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…e o MMA esmerou-se!

…e o MMA esmerou-se!

Depois de na edição de 2010 a DDB ter brindado os amantes da música moçambicana, na gala de premiação do Mozambique Music Awards, com um evento assaz apático – no aspecto da organização – e pouco memorável, eis que, finalmente, este ano provou que, de facto, “querer é poder” e melhorou.

Foi como acontece na vida. Ou seja, há falhas que inspiram alguma aprendizagem, de tal maneira que repeti-las seria pura tolice. Em Maputo, no campo da organização de eventos culturais, exemplo do Mozambique Music Awards (MMA) pode-se afirmar – por analogia – que o adágio se aplica perfeitamente.

À guisa de ilustração, se reconhecermos – que para um evento de gala, como seja a divulgação dos premiados do MMA – a escolha, no ano passado, do Cine Teatro África foi um tremendo erro, estaríamos a reconhecer que a mudança para o Centro Cultural Universitário, ainda em Maputo, não foi (apenas uma mera) mudança de cenário, mas a busca da melhoria, uma correcção.

Em 2010, a DDB, entidade mentora do MMA, não se acautelou muito em relação aos pormenores logísticos. Escolheu o lendário Cine Teatro África, agora em degradação. Do facto, derivou, por exemplo, que nalguns lugares houve situações em que o público teve que contornar cadeiras por estas estarem danifi cadas, para depois esbarrar-se com uma sujeira na seguinte, também em processo acelerado de degradação. Este ano foi diferente, isto é, o mesmo não aconteceu.

A evolução não se limitou à questão espacial, mas alargou-se à dimensão do tempo. Depois do eterno atraso de uma hora para o arranque do programa, igual cenário não aconteceu este ano.

Alguns comportamentos pessoais de alguns artistas revelaram alguma evolução. Por exemplo, a cantora Miss Zavy – que no ano passado, além de trajar uma indumentária pouco decente – para quem se pretende apresentar em público, em evento de gala e, numa estação televisiva de âmbito nacional, como a TVM, havia proferido discursos pouco imprudentes, acautelou-se (inclusive) no discurso.

Um cenário lendário

Se de facto, passadas décadas e séculos, os acontecimentos contemporâneos tornar-se-ão históricos – como o raciocínio historiográfico arvora, então em relação à história da organização de eventos culturais em Maputo, o cenário do MMA 2011 (algo artístico, que nos recorda uma obra telúrica) tem um lugar cativo. O outro pormenor foi a eficiência da iluminação bem como da qualidade do som – tudo harmónico, não ruidoso, como opostamente aconteceu no ano passado.

O cardápio da programação (também) revelou- se uma metáfora do discurso político oficial do governo vigente: “a unidade nacional”. É que pessoas de tenra idade, adultas e idosas, bem como manifestações musicais diferentes como a música clássica, a dança tradicional do xigubo, cenas de humor carregadas de um grande valor educativo, entre outros aspectos, que, tendo sido muito bem mesclados, acabaram por conferir uma melhor dimensão ao MMA.

Uma dimensão segundo a qual se deixou transparecer que a DDB fez um bom trabalho de casa para a gala de premiação. Mesmo para quem assistiu pela televisão, do MMA ficou-se com a impressão de que se tratava de um composto cultural e artístico que pretende contribuir de certa forma para a construção social do país. De qualquer modo, vejamos como ficou a classificação final:

Categoria de Música Tradicional e Africana

Na categoria de Música Tradicional e Africana, em que as canções “mbinheto” – o mesmo que sofrimento – e “Ser segunda”, então consideradas, pelo júri, como as melhores composições da música ligeira moçambicana, valeram ao par Ta Basily e Liloca, respectivamente, o pódio. De qualquer modo, a insígnia da Melhor Música Tradicional Africana coube à Orquestra Djaaka, com o tema “unidade nacional”.

No entanto, ao voltar no tempo – para dentro do século X – contar as “Histórias de 918”, o músico moçambicano Nelson Nhachungue, bem como a cantora Júlia Duarte (que fazendo jus à sua curiosidade chegou a cantar “I just wanna know”) acabaram por convencer o júri para que – com os respectivos temas – lhes concedesse um lugar “bem-aventurado”, respectivamente nas categorias de Melhor Música Fusão/Afro Jazz e Tropical.

Música Urbana

Porque as cidades e zonas urbanas são locais em que as indústrias musicais – e culturais por extensão – gravitam, a DDB a inventou uma categoria para, através do MMA, valorizar os estilos e géneros musicais mais explorados nas urbes: a “Música Urbana”.

É neste campo que o rapper Trez Agah acabou por ver o seu processo de recuperação (do incidente originado pela danificação do computador em que tinha as suas músicas registadas, ditando fim ao sonho de produzir o seu primeiro álbum até 2009 protelado) cada vez mais acelerado. Afinal, com a música “Disco duro”, o artista abocanhou os prémios de “Melhor Música Hip-Pop/Rap” e de “R&B/Soul”.

De uma ou de outra forma, quem se sentiu especial de verdade foi a dupla G2 e Mimae, ao convencer o júri de que, em termos de R&B/ Soul, possui um conhecimento enciclopédico. Aliás, o facto ficou provado, em 2010, com a “especial”.

“Mas porquê” – também pode (não) se perceber com muita facilidade. Facto é que nas cidades as pessoas e as noites são dançantes. E é com esta indagação – uma música para dançar – que Romeu Pascoal se deixou laurear na vertente Dance. Por sua vez, e com ar romântico, o artista Gonzo teve o gozo pessoal de ser considerado o melhor em Pop & Rock com “amores e poemas”, encerrando os temperamentos da categoria.

Categorias técnicas

Mas a produção da música, em si, requer – como é óbvio – a aplicação de técnicas, assim como a execução de determinados instrumentos. Aliás, porque algumas pessoas na cidade de Maputo (e não só) aplicam tais técnicas de forma clandestina e desleal acabam por contribuir para a evolução de um fenómeno nefasto: a proliferação da pirataria.

Agindo em contra-senso, o MMA decidiu, de forma implícita, combater os prevaricadores. Ou seja, os praticantes de tais actividades. Eis que premiou os profissionais que aplicam as técnicas de boas formas – em termos de qualidade de som e de imagem – para engrandecer a música e a cultura moçambicanas.

Assim, “Krazzy Beats” – a entidade produtora da música “caí de quatro” do músico romântico Hermínio – sagrou-se vencedora no campo da Produção. Mas foi a convencida Ivânia – ou simplesmente Dama do Bling – que depois de uma “longa espera” vingou-se com um vídeo, considerado de nobre estirpe. Daí as congratulações neste sentido.

Quis a sorte que G2 não fosse bissexuado e, que sozinho, não fosse uma dupla, sob o risco de monopolizar a “Categoria Top 5”. O autor de “disco duro” foi considerado Melhor Artista Masculino de 2010. O seu primeiro álbum, Momento, também foi considerado o Melhor do Ano, ao mesmo tempo que formou a melhor dupla com Mimae na música “especial”. É caso para dizer que o empenho da Dama do Bling, em melhorar a sua visibilidade, valeu a pena. Afinal, esta foi a melhor artista feminina.

No entanto, para quem consegue trilhar seguramente “10 anos” pelos caminhos sinuosos da música, como Neyma tem vindo a fazê- -lo, nada melhor do que ter conseguido, em 2010, produzir o álbum mais vendido. Mas, mais importante ainda – revelou-se ser – agraciar (ainda) em vida, um artista com 60 anos de carreira e 75 de vida, como o Prémio Carreira, como se fez a Xidiminguana.

O povo (também) sabe!

De uma única forma – votando – em relação aos melhores artistas do ano 2010, o povo desempenhou um papel determinante, para que Dama do Bling, Iveth e Mimae (em afro), e Gonzo (em anónimas) fossem, respectivamente, catalogados como artista, música e vídeo mais populares.

No radialismo, o locutor afro-chinês da Rádio Índico e o seu programa “Retratos” foram considerados melhor animador e melhor programa musical de rádio. No entretenimento televisivo, o apresentador de televisão Gabriel Júnior e o seu programa “Moçambique em Concerto” impuseram-se como os melhores na área da apresentação, bem como em termos de programa musical televisivo.

No entanto, houve resmungos – por parte de algumas pessoas do público contra o sucesso do apresentador Gabriel – facto porém é que o povo é que elegeu quem faz o (seu) melhor pela cultura moçambicana. Mas, finalmente, diga-se, o MMA esmerou-se ao pormenor.

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