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Em Portugal: Direita de volta ao poder

Em Portugal: Direita de volta ao poder

Portugal deu uma valente guinada à direita e o mapa político ficou pintado quase todo de laranja – a cor do PSD – após as eleições legislativas do passado domingo, dia 5. O PSD (Partido Social Democrata, de centro-direita) foi o grande vencedor com 38,6% dos votos, o que corresponde a 105 lugares na Assembleia da República (AR), insuficientes, contudo, para atingir a maioria absoluta. Na quarta-feira, o seu líder, Pedro Passos Coelho, encetou conversações com o CDS/PP – partido que recolheu 11,2% dos votos – para a formação de um governo de coligação. O Presidente da República, Cavaco Silva, já disse que gostaria de ver o novo Governo tomar posse antes do dia 23, altura em que se reúne o Conselho da Europa em Bruxelas.

O PSD, ao obter 38,6% dos votos, foi o grande vencedor das eleições legislativas que tiveram lugar no passado domingo em Portugal. Contudo, ficou aquém da maioria absoluta que lhe permitiria governar sozinho. Terá por isso de formar uma coligação com o CDS/PP de Paulo Portas, a terceira força política mais votada com 11,2% dos sufrágios.

Juntos, os dois partidos têm 129 deputados na AR (105 PSD e 24 CDS/PP), o que lhes permite governar com maioria absoluta. Volta assim a repetir-se um cenário idêntico ao da última vez em que a direita esteve no poder – Novembro de 2004 –, tendo o Presidente de então, Jorge Sampaio, dissolvido o Governo de coligação chefiado por Pedro Santana Lopes e que tinha Paulo Portas como ministro da Defesa.

Efectivamente, a onda laranja invadiu todo o território excepto três distritos que são bastiões tradicionais da esquerda: Setúbal, Évora e Beja. Em 2009, o PS (Partido Socialista) tinha vencido em 14 círculos nacionais. No círculo de Castelo Branco, o local de nascimento de José Sócrates e onde era cabeça de lista, o PS também perdeu. Pedro Passos Coelho ganhou no seu distrito, Vila Real.

Nem mesmo as sondagens mais optimistas, que durante as últimas duas semanas inundaram a imprensa portuguesa, registavam uma diferença tão grande entre os dois maiores partidos como aquela que se veio a verificar. Dez pontos percentuais foi a diferença registada entre eles, com o PS a quedar-se pelos 73 deputados no parlamento, o pior resultado dos últimos 20 anos – em 1991, quando Cavaco Silva foi eleito pela terceira vez como primeiro-ministro havia sido a última vez que o PS obtivera menos de 30% dos votos.

Como consequência deste fracasso, o primeiro-ministro José Sócrates apresentou nessa mesma noite a sua renúncia ao cargo de secretário- -geral do partido que até ao dia 23 irá eleger um substituto para o cargo. “Regresso à condição de militante de base. Deixarei a primeira linha da actividade política e não pretendo ocupar qualquer cargo político”, disse. “Amo-vos a todos”, concluiu, puxando ao sentimento dos militantes.

Agora, para suceder a um dos mais polémicos primeiros-ministros da história da política portuguesa pós-revolução de Abril, e depois da desistência de António Costa que resolveu não abandonar a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, perfilam-se dois candidatos: Francisco Assis e António José Seguro – este último foi durante anos líder da juventude do partido.

Vontade de Mudança

À medida que os resultados iam sendo divulgados, adensava-se o fosso entre sociais-democratas e socialistas. E, neste caso, o último a comentar os resultados foi o primeiro. “Esta noite quem ganhou foi Portugal”, começou por afirmar Passos Coelho, mostrando- se satisfeito com o resultado, mas não deixando de alertar que devido à crise em que o país vive “este não é o momento para triunfalismos.” O líder do PSD frisou a clara “vontade de mudança” como expressa o resultado.

“É uma vontade inequívoca de abrir uma janela de esperança e de confiança para o futuro”, referiu, comprometendo-se a fazer todos os esforços para que “os portugueses tenham um Governo de maioria liderado pelo PSD”. Afirmou ainda acreditar num entendimento com o CDS/PP e prometeu “trabalho absoluto” e “transparência total” no que respeita aos sacrifícios pedidos aos portugueses, acrescentando que irá ser necessário ter muita coragem para enfrentar os desafios que se avizinham, numa clara referência aos compromissos assumidos com a troika do FMI subscritos pelos três partidos mais votados: PSD, PS e CDS/PP.

“Os anos que nos esperam vão exigir de todo o nosso Portugal muita coragem. Sabemos as dificuldades que enfrentamos. Precisamos de muita coragem para vencer as enormes dificuldades, precisamos também de alguma paciência, porque nós sabemos que esses resultados não aparecerão em dois dias. Vai ser difícil, mas vai valer a pena. Eu sei que vai valer a pena”, concluiu, num tom de aviso. O líder do PSD reiterou ainda a sua indisponibilidade de ‘abrir’ o Governo ao PS, mas garantiu disponibilidade para dialogar com os socialistas e fez votos para que o PS respeite aquilo que negociou com a troika.

CDS/PP no Governo de Coligação

O CDS/PP, que agora se prepara para fazer parte do governo de coligação, foi claramente a terceira força política mais votada, registando um crescimento de 60 mil votos, o que corresponde a mais três deputados do que na anterior legislatura – passou de 21 para 24. Pessoalmente, Portas teve uma eleição modesta no seu círculo de Aveiro, ocupando a terceira posição atrás do PSD e do PS. Já em Setúbal, distrito onde o partido comunista tem tradicionalmente uma forte implantação, os centristas conquistaram um deputado, um marco, sem dúvida, histórico para o partido.

O partido comunista (PCP), com a coligação CDU (Coligação Democrática Unitária), que incluiu o partido ecologista “Os Verdes” e a Intervenção Democrática, conseguiu segurar o seu eleitorado conquistando 7,9% dos votos, e acabando por eleger mais um deputado do que em 2009 – ao todo a CDU conseguiu 16 mandatos. “A CDU, com grande empenhamento, fez a sua parte”, declarou o líder comunista, Jerónimo de Sousa, que prometeu “luta” face à vitória da direita.

Mas quem deu o maior trambolhão foi mesmo o Bloco de Esquerda (BE) que perdeu 261 mil votos, quase metade do eleitorado, passando de 16 deputados para oito. “O BE não atingiu os seus resultados. Eu sou o primeiro dos responsáveis por não termos conseguido os resultados que queríamos”, disse o líder Francisco Louçã, comentando os resultados na sede do partido.

Refira-se que o Partido Comunista e o BE foram as únicas duas forças políticas com assento parlamentar que não assinaram o recente compromisso com a troika do FMI que concedeu a Portugal um empréstimo de 78 biliões de euros.

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