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Eleições no Afeganistão com poucos atentados e preocupação por abstenções

Os afegãos votaram esta quinta-feira com relativa calma, apesar dos esporádicos ataques talibãs, embora a taxa de participação nestas eleições presidenciais e provinciais possa ser muito inferior à das consultas realizadas desde a queda dos islamitas em 2001.

O presidente Hamid Karzai agradeceu aos afegãos por terem desafiado as ameaças dos insurgentes talibãs, comparecendo aos centros de votação nesta quinta-feira, e afirmou que foi um “bom dia” para o país. “O povo afegão ousou desafiar os foguetes, as bombas e as intimidações para votar. Veremos qual será a taxa de participação. Mas foram votar e isso é magnífico”, disse Karzai, favorito para as eleições. No entanto, em algumas regiões o ambiente de medo imperou.

Os talibãs conseguiram impedir a votação na cidade de Baghlan Markzai, no norte, onde travaram intensos combates nos quais, segundo a Polícia 22 rebeldes e um oficial perderam a vida. Segundo balanço de uma autoridade provincial, Mohammad Akbar Barakzai, trinta talibãs morreram em confrontos com as forças de segurança. No sul, bastião talibã, a participação parece ter sido bastante pequena pelos temores de ataques dos rebeldes e de incidentes esporádicos.

Alguns incidentes isolados foram registrados em Kandahar (sul), que foi a capital do regime talibã entre 1996 e 2001, mas tanto autoridades afegãs como da ONU disseram que a violência poderia ter sido pior. “Registramos alguns incidentes, mas, em geral, parece ter dado certo”, declarou o chefe da missão da ONU no Afeganistão (Unama), Kai Eide.

“Os ataques espetaculares com os quais nos haviam ameaçado não ocorreram, e, embora o dia ainda não tenha terminado, estou satisfeito de ver que até agora as eleições transcorreram muito bem”, acrescentou. “A participação foi muito boa”, assegurou Zekria Barakzai, porta-voz da Comissão Eleitoral Afegã, que considerou que poderia atingir 50% até o final do dia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, felicitou o povo afegão pela realização das eleições, apesar do clima de insegurança. “Ao exercer seu direito constitucional ao voto, o povo afegão demonstrou de novo seu desejo pela estabilidade e o desenvolvimento de seu país”, afirmou o chefe da ONU em um comunicado, no qual também elogia a Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão e os colaboradores internacionais que organizaram a votação.

O representante especial das Nações Unidas no Afeganistão, Kai Eide, por sua vez, classificou as eleições afegãs de êxito nacional pelo fato de a violência ter sido menor do que se esperava. “Organizar eleições em uma situação assim é um desafio tremendo que jamais vi em minha vida”, afirmou.

Para o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, as eleições afegãs foram um êxito do ponto de vista da segurança. “Em seu conjunto, as eleições transcorreram eficazmente”, afirmou Rasmussen no site da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Entretanto, alguns observadores independentes não se mostraram tão otimistas. “A participação (em Kandahar) é realmente muito, muito baixa, bem mais mais baixa do que no norte”, disse um diplomata ocidental à AFP.

O incidente mais grave foi registrado em Baghlan, pequena cidade situada na estrada entre Kunduz e Pul i Jimri, capital da província de mesmo nome, no norte. Nessa localidade, os centros eleitorais não puderam abrir devido a violentos combates entre as forças de segurança e as milícias insurgentes, nos quais morreram 22 rebeldes e um policial, segundo o chefe da Polícia provincial.

Em Cabul, dois rebeldes armados morreram em uma troca de tiros pela manhã com as forças de segurança próximo a uma delegacia, no primeiro incidente maior na capital desde o início da votação às 07h00 locais (23h30 de quarta-feira em Brasília). De acordo com o governo afegão, 26 civis e membros das forças de segurança foram mortos em decorrência dos ataques rebeldes. Os centros eleitorales fecharam, como estava previsto, às 16h00 locais (08h30 de Brasília).

A Casa Branca elogiou nesta quinta-feira os afegãos que desafiaram os temores de ataques talibãs e foram votar. “Muitas pessoas desafiaram as ameaças de violência e terror para expressar suas ideias sobre o próximo governo”, disse Robert Gibbs, porta-voz do presidente Barack Obama. Posteriormente o presidente, em uma entrevista radiofônica, comentou que as eleições foram um sucesso. “Parece que as eleições foram coroadas com sucesso, apesar dos esforços dos talibãs para pertubá-las”, afirmou.

Cerca de 17 milhões de cidadãos estavam aptos a eleger seu presidente e seus representantes nos conselhos provinciais.

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