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Endividamento secreto dos moçambicanos é uma afronta à Assembleia da República, considera a Renamo

O chavão político do Presidente da República, Filipe Nyusi, segundo qual “o povo é o meu patrão” não passa de uma burla diante do escândalo financeiro – no valor de mais de mil milhões de dólares-americanos – cometido durante a governação do seu antecessor, Armando Guebuza. Quem o diz é a bancada parlamentar da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, acrescentando que tal declaração revela ainda cinismo quando se endivida um povo sem consultá-lo.

O eterno rival da Frelimo, e que fora da Assembleia da República (AR) bate-se militarmente com as forças governamentais, entende ainda que os moçambicanos foram burlados. O partido no poder, há sensivelmente 41 anos, “sobrepõe-se ao Estado”, afronta os poderes Executivo e Legislativo [AR].

Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar da Renamo, disse que as instituições cuja tarefa ‘e garantir o cumprimento escrupuloso das leis devem responsabilizar, de forma exemplar, os governantes que encabeçaram ou estiveram envolvidos no endividamento secreto do país, bem como as outras pessoas que se beneficiaram directamente do dinheiro.

“Exigimos que sejam congeladas as contas dos mesmos e que estejam interditados de sair para fora do país sem a autorização judicial, enquanto não estiverem esclarecidos os contornos do endividamento público por eles decidido”, disse a deputada.

Na perspectiva da “Perdiz”, os pronunciamentos dos camaradas, em tom de que nada de anormal existe em relação à dívida em alusão, deixa transparecer que o “Comité Central sobrepõe-se à Assembleia da República” e coloca esta instituição sem poder nas suas funções, nem punho para fiscalização. “Quem governa já não é o Conselho de Ministros, mas a Comissão Política da Frelimo em prejuízo do Povo”.

Por duas vezes, a Renamo exigiu, com urgência, a presença do Executivo no Parlamento para esclarecer as penumbras em torno da dívida pública contraída sem a observância da Constituição da República, e o respectivo debate. A Frelimo, mais uma vez, impediu e saiu em defesa do Governo.

A próxima reunião da Comissão Permanente da AR está prevista para 23 de Maio próximo, mas não está prevista nenhuma sessão extraordinária antes dessa data, de acordo com Ivone Soares, que falava a jornalistas na quarta-feira (27).

Todavia, esta formação política, pese embora não especifique de que forma, promete não se demitir das suas responsabilidades e irá “usar todos os meios legais à sua disposição para proteger o interesse do povo”, bem como assegurar que o Governo esclareça de quem foi a ideia de endividar Moçambique, quem autorizou e onde o dinheiro foi aplicado.

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