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Editorial: Povo sul africano é o verdadeiro campeão do Mundial

O primeiro Campeonato do Mundo de Futebol jogado no continente africano foi também o primeiro grande evento mundial em que este jornal teve a oportunidade e honra de estar presente. Fizemos um grande esforço para levar as imagens e histórias da festa vivida na África do Sul aos muitos moçambicanos que não tiveram ainda o privilégio de assistir pela televisão.

Testemunhei, ao lado de 84.490 outros felizardos, o golaço de Siphiwe Tshabalala no dia 11 de Junho no Soccer City e, no mesmo estádio, assisti incrédulo a Asamoah Gyan rematar ao travessão, gorando a minha esperança de ver uma equipa africana na final. Saí aborrecido do Moses Mabhida depois do muito aguardado Brasil vs Portugal e muito indignado fiquei com o golo que Carlitos Tevez marcou a partir de um fora de jogo, ao México.

Confesso que nos meus prognósticos, a Fúria Roja era uma das minhas favoritas e, depois de trocar duas palavras com Vicente Del Bosque, fiquei um fã incondicional deste Senhor do Futebol. Mas, muito mais do que um sonho tornado realidade, o Campeonato do Mundo da África do Sul foi um desafio à capacidade do nosso continente que acabou por demonstrar mobilização e organização invejáveis, calando muitos cépticos por esse mundo fora.

Tal como no relvado, quando se ganha somos os melhores do mundo. A África do Sul é hoje uma das 15 nações que organizaram um Mundial da FIFA e com muito sucesso: 3,2 milhões de espectadores estiveram nas bancadas dos dez grandiosos e lindos estádios; mais de 12 biliões de rands entraram na economia sul-africana; a FIFA teve os maiores ganhos de sempre – facturou mais 30% do que no Mundial da Alemanha; muitos milhões de telespectadores viram os jogos e ficaram a conhecer por dentro um país parecido com os do Primeiro Mundo.

Porém, para além de todos os números positivos, de todas infra-estruturas que foram construídas, o país ficou sem dúvida muito mais unido e os sul-africanos são hoje um povo bem mais orgulhoso! Não surpreende, portanto, que a confiança na capacidade de a África do Sul sediar outros megaeventos tenha saído bem reforçada. Há pouco tive conhecimento de existirem negociações avançadas para uma possível organização de um Grande Prémio de Fórmula 1 na África do Sul, já a partir de 2013 ou 2014, e que o país de Mandela também manifestou publicamente a intenção de apresentar uma cidade de categoria mundial, capaz de sediar os primeiros Jogos Olímpicos da África, em 2020.

Neste Campeonato do Mundo pude ver equipas que investem na formação e colhem vitórias como fruto de um trabalho contínuo e bem planeado. A própria África do Sul, em termos futebolísticos, julgo que deveria copiar o modelo norte-americano que investiu o dinheiro ganho com o Mundial de 1994 e desenvolveu o futebol interno.

Desde essa altura, a selecção norte-americana está sempre presente na alta-roda do futebol. Discordo do chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, quando diz que África jamais será a mesma, e que de agora em diante quando alguém pensar nos africanos, verá a imagem de pessoas competentes e capazes de realizar coisas sozinhas. Na minha humilde perspectiva, a África do Sul é que mostrou competência para organizar qualquer megaevento e, principalmente, mostrou-se capaz de receber o mundo dentro da sua própria casa e encantar até os mais pessimistas. Nós por cá ficamos a sonhar com os ganhos que poderíamos ter tido e continuamos a não preparar um futuro glorioso.

Enquanto a novela do nosso seleccionador nacional continua a correr a procissão para o próximo Campeonato do Mundo, que vai ser jogado no Brasil em 2014, já saiu do adro. Para os nossos dirigentes desportivos que julgam que santos da casa não fazem milagres sugiro que olhem melhor para as selecções que apostaram em treinadores nacionais e tiveram sucesso: Uruguai, Alemanha, Holanda e Espanha. São só os quatro semifinalistas.

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