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Egípcios têm dura opção na primeira eleição presidencial livre

Os egípcios votaram neste sábado na primeira eleição presidencial livre de sua história, que para muitos oferece apenas a opção de escolher entre dois males menores: um militar que integrou o governo do deposto Hosni Murabak ou um islamista que diz estar disputando o pleito em nome de Deus.

Recuperando-se da decisão judicial de dissolução do Parlamento dominado pela Irmandade Muçulmana, dois dias atrás, muitos egípcios se perguntam se os generais que removeram do poder o colega militar Mubarak, no ano passado, para aplacar os protestos por democracia na Primavera Árabe, vão honrar a promessa de permitir que os civis governem o país.

“O Egito escolhe hoje um presidente sem uma Constituição ou um Parlamento”, afirmou o diário Al-Masry Al-Youm em manchete na primeira página, destacando a incerteza sentida pelos egípcios 16 meses depois do término dos 30 anos de regime de Mubarak, encerrado após os protestos de massa.

Sem um novo Parlamento ou uma Constituição para definirem os poderes presidenciais, o segundo turno da eleição presidencial, neste sábado e no domingo, não vai resolver a questão e deixará os 82 milhões de egípcios, investidores estrangeiros e aliados nos Estados Unidos e Europa inseguros quanto ao tipo de Estado que haverá na mais populosa nação árabe. Não importa quem sairá vencedor. O fato é que o Exército ainda tem a palavra final.

Alguns dos 50 milhões de eleitores do Egito dizem que vão anular seu voto em vez de votar em Ahmed Shafik, 70 anos, ex-comandante da Força Aérea e último primeiro-ministro do governo de Mubarak, ou Mohammed Morsy, 60 anos, da Irmandade Muçulmana, grupo que por seis décadas atuou na clandestinidade e era inimigo do regime militar egípcio.

Se Shafik vencer, a tradição dos militares no poder permanecerá, como nas presidências anteriores. Se Morsy ganhar, os militares terão ainda influência para definir quanto poder executivo ele terá na Constituição que ainda terá de ser redigida. Muitos temem que a Irmanadade não aceitará calmamente uma derrota e que uma vitória de Shafik poderá desencadear novos distúrbios nas ruas, forçando o Exército a assumir uma posição para impor a ordem, deixando a situação ainda mais instável num país central no turbulento Oriente Médio.

A euforia que acompanhou a derrubada de Mubarak, em 11 de fevereiro, deu lugar à exaustão e à frustração depois de uma transição confusa e frequentemente violenta supervisionada pelos generais.

“Ambos são inúteis, mas infelizmente temos de escolher um deles”, disse Hassan el-Shafie, de 33 anos, em Mansoura, norte do Cairo. “Mas eu estou pensando em anular o meu voto.”

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