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Dinis Sitoe: o primeiro roupeiro no “Mundial” de basquetebol

A 28 de Setembro último, em Maputo, Moçambique qualificou-se para o Campeonato Mundial de Basquetebol sénior feminino. Apesar de todos terem vibrado com as “Samurais” na quadra, há quem passe despercebido do público mas que, por ironia, cuida da imagem da equipa.

Trata-se de Dinis Sitoe, de 32 anos de idade, o primeiro roupeiro moçambicano presente num “Mundial” de basquetebol, prova que será disputada no próximo mês de Setembro de 2014 na Turquia. Exerce a função há sensivelmente 10 anos, ou seja, desde que conheceu o seleccionador nacional, Nazir Salé.

Foi no presente ano de 2013 que teve a oportunidade de colher um magnificente “fruto” na função que desempenha. Aliás, foi isso que deu a entender na breve conversa que teve com o @Verdade.

– Estou muito feliz pela qualificação de Moçambique para o “Mundial”. O meu sentimento é de orgulho, sobretudo porque serei o primeiro roupeiro moçambicano a estar na mais alta competição a nível de selecções. Foi com muito trabalho, esforço, dedicação e união da equipa que alcançámos este mérito.

Dinis Sitoe explicou que apareceu do nada no desporto, tendo-lhe bastado a amizade com Nazir Salé, seleccionador nacional, para ser “seduzido” a servir as equipas por ele comandadas. Contou, também, o que encerra ser roupeiro de uma equipa de basquetebol:

– Eu sou a pessoa que cuida da imagem das jogadoras e não só. Eu sou o profissional que cuida de todo o material de trabalho da equipa. Sou o funcionário que prepara o equipamento de todos, desde os técnicos até às atletas, seja para os passeios, seja para os treinos, seja para antes, durante e após os jogos;

– É o roupeiro que manuseia toda a logística necessária para a selecção como, por exemplo, tratar das bolas e da água;

– É o roupeiro que deve fazer de tudo para que as jogadoras não se preocupem com outros assuntos que não sejam os meramente desportivos;

– É o roupeiro que deve garantir que elas tenham treinos, passeios, jogos e até um repouso tranquilo. Dinis Sitoe declarou que não tem dificuldades em exercer a sua profissão, até porque é o seu ganha-pão, ou seja, o seu único meio de sustento. É através dele que alimenta a sua família.

– Para se ser roupeiro não é preciso ter-se muita instrução. Basta apenas ter vontade de trabalhar, responsabilidade e capacidade para levar a cabo esta “arte”. É fundamental ter a confiança de quem te nomeia para o servir.

“Não importam as marcas. O equipamento é sempre o mesmo”

No que ao uniforme da selecção diz respeito, de uma marca que se estreou no mercado nacional através das “Samurais”, que aliás é parte fundamental do seu trabalho, Dinis Sitoe é da opinião de que, na prática, as camisetas, os calções e as sapatilhas são sempre as mesmas.

– O equipamento é igual. Não existe nenhuma diferença por múltiplas que sejam as marcas. Tudo deve ser vestido da mesma maneira. A minha forma de trabalhar não vai em função disso, ainda que considere bastante as cores por uma questão de padrão e de organização. A equipa só tem de estar apresentável.

“Vivo com intensidade cada minuto de trabalho”

O roupeiro da selecção nacional contou-nos, com reservas, o trabalho que levou a cabo durante o “Afrobasket” de Maputo. Dinis, um homem de poucas palavras e tímido, limitou-se a revelar que:

– Primeiro preparava o equipamento de toda a equipa para a sessão de treino das 10 horas. Até uma hora antes os técnicos e as jogadoras tinham de estar prontos cabendo a mim, igualmente, tratar das bolas e da água, para que não faltem.

– Depois dos treinos tinha de preparar outra roupa para o período que antecede e sucede o jogo, bem como o equipamento que a equipa usava nas partidas. Tudo preparado ao mínimo detalhe. Eu é que articulava, também, com a lavandaria para que todos os trajes estivessem em condições de ser envergados.

Sitoe não tem muita história para contar, seja de sucesso, seja de fracasso. Mas afirmou que gosta muito da função que exerce.

– Vivo com intensidade cada instante desta minha nobre profissão. Eu gosto muito de ver a equipa bem vestida, aliás, como todo o profissional que ama o seu emprego, sinto-me enaltecido quando a vejo trajada a rigor.

– A qualificação para o “Mundial” foi um momento muito especial e histórico para mim. Eu testemunhei o sacrifício das jogadoras por perto. Agora temos de pensar nessa competição sabido que, se Deus quiser, também farei parte da delegação.

O nosso interlocutor conta que já cometeu muitos erros e que, por uma questão de elegância não pode torná-los público, até porque, segundo ele, quem trabalha está sujeito a desacertos.

– Num trabalho de equipa há sempre quem esteja para nos mostrar o caminho certo, portanto, nunca me senti debilitado.

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