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Dezenas de pessoas ficam feridas em confronto no Kosovo envolvendo sérvios

Mais de 50 pessoas ficaram feridas em confrontos, esta Quinta-feira (28), quando as autoridades do Kosovo deportaram um grupo de sérvios visitantes que acusaram a polícia de disparar contra eles, deixando um com ferimentos bastante graves.

O grupo de cerca de 70 sérvios, na maioria jovens, viajava em dois autocarros para Gazimestan, um local religioso e histórico perto da capital Pristina, quando a polícia ordenou a sua volta, argumentando que haviam se tornado “muito agressivos, bêbados e estavam a provocar tanto a polícia como os cidadãos”.

O Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008, mas as tensões entre os 90 por cento de maioria albanesa e a pequena minoria sérvia que recusa-se a aceitá-lo como um país independente persistiram, e as relações com Belgrado mantiveram-se tensas.

As autoridades sérvias de saúde disseram que um sérvio teve lesões gravíssimas nos confrontos e que outras cinco pessoas foram hospitalizadas com ferimentos de bala.

Um total de vinte sérvios procurou atendimento médico nas cidades de Kursumlija e Prokuplje. A polícia de Kosovo recusou-se a confirmar se tinha atirado no grupo sérvio.

Em Pristina, o presidente do Kosovo, Atifete Jahjaga, disse que as autoridades iriam parar todos esses grupos no futuro “uma vez que eles estão seriamente a violar a lei e a ordem e a agravar a situação da segurança no Kosovo”.

O ministro do Interior do Kosovo, Bajram Rexhepi, afirmou que os jovens sérvios tinham lançado pedras e outros objectos pesados na polícia logo depois de serem expulsos do território do Kosovo.

Nove oficiais da polícia do Kosovo foram tratados no hospital e mais 26 policiais sofreram ferimentos leves, acrescentou ele. Gazimestan é um campo nos arredores de Pristina, onde os sérvios marcam o Dia de São Vitus e a Batalha do Kosovo de 1389, quando uma força sérvia cristã ortodoxa liderada pelo Czar Lazar perdeu uma batalha decisiva para turcos-otomanos muçulmanos invasores.

Ivica Dacic, o primeiro-ministro designado da Sérvia, disse que o incidente prejudicou a paz e a estabilidade no Kosovo.

“As tropas internacionais lá têm a obrigação de preservar a paz e segurança … Todas as futuras conversações com o Kosovo devem basear-se na preservação da segurança”, afirmou Dacic aos repórteres em Belgrado.

Em Gazimestan, onde a cerimónia aconteceu, a polícia revistou os autocarros e apreendeu parafernália nacionalista dos sérvios visitantes.

Gazimestan é também o lugar onde a 28 de Junho de 1989 o falecido líder sérvio Slobodan Milosevic abordou centenas de milhares de sérvios num discurso que anunciava o colapso sangrento da ex-república comunista da Jugoslávia na década de 1990.

A violência entre albaneses, sérvios e forças de paz internacionais aumentou, ano passado, depois de Pristina tentar estabelecer a sua autoridade na parte norte predominantemente sérvia do país, que ainda promete fidelidade ao Belgrado.

A independência do Kosovo foi reconhecida por mais de 90 países, incluindo Estados Unidos e 22 dos 27 membros da União Europeia. No entanto, a Rússia e a China, bem como a própria Sérvia, recusaram-se a reconhecê-la.

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