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Europa faz história na exploração espacial com pouso de sonda Philae em cometa

A Agência Espacial Europeia pousou uma sonda no cometa, esta quarta-feira (19), facto inédito na exploração espacial e o clímax de uma missão de uma década, mas um problema no sistema de ancoragem pode prejudicar as investigações sobre as origens da Terra e do sistema solar.

O artefacto de 100 quilos, virtualmente sem peso na superfície do cometa, pousou na hora marcada, perto das 14h, depois de uma descida de sete horas da espaçonave Rosetta, agora localizada a cerca de meio bilhão de quilómetros da Terra.

Durante o lançamento, os arpões feitos para ancorar a sonda, chamada de Philae, não funcionaram, e a agência espacial está a ter que analisar outras opções para dispará-los de forma a impedir que a sonda volte a flutuar no espaço.

Os cientistas esperam que as amostras da superfície do cometa, conhecido como 67P/Churyumov-Gerasimenko, ajudem a demonstrar como os planetas e a vida são criados, uma vez que a rocha e o gelo que formam os cometas preservam moléculas orgânicas como uma cápsula do tempo. Os cometas são resultantes da formação do sistema solar 4,6 bilhões de anos atrás, e cientistas acreditam que eles podem ter trazido a maior parte da água dos oceanos da Terra.

“Quão audacioso, quão empolgante, quão inacreditável poder cometer a ousadia de pousar num cometa”, disse o director da Ciência Planetária da agência espacial norte-americana (Nasa, na sigla em inglês), Jim Green, no Centro de Operações Espaciais Europeu, na Alemanha, depois do anúncio do pouso.

Os artefactos feitos pelo homem já pousaram em sete corpos celestes: a lua, Marte, Vênus, a lua Titã de Saturno, dois asteroides e o cometa Tempel-1, que foi alcançado por uma sonda da Nasa. Entre os vários recordes estabelecidos pela missão, a Rosetta tornou-se a primeira espaçonave a orbitar um cometa, em vez de simplesmente passar perto para tirar fotos.

A Rosetta alcançou o cometa, uma rocha de aproximadamente 3 por 5 quilômetros descoberta em 1969, em agosto, depois de uma viagem de 6,4 bilhões de quilómetros que levou dez anos, cinco meses e quatro dias, uma missão que custou quase 1,4 bilhão de euros.

“O que realmente define esta experiência para mim são as imagens”, afirmou o especialista em astronomia da Universidade Nottingham Trent, Daniel Brown, por e-mail, depois de a sonda ter transmitido dados e imagens para a Terra enquanto movia-se rumo ao cometa. “Vai ser especialmente empolgante obter os resultados das amostras recolhidas da superfície e ver sua composição química”, disse.

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