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Esta mulher não pára

Esta mulher não pára
Depois do BPI, da Galp, do BES e da ZON, Isabel dos Santos parece preparar-se para a entrada do grupo português Sonae em Angola. Portugal tem sido, para esta empresária angolana, a sua grande porta de entrada na União Europeia. @ VERDADE, com base num texto da revista “Focus”, dá-lhe a conhecer os meandros dos negócios da mulher mais rica de Angola que, por acaso, é filha de José Eduardo dos Santos, o Presidente da República daquele país
Na última semana de Maio, a maior empresária de Angola, Isabel dos Santos, filha do Presidente daquele país, José Eduardo dos Santos, foi vista na companhia do marido e sócio, Sindika Dokolo, e dos mais altos responsáveis da Sonae Distribuição – empresa proprietária do Continente – no hipermercado Continente do Centro Comercial Colombo em Lisboa. Discreta e sem dar nas vistas, como sempre, Isabel dos Santos passeou pelos corredores daquele hipermercado, inteirando-se da estratégia comercial daquele colosso. Há já quem diga que as acções da Sonae são a próxima aquisição desta empresária em terras lusas

Efectivamente, em Portugal, os negócios de Isabel dos Santos não param de se expandir. Ainda em meados de Maio tornou-se pública mais uma aquisição da empresária, ao fechar um acordo com a Zon para um projecto de televisão paga em Angola. A empresa de televisão por satélite, que irá operar naquele país africano, já foi constituída e será detida em 30% pela proprietária da TV Cabo e em 70% por Isabel dos Santos. De acordo com os planos de negócio desta empresa, os conteúdos via satélite deverão chegar aos angolanos até ao final deste ano. 
Dividida entre Inglaterra e Angola
Apesar dos seus 35 anos, Isabel dos Santos continua a ter jeito de menina. Os que lidam com ela nos negócios nem sequer duvidam da sua inteligência, dinamismo, profissionalismo, do seu olho para o negócio e da sua profunda noção de estratégia empresarial. Os que a conhecem mais de perto descrevem-na como discreta, afável, simpática, bonita e correcta. 
Uma das suas características amplamente referidas é a frieza. Conta-se que terá herdado da mãe, Tatiana Kukanova, a russa que José Eduardo dos Santos conheceu quando esteve em Baku – a actual capital do Azerbaijão, uma das antigas Repúblicas da União Soviética – na altura em era bolseiro do curso de Engenharia de Hidrocarbonetos. Isabel é fruto desse casamento e a filha primogénita do actual Presidente angolano. 
Cresceu entre Inglaterra e Angola. Até 1996 viveu com a mãe em Londres, onde se licenciou em Engenharia Electrónica. A sua educação foi cuidada e o ensino austero britânico deu-lhe uma boa formação de base para depois partir à descoberta do restrito mundo dos negócios. 
Desse tempo, ficou-lhe também o espírito reservado. Leva uma vida recatada e dispensa os aparecimentos públicos. Em Luanda, vive na zona da Mayanga e é frequente vê-la a jantar com o marido sem qualquer tipo de ostentações. Ao contrário dos meios-irmãos, Tchizé e José Filomeno, que levam uma vida mais agitada na animada vida nocturna de Luanda. A excepção a todo este recato foi o casamento com Sindika Dokolo, em 2003 (ver caixa).
A veia da liderança é de família. Se Isabel é apontada como a herdeira dos genes do pai na área dos negócios, já o irmão, José Filomeno, herdou a veia política do pai Presidente. Tchizé, apesar de também ter os seus negócios e investimentos, é mais conhecida como directora da revista Caras Angola. É a mais badalada dos irmãos e é frequente vê-la nas festas mais exclusivas da capital angolana. 
Os três irmãos Santos integram o núcleo duro do regime do qual fazem parte as pessoas mais influentes e bem relacionadas de Angola.
Apesar de todos os mistérios que existem à volta de Isabel, especula-se que tem morada fixa quando visita Portugal. Trata-se de um apartamento situado num condomínio de luxo que, alegadamente, terá comprado em Lisboa. Quando viaja – e viaja muito – pelo mundo mantém o recato, mas não dispensa todo o tipo de comodidades a que a sua posição e conta bancária lhe dão direito. Apesar de todo o recato, Isabel dos Santos é um nome cada vez mais incontornável em Angola e em Portugal, onde a sua participação cresce a um ritmo acelerado. 
Uma Mulher  de Negócios
Em Dezembro, a filha do presidente angolano despertou o sector bancário português. Tornou-se proprietária de 9,96% do Banco Português de Investimento (BPI). O Banco Comercial Português (BCP) mostrou vontade de vender a sua fatia do BPI e Isabel dos Santos comprou essa mesma quantia. Contas feitas às vontades, Isabel dos Santos pagou 164 milhões de euros pela sua quota no banco liderado por Fernando Ulrich. Esta participação passou a ser pertença da Santoro Financial Holdings. Apesar de este não ser, de longe, o primeiro negócio da empresária em Portugal, foi um dos mais representativos da sede de investimento que os milionários angolanos sentem. Portugal é um dos principais alvos graças às relações seculares entre os dois países e que agora se intensificam no sentido contrário. Agora, são os angolanos a estender os seus interesses a Portugal. A antiga colónia começa a monopolizar as trocas. 
O planeta onde Isabel dos Santos se movimenta é de tal forma complexo que conhecê-lo por inteiro é impossível e falar dele é como entrar numa teia. Conhecem-se as linhas gerais, mas os pormenores e os segredos do sucesso continuam bem guardados. 
Após a chegada a Angola, em meados dos anos ´90, a primogénita de José Eduardo dos Santos ficou encarregue da gestão de um dos maiores e mais importantes espaços nocturnos de Luanda, o Miami Beach, um clube na praia da ilha de Luanda. Foi também nessa época que começou a trabalhar como consultora na Sonangol. Actualmente Isabel dos Santos tem vários interesses neste grupo empresarial que é o maior do país. 
Os conhecimentos em gestão e a posição social – que em Angola tem valor acrescentado – fizeram com que vingasse no exclusivo mundo dos negócios no país. O primeiro projecto em que pegou foi a Urbana 2000, a entidade a quem foi adjudicada a recolha do lixo em Luanda. Em 1997, Isabel dos Santos passou a gerir este projecto e ficou responsável pela empresa, a Elisal. De então para cá não mais largou a gestão. 
Da longa lista dos negócios em que participa, muitos dos quais desconhecidos, destacam-se os que estão relacionados com as maiores fontes de riqueza de Angola: o petróleo e os diamantes. Estes últimos são uma parte importante do seu património. Foi pela mão do ex-presidente da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), Noé Baltazar, que Isabel entrou no maravilhoso mundos dos diamantes. É também com Baltazar que detém a Angola Diamond Corporation (ADC), uma empresa que está a desenvolver uma das maiores produções destas pedras preciosas no Camuté. Outro dos parceiros da empresária nesta área é o milionário russo Lev Leviev, sócio na exploração da maior mina do país e da única unidade de lapidação de diamantes de Angola. Segundo a publicação África Monitor, a angolana tem ainda participações na Sodian e na Ascorp, duas empresas que se dedicam à comercialização de diamantes. 
Mas nem só da exploração da riqueza natural de Angola se fez o império de Isabel dos Santos. Aliás, as suas participações estendem-se por vários sectores que fazem parte do ADN dos seus negócios, desde o bancário, passando pelas telecomunicações, até ao sector energético. Negócios que estão, quase todos, ligados a Portugal. 
O El Dourado Português
O “namoro” entre a empresária angolana e grandes nomes da economia portuguesa começou há cerca de 10 anos. A primeira ligação luso-angolana ocorreu depois de o Banco Espírito Santo (BES) ter fundado a BES Angola em 2001. Isabel ficou com cerca de 20% e integrou o grupo de accionistas locais do banco. Quando a Portugal Telecom (PT) decidiu expandir-se para Angola, comprou 25% da Unitel – operadora de telefonia móvel. A Geni (holding de Isabel dos Santos) detém a mesma quantidade de acções, sendo as restantes da Mercury e Vidatel. Saliente-se que foi José Eduardo dos Santos que concedeu os direitos de exploração de telemóveis à Unitel por adjudicação directa. 
O homem mais rico de Portugal é um dos maiores parceiros de Isabel dos Santos. O mais recente negócio entre Américo Amorim e a empresária angolana é o Banco Internacional de Crédito (BIC), o primeiro banco de capitais maioritariamente angolanos a ser criado em Portugal. Inaugurado em Portugal a 8 de Maio de 2008, esta foi mais uma prova da solidez dos negócios da filha do Presidente angolano. Os maiores accionistas deste banco, com 25% cada, são Américo Amorim e a Sociedade de Participações Financeiras (que também pertence a Isabel dos Santos). Mas a relação entre os dois empresários é mais antiga. O negócio de cimento une-os desde a saída, pouco clara, da Cimpor do mercado angolano. A empresa de cimentos portuguesa, pertença do Grupo Teixeira Duarte, detinha cerca de 40% da Nova Cimangola e vontade de investir mais, mas enfrentou sempre a oposição das autoridades angolanas. O Governo angolano comprou esses mesmos 40% por 56 milhões de euros e pediu um empréstimo ao BIC – de Isabel e de Américo. Posteriormente, essa participação estatal foi entregue à Ciminvest, uma empresa que a imprensa angolana atribui, uma vez mais, aos dois empresários. Uma relação que se estende igualmente à Galp, onde ambos possuem acções. 
Os interesses pelo combustível da “princesa imbatível”, como já foi apelidada Isabel, não se ficam pela Galp e pela Sonangol. O seu nome aparece ao lado de Pedro Sampaio Nunes assim que se começou a falar na construção de uma biorrefinaria em Sines. Estratega por natureza, Isabel dos Santos sabe que esta é uma aposta de futuro devido ao advento da protecção ambiental. Por isso, decidiu integrar a lista de investidores na Green Cyber. 
A associação das empresas ao nome de Isabel dos Santos é uma constante e o motivo é fácil de perceber. Quando o seu nome está entre os accionistas, todas as portas e fronteiras ficam escancaradas. Depois do Grupo Espírito Santo, da PT, de Américo Amorim e da Zon, pode ter chegado a vez de a Sonae entrar no poderoso mundo de Isabel. A seu tempo, comprovar-se-á se a filha do Presidente de Angola veio ou não às compras ao Continente.
Casamento de amor e fortunas
Isabel e Sindika conheceram-se em Luanda, mas pouco se sabe sobre a sua história de amor. O que é conhecido é que o casamento foi o culminar de uma relação de afinidade entre os dois jovens milionários. O enlace, realizado em 2003, foi a única excepção ao recato que ambos preservam nas suas vidas. A festa teve proporções faraónicas. Conta-se que estiveram presentes cerca de mil convidados, durando dois dias. A maior excentricidade da cerimónia terá sido o leilão entre os presentes da liga usada pela noiva e que rendeu a quantia astronómica de 30 mil euros! 
Sobre o marido de Isabel dos Santos, filho do congolês Augustin Dokolo Sanu e da belga Hanne Dokolo, sabe-se que tem mais três irmãos e que ficou encarregue, pela parte do pai, de gerir a fortuna deixada pelo mesmo após a sua morte em 2001. Conhecido como grande coleccionador de arte africana, paixão que herdou do seu pai, Sindika protege e apoia jovens artistas africanos. Mas nem só de arte vive o marido de Isabel dos Santos. Ao lado da mulher entrou no mundo dos negócios e, para além de sócio da esposa, tem assento no Conselho de Administração da Amorim Energia. Apesar de ter nascido na República Democrática do Congo (ex-Zaire), a 16 de Maio de 1972, Sindika dividiu grande parte da sua vida entre a Bélgica e a França, onde estudou assuntos económicos, comércio e línguas estrangeiras na universidade Pierre et Marie Curie de Paris. Terá sido nestas capitais europeias que adquiriu o gosto pela arte. Mantendo sempre uma postura de grande discrição, comum aos dois membros do casal, não lhes são conhecidas manifestações de carinho em público, mas quem os conhece é unânime em afirmar que o casamento é sólido, partilhando os mesmos ideais de vida.
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