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Escândalo abala Hatoyama, que não pretende renunciar

O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, afirmou esta quinta-feira que não pretende renunciar ao cargo, a menos que a maioria esmagadora dos compatriotas exija, em consequência do escândalo do financiamento de um fundo de apoio que motivou o indiciamento de dois antigos colaboradores. Durante uma entrevista coletiva, Hatoyama pediu desculpas pelo escândalo e chegou a chorar diante das câmeras. “Se a maioria esmagadora vocês exigir ‘Hatoyama, renúncia’, então sentirei que tenho que respeitar a voz do povo, mas farei o possível para que isto não aconteça”, disse o premier.

Ele justificou a decisão de não abandonar a chefia de Governo ao citar a vontade de mudança dos japoneses, que deram uma grande vitória à coalizão de centroesquerda nas eleições legislativas de 31 de agosto, acabando com meio século hegemonia conservadora. “Muitas pessoas pediram uma mudança da maioria, e a marcha do governo de coalizão não deve ser detida. Por este motivo, decidi que não devo deixar o cargo”. “Aceito com gravidade o julgamento dos juízes”, disse Hatoyama.

“Sinto com dor minha responsabilidade. Apresento minhas desculpas pelas dificuldades que causei”. Nesta quinta-feira, a procuradoria indiciou dois antigos colaboradores de Hatoyama, o ex-secretário Keiji Katsuba e o ex-contador Daisuke Haga, que trabalharam para o premier antes da eleição. Mas a promotoria destacou não ter provas de que Hatoyama estivesse a par dos crimes cometidos pelos colaboradores, e por isto o chefe de Governo não foi indiciado.

Hatoyama afirmou que não tinha conhecimento dos desvios de fundos executados pelos antigos colaboradores. O ex-secretário é acusado de ter atribuído a particulares, alguns deles já falecidos, a doação de 360 milhões de ienes (4,03 milhões de dólares), que na verdade eram procedentes da fortuna pessoa de Hatoyama e da mãe do político, herdeira da fabricante de pneus Bridgestone. O ex-contador é acusado de negligência na administração das contas de Hatoyama.

A lei japonesa estipula que um político não pode utilizar para as atividades políticas mais de 10 milhões de ienes (109.000 dólares) da fortuna pessoal. A lei japonesa limita ainda a 1,5 milhão de ienes (15.000 dólares) por ano o aporte das pessoas físicas aos partidos, incluindo os familiares. O escândalo abala a imagem de Hatoyama, que nesta quinta-feira completou 100 dias de governo. Três meses após uma eleição triunfal, ele viu seu índice de popularidade ficar abaixo de 50%.

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