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Agência Espacial Europeia traça o mapa dos mosquitos

A Agência Espacial Europeia fornecerá aos epidemiologistas mapas dos habitats de mosquitos que transmitem epidemias tropicais.

Na guerra, o mapa das posições inimigas é essencial para a vitória. Na saúde, sobretudo no combate a doenças transmitidas por vectores, como a malária, mapear os habitats dos mosquitos torna-se indispensável para atacar as epidemias na sua origem.

Para isso aponta o programa Vecmap, da Agência Espacial Europeia (ESA): o traçado de mapas baseados em informação obtida no terreno e por satélite, transmitida por telefones inteligentes a bancos de dados, para identificar os habitats de mosquitos na Europa.

O programa foi lançado em fase experimental em Novembro de 2009. Um painel para repassar a experiência inicial foi realizado um ano mais tarde. A terceira fase, aberta no começo deste mês, inclui a operação do sistema completo de mapeamento e a prova da viabilidade económica do projecto, que tem orçamento para até meados de 2013. Também está prevista a realização de provas do Vecmap em Benin e na Polinésia Francesa.

“Estamos a testar a elaboração de mapas o mais exactos possível, especialmente dos vectores de doenças como malária, dengue e febre do Nilo ocidental”, disse ao Terramérica o administrador da ESA encarregado do programa, Michiel Kuijff . O Vecmap conta com a cooperação de agências públicas de saúde de vários países europeus, como Bélgica, França, Grã-Bretanha, Itália e Suíça.

As doenças tropicais como dengue, chikungunya, e febre do Nilo converteram- -se em pouco tempo em ameaças difíceis de serem resolvidas pelos sistemas de saúde europeus. “Sabemos muito pouco sobre a distribuição dessas enfermidades e dos seus vectores”, disse Michiel.

A incidência e disseminação destes tipos de enfermidades dependem de muitos factores que interagem entre si, como distribuição actual dos mosquitos, a sua densidade populacional, o clima, a trajectória dos ventos, acúmulo de água parada e uso da terra e da vegetação. Além disso, a frequência de viagens intercontinentais de pessoas e mercadorias e a mudança climática permitem que espécies estrangeiras se fixem em regiões novas, onde não encontram os seus inimigos naturais.

“Nesses casos, a tecnologia de mapeamento via satélite e as telecomunicações permitem-nos identifi car de maneira integral as áreas onde a abundância de mosquitos, as condições climáticas, as tendências estacionais e outras variáveis indicam que pode surgir uma situação crítica para a saúde pública”, disse Michiel.

Na sua opinião, “há necessidade de mapas que mostrem onde podem ser detectados mosquitos, em que direcções se movimentam, que factores que influem no seu crescimento são detectados em determinado momento, e quando as populações em questão atingirão o seu clímax”.

Com esses mapas será possível conceber campanhas de prevenção antes do surgimento de uma epidemia, ou colocar em prática programas terapêuticos uma vez a epidemia tenha começado. Sob coordenação do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda (RIVM), o Vecmap integra muitas tecnologias para identifi car os mosquitos e, por isso, constitui “uma espécie de janela única para o mapeamento destes vectores”, disse a entomologista do RIVM Marieta Braks.

“A ideia é combinar informação de campo nas regiões suspeitas como nevrálgicas – temperaturas, grau de humidade, presença de água parada –, transmiti-la por meio de um telefone inteligente ao sistema global de navegação por satélite e integrá-la noutros dados, como probabilidade de chuvas, ventos e graus de morbidade da patologia”’, explicou Marieta. Toda esta informação é “analisada num banco de dados central”, acrescentou.

Uma das zonas nevrálgicas é o litoral francês no Mediterrâneo: em Setembro de 2010, foram identifi cados em Nice os primeiros casos autóctones de dengue, pessoas que contraíram a doença no local por picadas de mosquitos infectados. Também no norte da Itália foram registados no ano passado vários casos de dengue e de chikungunya, embora aparentemente os contágios tenham ocorrido noutras regiões.

Na sua fase experimental, o Vecmap foi testado na França e na Itália e também na Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha e Suíça. Os analistas do Vecmap desenvolveram um software que permite integrar e analisar toda a informação obtida no terreno e pelos satélites.

O programa beneficia de experiências que a ESA já adquiriu no mapeamento de vectores. O Projecto Epidemio, que começou a operar em 2004, permitiu aos epidemiologistas observar o comportamento de mosquitos na África oriental, em particular os que transmitem a malária.

Como o Vecmap, o Epidemio integrou informação via satélite e observações no campo sobre as condições climáticas favoráveis à reprodução dos mosquitos e à expansão da malária.

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