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Em discurso que roça a forma como o Governo de Armando Guebuza endividou o país, Filipe Nyusi defende que os pobres têm direito de decidir sobre o seu futuro

Em discurso que roça a forma como o Governo de Armando Guebuza endividou o país

Foto do partido FrelimoOs moçambicanos pobres, ou supostamente “mais fracos”, não podem ser negados a liberdade de “decidir sobre o seu futuro”, nem podem ser tratados como gente desprovida de aptidão “mental e intelectual”, disse o Presidente da República, Filipe Nyusi, contrariando o antigo Chefe de Estado, Armando Guebuza, que alguma uma vez considerou que a carência a que os seus compatriotas estão sujeito é “mental” e “espiritual”. Foi, talvez, por acreditar nisso que o Governo de Guebuza endividou os moçambicanos em 1,47 bilião de dólares norte-americanos à sua revelia.

Armando Guebuza foi bastante censurado por vários círculos de opinião, ao afirmar que a pobreza dos moçambicanos era “mental” e “espiritual”. Com esta asserção, entendeu-se que ele culpabilizava o grosso do povo pela sua condição social precária.

Na altura, o economista Carlos Nuno Castel-Branco, que sentou no banco dos réus por conta de uma carta através da qual manifestava a sua repulsa em relação à governação do antecessor de Filipe Nyusi, disse que Guebuza transformava a pobreza num problema pessoal e não como um fenómeno social.

Na quarta-feira (13), durante a abertura da V Sessão Ordinária do Comité Central (CC) da Frelimo, a primeira por si orientada, o Presidente Nyusi defendeu que “quando se é pobre há tendência de se considerar que a pobreza é também mental e intelectual”.

Prosseguindo, o Chefe de Estado fez declarações que roçam, de longe, a forma como o Governo de Guebuza contraiu, inconstitucionalmente, as dívidas da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), no valor de 850 milhões de dólares, e da Proindicus, SA, em mais 622 milhões de dólares.

“Há ainda tendência de se pensar ou decidir pelo pobre, renegando a liberdade do pobre ou do mais fraco decidir sobre o seu futuro”, disse Nyusi, que também é presidente da Frelimo, acrescentando que “nós, o povo moçambicano, podemos, temos e devemos pensar e decidir sobre os nossos próprios destinos (…)”.

Àqueles que usam e abusam dos bens do Estado, como é caso da ex-directora-geral do Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER), Ana Matusse Dimande, acusada de pagamento de remunerações indevidas e abuso de função, pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Nyusi deixou o recado de que os membros do partido no poder devem “respeitar o bem público (…)”.

No que à tensão político-militar diz respeito, o Alto Magistrado da Nação culpabilizou a formação política liderada por Afonso Dhlakama. De acordo com ele, no centro do país, em zonas bem localizadas, o povo vive o terror e o medo causados pelos homens armados da Renamo, os quais atacam viaturas, invadem machambas, perseguem líderes comunitários e dirigentes da Frelimo a nível da base.

“Estes cenários calamitosos e criminosos, apesar do nosso bom nível de resposta”, continuam a estar na origem do “sofrimento, perda de vidas e destruição de bens”, disse Nyusi, ajuntando que este ano a agenda do partido no poder é o reforço da disciplina interna. “O nosso sonho é ver um membro a criticar e ser criticado, disponível e pontual (…) e que exprime o seu pensamento livremente”.

Antes do discurso inaugural do presidente da Frelimo, o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACCLIN), Fernando Faustino, alegou que a Renamo “nunca deixará de ser aquilo para que foi criada”, um partido armado direccionado para o mal.

De acordo com esta agremiação, que constitui uma ala forte do partido no poder, a atitude da “Perdiz” constitui um “verdadeiro insulto à nossa dignidade e à imagem de um país condicionado por um partido que detém armas ilegalmente”, o que consubstancia “a expressão mais alta da sua insubordinação perante o Estado”.

A ACCLIN pediu mais espaço no Comité Central para melhor confrontar aos seus adversários políticos. “Nós estamos cansados” e “perante as investidas dos nossos adversários deveremos responder de forma inovadora (…)”, disse Fernando Faustino.

O encontro, que decorre na Matola, termina no sábado (16) e nele será analisada a situação económica e política do país, a questão da paz e outras matérias.

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