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Estudar para o desemprego!

O Instituto de Eco-Turismo (IET) Armando Emílio Guebuza de Marrupa, na província do Niassa graduou há dias 31 técnicos, mas os estudantes estão incertos em relação ao futuro, o receio justifica-se pela falta do emprego que grassa na região.

“Graduar e não ter emprego é uma experiência dramática. Pelos vistos esse é o destino que espera a muitos de nós”, disse um estudante. “A roda já está inventada. O mercado não facilita e não há hipóteses”, acrescentou desesperado outro.

O IET de Marrupa foi criado em 2005 com vista a formar técnicos médios nas especialidades de Fauna e Eco-Turismo, Protecção e Conservação, Provedores da Prática de Turismo Ecológico e Mitigação do Conflito Homem/Fauna Bravia.

Em 2006 foi formalmente inaugurado, tornando-se na primeira instituição do género a nível do país, além da Escola Superior de Turismo de Inhambane. Vieram alunos de todo o país, os quais foram graduados pela primeira vez em 2009 perante muitas dificuldades.

Na sua mensagem, os graduados disseram que apesar dos constrangimentos, conseguiram atingir os seus objectivos, acrescentando que algo deve ser feito para a sua integração no mercado. “A maior parte dos diplomados de 2009 não foram integrados no emprego formal. Isso nos preocupa. Notamos que além do desemprego, os nossos colegas trabalham em áreas muito deslocadas da sua formação. Pensamos que é necessário ser antecipado sobre a disponibilidade de vagas no sector público e privado”.

Na mesma lógica, chamaram atenção pela fraca visibilidade do IET de Marrupa a nível nacional, o que se traduz na diminuição de novos ingressos anualmente. Segundo o director, desde a sua abertura em 2006, já passaram por ali 237 formandos.

O pico aconteceu em 2006 quando atingiram 72 alunos. Em 2009 a fasquia caiu para 45, neste ano voltou a subir para 46 formandos. “Estes números mostram que é necessário mudar a imagem do IET”, alertou o director do estabelecimento para depois chamar atenção para o facto de o MINED incluir os professores daquela instituição nos cursos regulares de formação dos professores.

No grupo dos graduados, a maior parte dos estudantes são das províncias de Niassa e Inhambane. A seguir constam os de Nampula, Cabo Delgado e Gaza. Parte deste efectivo teve a sorte de estagiar fora da província de Niassa, enquanto os outros fizeram localmente, sobretudo em Unango e Macangira locais com potenciais para safaris de caça.

Todos devem colaborar

A vice-ministra da Educação para o Ensino Técnico Profissional e Vocacional, Leda Hugo, disse na ocasião que o seu sector espera ter mais técnicos qualificados para as áreas de Turismo e Fauna Bravia. Mas chamou atenção para a necessidade de se juntar esforços por todos no sentido de colaborar. A Questão da integração não deve ser olhada só pela Educação. Envolve todas as instituições do Governo. “A Educação forma, e os outros fazem a outra parte. Nós queremos transformar Moçambique num lugar acessível para os visitantes e com estes 31 graduados marcamos um passo no crescimento do Ensino Técnico Profissional”, disse.

Bolsas

Seis dos melhores alunos do segundo curso, receberam bolsas de estudo para o ensino superior. Ledo Hugo procedeu também a entrega de mil meticais a cada um dos seis. “Estas bolsas são para a Universidade Eduardo Mondlane e os cursos serão escolhidos por cada aluno”, disse a ministra acrescentando ser “uma forma de incentivar a frequência do Ensino Técnico Profissional no país”.

O Desempenho do Governo de Niassa em 2010

Com a colaboração dos nossos leitores em Lichinga, efectuamos uma avaliação do desempenho do Governo Provincial do Niassa referente a 2010. Os critérios passaram pelo nível de realização do PES e Pro-actividade das lideranças. As notas variam de zero a 10.

Educação e cultura

É o que mais mexe com o capital humano da província. Novas escolas foram construídas e com elas mais graduações de professores e alunos. O ano de 2010 foi positivo nessa área. É dos poucos sectores que respira saúde na província. A ligação entre a DPEC e outras instituições que trabalham no ramo é uma realidade. Esperamos que mais obras continuem a ser edificadas em 2011. Nota dez.

Antigos combatentes

Mesmo com a mudança de designação, o sector que zela por aqueles que libertaram o país contínua de rastos, os problemas avolumam-se cada vez mais. É uma instituição sem visibilidade na província. Nota dois.

Acção Social

Questões sociais dão alguma visibilidade ao Governo, mas quando são relegadas ao segundo plano, o povo queixa-se. Todas as sextas-feiras muita gente de condição precária pede esmola nas lojas da cidade de Lichinga; O número de creches está aumentar, mas é preciso fiscalizar as condições. O INAS tem novas lideranças em Cuamba e Lichinga, mas não é tudo. As mudanças devem ir mais longe. O director Saide Rajabo está muito tempo no cargo, precisa de refrescamento. Nota cinco.

Agricultura

Depois de um começo promissor em 2006, Domingos Madane ex-DPA começou a ter problemas na gestão da máquina. Teve dois documentos de abaixo-assinados em 2009 e 2010. A DPA no Niassa está a hibernar, mesmo com os esforços do novo director que tenta em vão levar o barco a bom porto. Esperamos que em 2011 haja mudanças visíveis no gabinete e nos campos agrícolas do Niassa. Nota 3 é o ideal para este sector.

Calamidades

Desde há muito que gerir calamidades na província do Niassa constitui uma missão impossível. Dentro dessa lógica algumas actividades ficaram por ser feitas em Cuamba, Mecanhelas, Lago, locais propensos às calamidades. É complicado ter uma instituição que só existe no tempo de chuvas para depois morrer. No final de ano, houve mudanças da liderança. Que a mudança traga nova mentalidade. Nota tres.

Combate a Droga

Continua a se fumar muita cannabis sativa um pouco por toda província. Mas também há um problema que é o alcoolismo nos bairros locais. Achamos que as bebidas alcoólicas são vendidas a preços muito baixos, o que cria problemas na juventude. É preciso controlar muito bem as coisas. Futuramente a crise pode afectar a força de trabalho na província. Este sector fica com seis.

Acção Ambiental

Questões ambientais são um dos bico-de-obras no Niassa, em que sobressaem as queimadas, erosão e o desmatamento. Durante o ano transacto a Direcção Provincial de Acção Ambiental não deu mostras de mudanças a nível organizacional interno. Os meios de trabalho são escassos. Nota dois

Ciência e Tecnologia

Esta área teve má sorte nos últimos quatro anos. Já foi uma das melhores delegações de Ciência e Tecnologia de Moçambique. Saíram os fazedores da ciência e entraram amigos e bajuladores. O resultado foi a estagnação da delegação. O Centro Provincial de Recursos Digitais (CPRD) foi inaugurado no dia 31 de Dezembro de 2009 e pouco tempo depois fechou as portas. Haja bom senso. Esperamos que em 2011 haja mais tecnologia no Niassa. Nota um.

Estatísticas

As nossas contagens mostram que o ambiente no edifício do bairro de Sanjala continuam tensas. Esta instituição saiu de uma fogueira que teve lugar em 2009. A directora cessou funções de forma pouco ortodoxa. Mas hoje parece que os funcionários começam a sentir saudades da dona Natércia. Nota tres.

Finanças

A super – direcção provincial teve uma queimada descontrolada em 2010. É triste ver um director provincial metido em escândalos em apenas nove meses de mandato. Saiu, mas as nódoas ficaram! Carlos Sitao entrou pela porta grande e saiu pelo telhado! Salgou o trabalhou de todas instituições por si tuteladas. A instituição tem a missão de resgatar a boa imagem. Nota dois.

Indústria e Comércio

As nossas moageiras, serrações, barracas, cantinas, bombas de combustíveis líquidos, precisam de mudanças radicais. O sector andou muito tempo sem director. Valendo – se disso alguns funcionários aproveitaram para esticar a corda e importunar os comerciantes incautos. Os silos para armazenar cereais em Cuamba, Lichinga, Mandimba continuam por ser erguidos. As inspecções são tolerantes. Dorme-se bastante na área de indústria e comércio. Na nossa avaliação não passa dos três valores.

Justiça

Há mais registos de crianças, melhorias no atendimento dos clientes, as instituições da Justiça estendem-se aos distritos cada vez mais. É das poucas direcções províncias que tem a inovação, como o ponto de ordem. Até tem endereço de correio electrónico publicamente estampado, uma raridade nas terras do rei Mataka. Nota oito.

Juventude e Desportos

Aqui há muita brincadeira. Os fracos resultados da província no campo desportivo dizem tudo. A juventude anda a meio gás. Este sector ressente-se da falta de técnicos a todos níveis. Devia passar por uma reforma profunda. As infra-estruturas desportivas já tiveram dias melhores. Nota dois.

Obras Públicas e Habitação

A transitabilidade nas estradas do Niassa é boa. Novas pontes estão a ser construídas, novas estradas começaram e terminaram. As acções da ANE são inquestionáveis, a N361, Mavago- Msawize são exemplo dessa proactividade, o ambiente com os empreiteiros é saudável. Mas ainda continua o clássico calcanhar de Aquiles da província: asfaltagem da estrada Cuamba/ Lichinga. Na água potável há que apertar o cinto, na Habitação há muitas casas construídas pelo povo, mas é preciso tornar o Fundo de Fomento de Habitação mais presente. Classificação seis.

Núcleo de Combate ao SIDA

Depois de um sono profundíssimo tentou acordar já no fim de 2010. Os projectos de combate ao HIV/SIDA há muito deixaram de ser aprovados em Lichinga. Com o novo PEN talvez o NPCS de Niassa acelere a luta contra o mal na zona menos afectada pela doença em Moçambique. Pelo facto de ter acordado fica com nota cinco.

Polícia

As catanadas, assaltos, violações de mulheres ficaram para a história em Lichinga. Depois do terror instalado pelos amigos do alheio, tudo voltou ao normal, graças as mexidas nas chefias do Comando Provincial da Polícia. Saiu um homem e veio uma mulher. Dora Manjate é a nova chefe da corporação. Os homens da Brigada Anti-Crime (BAC) tiveram os meios à sua disposição para percorrer os bairros mais distantes. A Polícia de Trânsito também recebeu uma viatura para fiscalizar os seus agentes. Vimos uma Polícia renovada. Nota oito.

Pescas

É um sector que diz estar a crescer muito. Mas atenção: uma coisa são estatísticas, a outra é o produto na mesa dos consumidores. As toneladas de peixe que as Pescas anunciam parecem fictícias. O sector deve baixar os índices de crescimento pomposamente divulgados nos balanços do PES e outros relatórios coloridos. Os pescadores gastam mais energia a remar nas canoas e a puxar redes. Barcos de pesca industriais não existem, mas há peixe que baste nos numerosos lagos que Niassa possui. Por essa falta de aproveitamento, as pescas ficam com nota um.

Recursos Minerais e Energia

É uma das grandes direcções provinciais do Niassa. Lida com áreas que ditam o rápido crescimento da província e do País. Nas minas temos investidores de peso. Já há carvão na Bacia de Maniamba e Lugenda. Existe o ouro de Lupilichi, os rubis de Mavago. Na Energia, o problema continua! Apesar da corrente da HCB chegar a mais zonas, as novas ligações são a conta gotas. Alguma coisa vai mal nas ligações, há falta de informação dos preços junto aos clientes. A EDM em Lichinga continua com problemas sérios de atendimento. Só funciona uma caixa para serviços de CREDELEC . As bombas do FUNAE andam às moscas nos distritos de Lago, Mavago e Marrupa. É preciso fiscalizar bem os intervenientes. Fica com quatro.

Turismo

Há pouca exploração do potencial turístico da província. Os anos passam e a DPTUR não dá sinais de mudança. O projecto Capulana no distrito de Mandimba abriu em 2009, e nunca mais se fez ouvir. Ficou na rota Maputo-Mandimba. A direcção provincial cai aos pedaços em plena Samora Machel, numa altura em que a concorrência regional lança projectos mensalmente. O festival turístico do Lago Niassa é mais algo que quase não existe. Nota um.

Transportes e Comunicações

Falta seriedade na montagem das redes da Mcel. Muitos distritos ficaram definitivamente fora do mapa durante longo tempo, que o digam os residentes de Mecula, Majune e Metarica. As respostas tardam em chegar, os clientes reclamam, mas só ouvem, “liga mais tarde”. Em plena passagem de ano Metangula, Cuamba, Mecanhelas, Mandimba não escaparam as falhas da Mcel. Os autocarros públicos para Lichinga ainda não saíram do papel. A telefonia fixa ficou por chegar a Muembe, Mecula e outros cantos. A existência deste sector percebe-se mais quando os transportadores aumentam os preços. Nota dois.

Trabalho

Está a apanhar a onda de desenvolvimento da província de Niassa. O INEFP está mais activo, o INSS também, a fiscalização aperta cada vez mais. Os números de emprego na província são claros. É um sector que vai animar nos próximos anos por causa da demanda dos investidores. Os Kungu-fus da UniLúrio em Sanga foram bem repelidos. Nota oito.

Saúde

Mais unidades sanitárias da periferia são construídas anualmente no Niassa. O importante é que se faça o devido uso das maternidades. As taxas de mortalidade infantil baixaram, mas podem baixar mais. O Hospital de Marrupa ainda está em construção. As obras são controladas a nível central. Aguardamos que em 2011 terminem. A cólera acorda e dorme em Cuamba, um problema que envolve muitos sectores. É um sector que pode dar muito mais. Nota seis.

Secretaria Provincial

Superintende a administração pública da província, é a base para o sucesso dos planos provinciais, é o principal pilar da máquina pública. Em 2010 houve movimentações de administradores distritais que já haviam entrado na curva descendente. Mais jovens subiram para administradores. Mas é preciso não confundir o charme com a gestão da coisa pública, sob pena de estragar os distritos. Nota seis.

O governador da província

Quando chegou em Janeiro de 2010 prometeu asfaltar estradas e muito trabalho conjunto. Mas aquilo não passou da força de soda habitual que caracteriza qualquer dirigente quando é nomeado para uma determinada função administrativa.

David Malizane herdou uma casa super desarrumada e com muitos problemas pendentes. Teve ausências constantes nos momentos cruciais do início de mandato, o que lhe retirou pontos importantes. Recebeu grandes visitas, mas não teve o contacto suficiente com elas. Ainda não domina os dossiers do Niassa de A a Z, uma situação visível quando fala em públicos aos jornalistas. Ainda não tem corpo de assessores fortes para lidar com questões importantes da Governação na Provincial.

Teve a má sorte de defender o ex-director provincial da Agricultura, Domingos Madane, alegando que queria mais tempo para entender os problemas da DPA quando Madane já ia no segundo abaixo – assinado. Tentou afirmar que os problemas da DPA eram resultado da acção funcionários sabotadores. Madane acabou caindo e a batata quente sobro para Malizane. Tem igualmente a má sorte do director provincial superstar Carlos Sitao de sair com as mãos queimadas.

No meio deste fogo todo, David Malizane não foi capaz de dizer alguma coisa para afugentar os mosquitos. Esperamos que faça uma análise FOFA de 2010 perspectivando um 2011. Para começar lhe entregamos. Uma Nota 3.

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