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“É preciso aprender a conviver com o vírus da SIDA”

“É preciso aprender a conviver com o vírus da SIDA”

Hormíla da Graça Valentim, de 29 anos de idade, contraiu o vírus da SIDA levando uma vida normal de mulher casada. Já no seu terceiro casamento, ela conta como convive com a doença. Fala da sua vida positiva, da negligência de não ter procurado um hospital, do marido que a abandonou depois de descobrir o seu estado, e de dois filhos que também estão contaminados.

Mais do que isso, a cidadã, que faz parte dos mais de um milhão de moçambicanos infectados pelo VIH, recomenda às pessoas que evitem a propagação da enfermidade. Hormíla da Graça, residente no bairro de Napipine, na cidade de Nampula, viveu com o seu primeiro marido durante três anos, e dessa união resultaram quatro filhos.

Depois da separação, os petizes ficaram sob a sua guarda, sem ajuda do progenitor, apesar de este reconhecer que ela era desempregada, e a sua vida passou a ser um verdadeiro martírio. Devido às dificuldades por que passava, ela juntou-se a outro homem que a apoiava nas despesas de casa. “Ele ajudava-me, assegurando a alimentação e a escolaridade dos meus filhos. Isso é o que mais me importava na altura”, disse Hormíla.

No princípio, a relação, que durou apenas dois anos, parecia um conto de fadas. Ela não desconfiava das aventuras extraconjugais do seu marido. Porém, com o andar do tempo, a situação foi mudando, sobretudo quando Hormíla da Graça começou a apresentar sintomas estranhos. Ela adoeceu por várias vezes durante meses, padecendo de fortes dores de cabeça, tendo recorrido, sem sucesso, a diversos curandeiros.

Mais tarde, em 2011, sensibilizada pelo estado de saúde da sua vizinha, uma animadora da Igreja Católica no bairro de Napipine aconselhou Hormíla a dirigir-se ao hospital, onde veio a ser diagnosticada o vírus causador da SIDA. Tomando conhecimento da situação em que se encontrava a sua mulher, o parceiro abandonou, sem dar nenhuma explicação, a esposa que, na altura, estava grávida.

Um mês após saber que havia contraído o VIH/SIDA, Hormíla começou a fazer o tratamento anti-retroviral (TARV) e, volvido um ano, abandonou a terapia. Além disso, ela não se sujeitou ao programa de prevenção da transmissão vertical do VIH (PTV), alegadamente porque já era muito tarde. Devido a esse facto, o filho nasceu infectado pelo vírus.

Pai rejeita filho seropositivo

Quando Hormíla comunicou ao homem que a abandonou que o filho, presentemente com quatro anos de idade, havia nascido com o vírus causador da SIDA, o progenitor rejeitou o menor. “Eu tive de recorrer ao meu pai para registar o nosso filho”, afirmou.

Segundo a nossa interlocutora, a sua vida começou a mudar graças aos conselhos da animadora da Igreja Católica em Napipine. “Foi ela que me motivou a que eu quebrasse o silêncio”, disse. Em 2012, ela casou-se novamente e teve o sexto filho. Por razões que não sabe explicar, Hormíla não fez o PTV e o petiz foi contaminado pelo VIH.

“Quando o meu parceiro manifestou interesse em ficar comigo, eu não escondi o meu estado de saúde. Apesar disso, ele aceitou, e fizemos uma criança que também está infectada”, conta. Refira-se que, em Moçambique, cerca de 85 bebés são infectados pelo VIH diariamente pelas mães VIH-positivas, durante a gravidez, o parto ou através da amamentação.

Vida positiva

Há quatro anos, Hormíla vive com o vírus da SIDA e voltou a fazer o tratamento anti-retroviral. Ela diz que, presentemente, segue a medicação à risca e, com o subsídio mensal de 1.250 meticais que ganha e o dinheiro que o seu marido amealha por dia no seu pequeno negócio, pode ter uma alimentação equilibrada. Desde 2014 que aquela cidadã pertence à associação denominada “NIIWANANE”, onde trabalha na sensibilização de pessoas vivendo com o vírus da SIDA.

Além do subsídio mensal, ela recebe assistência alimentar. Todos dias, sai de casa por volta das 9h00, depois fazer as tarefas domésticas e preparar os filhos mais crescidos para a escola. Ela regressa às 12h00, para tomar conta da casa e cuidar dos filhos.

Esta tem sido a sua rotina, de segunda a sexta-feira, nos últimos meses. Hormíla da Graça não esconde a situação por que passa. Ela afirma que ter o vírus da SIDA não é o fim do mundo, e acrescenta que as pessoas devem aceitar o seu estado de saúde e aprenderem a conviver com a doença, pois só assim se pode parar com a propagação da mesma. “Levo uma vida normal como qualquer outra mulher, pois te- nho seguido todas as recomendações médicas”, disse.

Famílias vivendo com VIH/SIDA beneficiam de apoio em Nampula

O agregado familiar de Hormíla da Graça Valentim faz parte mais de 200 famílias residentes nos bairros de Napipine, Natikiri e Marrere, arredores da cidade de Nampula, que estão a beneficiar de um programa de apoio a pessoas a viverem com VIH/SIDA, levado a cabo pela associação “NIIWANANE”.

Além de aconselhamentos, a ajuda consiste na disponibilização de produtos alimentares, material escolar e um subsídio mensal no valor de 1.250 meticais. De acordo com Régio Domingos, director executivo daquela agremiação, para além das 200 famílias, cerca de 900 crianças, na sua maioria órfãs e chefes de famílias cujos progenitores perderam a vida vítima do vírus da SIDA, beneficiam de apoio.

Mais de um milhão de pessoas infectadas pelo VIH

Em Moçambique, estima-se que um milhão e quatrocentos indivíduos estão infectados pelo VIH/SIDA e 120 mil novas infecções acontecem anualmente, situação que coloca o país entre os 10 mais afectados por esta pandemia a nível mundial.

Parceiros múltiplos e concomitantes; fraca adesão à utilização do preservativo; taxas consideráveis de mobilidade e migração; prevalência de relações sexuais entre pessoas de geração diferentes; incidência de taxas elevadas de relações ocasionais e prevalência de níveis baixos de circuncisão são apontados como os principais factores de contaminação.

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