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Em Cuba, jornalismo faz-se via SMS

Com acesso limitado à internet e na ausência de uma imprensa livre, cidadãos cubanos criaram uma forma peculiar de jornalismo: um boletim de notícias por mensagens texto (SMS). O serviço é relatado pela famosa blogueira cubana Yoani Sánchez em seu Twitter. “Alguém recebe uma informação e a envia para toda sua agenda de contatos”, disse Yoani num “tweet”, na quinta-feira.

Com telemóveis nas mãos, os usuários repassam as mensagens para outras pessoas, criando uma rede de distribuição de notícias. “Cada cidadão cubano pode ser um jornalista cidadão”, diz a blogueira. Segundo ela, o serviço começou a funcionar depois de meses de planejamento.

Os telemóveis foram permitidos na ilha somente em 2008. Esta é mais uma demonstração da criatividade dos cidadãos cubanos para driblar as restrições à liberdade de expressão no país. Apesar do acesso limitado à internet (na quinta-feira, Yoani reclamava de uma “cegueira virtual” que já durava cinco dias), blogueiros e twitteiros descobrem formas alternativas e cada vez mais originais de se manifestarem na rede, que se tornou um local importante de ativismo político.

O melhor exemplo é o da própria Yoani. Em março de 2008, o governo cubano implantou um filtro informático que bloqueia seu blog, o Generación Y, nos serviços públicos de internet do país. Mas ela não se rendeu e, com a ajuda de amigos que moram fora da ilha, continuou publicando os textos, como relata em seu perfil. E inaugurou em sua casa, em outubro de 2009, a “Academia Blogger”, dedicada à formação de novos blogueiros.

O governo cubano não gostou e Yoani já sofreu diversas restrições, como não poder sair de Havana ou mesmo de sua casa. Muitas vezes é seguida por agentes do regime. Yoani também tem uma forma curiosa de usar o Twitter: envia as frases de 140 caracteres por mensagens texto no telemóveis a seus amigos, que colocam as palavras na rede em seu nome. O serviço de microblog tem prestado um papel importante no ativismo em Havana.

Em seus “tweets”, Yoani pede a liberação dos presos políticos, divulga abaixo-assinados e relata o dia-a-dia dos opositores do regime. Atualmente, tem dedicado atenção especial à situação do jornalista Guillermo Coco Fariñas, em greve de fome há quase três semanas. Ao tomar conhecimento das medidas propostas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez para limitar o acesso à internet na Venezuela, sugeriu aos colegas daquele país, em um “tweet”: “Eu me ofereço a ensinar a usar o Twitter por SMS.”

A blogueira de 32 anos é uma das vozes mais importantes de dentro da ilha a criticar as restrições à liberdade de expressão no país. Em maio de 2008, foi vencedora do prêmio de jornalismo Ortega y Gasset, na categoria de trabalho digital. Também foi selecionada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do planeta. Em 2009, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot via YouTube depois que Havana negou seu pedido de viagem.

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