao que parece diferentes seguiam expelindo cinzas esta terça-feira, mas que “a coluna que se eleva acima do vulcão é menor e mais clara, o que significa que não há muitas cinzas em seu interior”. O Centro de Observação de Cinzas Vulcânicas (VAAC), com sede na cidade francesa de Toulouse, destacou que estas cinzas passarão pelo sul do Mar do Norte, as ilhas britânicas, Dinamarca e Escandinávia e, eventualmente, o extremo norte da França nas próximas 24 horas.

E, após uma mudança de direção do vento, elas devem ser empurradas para o Ártico no fim da semana, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Isto deve intensificar o pesadelo dos milhares de passageiros que permanecem ilhados nos cinco continentes – cerca de sete milhões, segundo uma estimativa do banco britânico RBS.

Alguns conseguiram chegar a casa, como Joanne Rickles, seu marido Steve e seus dois filhos, que terminaram nesta terça-feira um périplo de cinco dias por ar, terra e mar, entre o balneário israelense de Eilat, onde estavam de férias, e a Inglaterra, tudo isso com um custo suplementar de 2 mil euros para a família. “Estou furiosa, fu-ri-o-sa”, disse Joanne ao desembarcar de um ferry em Dover (sul).

Depois de seis dias, a crise, que segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) custa 200 milhões de dólares diários às companhias aéreas, também chegou a outros setores. O Royal Bank of Scotland (RBS) estimou em 500 milhões de euros (675 milhões de dólares) as perdas diárias provocadas pela diminuição da produtividade na União Europeia (UE), depois que o caos aéreo impediu que dois milhões de pessoas voltassem ao trabalho na segunda-feira.

Outro setor que também começou a sentir a crise foi o automobilístico, e BMW e Nissan anunciaram a suspensão parcial da produção por falta de componentes.

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