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Empresa TPM sem lucros nos últimos anos

A empresa Transportes Públicos de Maputo (TPM) não conseguiu amealhar lucros nos últimos três anos, de acordo com um relatório sobre as actividades desta instituição moçambicana. Com excepção dos lucros no valor de 14 milhões de meticais (cerca de 400 mil dólares americanos) conseguidos em 2006, no período entre 2004/09 esta empresa pública só averbou prejuízos.

No período em referência, os maiores prejuízos registaram-se no biénio 2008 e 2009, havendo, por exemplo, uma diferença entre 156,04 milhões de meticais de receitas em 2008 e as despesas avaliadas em 223,26 milhões no mesmo ano. No ano seguinte, as receitas foram de 356 milhões de meticais, enquanto que o valor das despesas se situou na fasquia dos 411,55 milhões. Os elevados custos de manutenção e operação constituem o maior nó de estrangulamento nas despesas da instituição.

 Por exemplo, só em Maio último, as despesas relacionadas com a compra de combustível tiveram um peso superior a 60 por cento das receitas da instituição. O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa TPM, Domingos Fernando, que falava esta semana a imprensa, desdramatizou a situação, considerando, pelo contrário, normal para uma empresa que presta serviços sociais. “Para uma empresa do ramo social, é normal ter défice”, disse Fernando, argumentando ser por isso que a sua instituição tem tomado diversas medidas visando rentabilizar a empresa.

Além da sua vocação básica de transporte urbano de passageiros, a TPM introduziu nos últimos anos os serviços de aluguer de transporte para empresas e singulares bem como para efeitos de prática de turismo e excursões. O relatório não faz referência ao número de viaturas usadas para estes serviços especiais, sabendo-se, porém, que só na província central de Tete, a empresa dedica 30 autocarros ao serviço de transporte de trabalhadores da companhia mineira VALE.

Fernando explicou que o dinheiro obtido da prestação destes serviços é importante para as despesas de manutenção e funcionamento da instituição, que é impossível cobrir com os valores resultantes da venda de passagens aos passageiros. A TPM tem sido criticada por prestar estes serviços a privados, numa altura que mal sequer consegue responder a crescente demanda de transporte dos residentes das cidades de Maputo e Matola.

Aliás, estima-se que estas duas cidades registam pelo menos 900 mil passageiros por dia, dos quais apenas 75 mil viagem nos autocarros da TPM, sendo a vasta maioria transportada pelos semi colectivos privados, em péssimas e muitas vezes inaceitáveis condições de comodidade. Entretanto, o Governo não vê nenhum erro em a TPM prestar serviços com impacto na melhoria da sua rentabilidade, desde que isso não ponha em causa a sua vocação básica que é transportar passageiros.

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