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Doenças epidémicas põem Nampula em alerta

O aumento progressivo de doenças epidémicas, com enfoque para a cólera, malária e diarreias agudas, incluindo as chamadas parasitoses, está a conduzir a província de Nampula a uma situação de emergência. A cólera, tida como a mais violenta, já levou mais de 900 pessoas ao hospital em menos de três meses, o que forçou o governo provincial a promover jornadas intensivas de limpeza e de construção de latrinas.

Empresários, membros do governo, representantes das organizações políticas e sociais, líderes comunitários e tradicionais estão a mobilizar todo o tipo de recursos para o início de jornadas intensivas e “obrigatórias” de limpeza e de construção de latrinas, a partir do próximo dia 28 do mês em curso.

A cerimónia oficial da abertura da campanha “Nampula limpa”, com um período indeterminado de execução, terá lugar na cidade de Ilha de Moçambique e será orientada pelo governador daquela província, Victor Manuel Borges que, na última sexta-feira (13), se reuniu com todos os representantes da sociedade civil, com o propósito de colher sen- sibilidades e explicar as vantagens daquele tipo de iniciativa.

A escolha da Ilha de Moçambique para o arranque da campanha de limpeza tem a ver com o deficien- te sistema de saneamento do meio, associado aos hábitos culturais, o que faz com que as praias sejam consideradas locais preferenciais para o depósito dos excrementos humanos, numa acção atentatória à saúde pública.

O projecto de construção de latrinas públicas e de distribuição gratuita de lajes às famílias carenciadas, anunciado pelas autoridades locais, após o sufrágio eleitoral de 2013 não passou de uma simples promessas.

Na verdade, as populações não as utilizam e preferem praticar a defecação a céu aberto, facto que concorre para a contínua propagação de diversas doenças no seio das comunidades.

Para inverter esta situação, o governador de Nampula apelou, na interacção com a sociedade, para o envolvimento massivo de todos as forças vivas neste processo que tem como principal objectivo de contribuir para que tenham lugar acções preventivas e de redução das actuais taxas de internamento hospitalar.

Borges pede a todas as pessoas de boa vontade no sentido de darem o seu contributo, quer em valores monetários, quer em bens materiais, para o sucesso da referida campanha.

O governante desencoraja, igualmente, o consumo de água não tratada e a venda de produtos alimentares mal confeccionados e desprotegidos, tendo por isso chamado a atenção às estruturas de base para um controlo cerrado a todas as manobras que visem fragilizar a campanha que deverá decorrer em todos os 23 distritos.

Entretanto, alguns intervenientes no encontro louvaram a iniciativa do governo, mas pedem para que ela seja efectuada de forma rotineira, sob o risco de vir a tornar-se num projecto falhado, à semelhança do que aconteceu com o “Warya wa Wamphula (brilho de Nampula) concebido pelo Município de Nampula nos princípios de 2014.

Cólera eclode em cinco distritos de Nampula

O processo de preparação da campanha de higiene e promoção de saneamento do meio ocorre numa altura em que a província de Nampula está a ser fustigada pela cólera. De acordo com dados obtidos das autoridades da Saúde a nível daquela região, foram notificados 940 casos cumulativos desde que a doença eclodiu em finais do ano passado.

Segundo Armindo Tonela, director Provincial da Saúde em Nampula, neste momento a cólera afecta, para além da capital provincial, os distritos de Meconta, Murrupula, Mecubúri e Lalaua, com um total de quatro óbitos. Tonela disse que, até sexta-feira (13), o distrito de Murrupula havia registado 36 casos, seguido de Lalaua, com 23 e Mecubúri com 20 casos novos, mas sem óbitos.

Na cidade de Nampula, a doença assola todos os 18 bairros residenciais, incluindo a zona de cimento. Estado actual dos (nossos) prédios O slogan “vale a pena pre-venir do que remediar” parece não ser do domínio da maior parte dos moradores dos prédios da cidade de Nampula.

Alguns indivíduos que adquiriram parte dos imóveis, através da Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE), não se preocupam com a limpeza das suas próprias habitações e, como consequência disso, o estado de conservação dos edifícios vai de mal a pior. Nos prédios Fabião, Branco, Carvalheira e Comboio, por exemplo, mais de 200 famílias estão em risco de contrair a cólera, devido às péssimas condições de higiene.

No primeiro, a situação é mais crítica, devido ao entupimento da principal fossa, desde o início das chuvas. Cenários de falta de higiene são notórios nos restantes imóveis, sobretudo naqueles que albergam mais de 50 famílias.

Os guardas queixam-se falta de condições de trabalho e de incentivos salariais, alegada- mente porque muitos inquilinos se recusam a dar o seu contributo para o pagamento das remunerações do pessoal de limpeza. Os nossos entrevistados acusam, igualmen- te, os chefes de comissões de moradores de nada fazerem para a reposição da imagem dos prédios.

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