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Mundial 2014: depois de erros no início, árbitros do Mundial agradecem anonimato

Vitórias por virada têm sido comuns no Campeonato Mundial de Futebol deste ano, então parece vir a calhar que, depois de um início de torneio complicado, os árbitros tenham desaparecido do noticiário, abrindo espaço para o óptimo futebol demonstrado.

O técnico da Croácia, Niko Kovac, alertou que um “circo” teria sido montado, depois do controverso penalti marcado pelo juiz japonês Yuichi Nishimura na partida de abertura do Mundial ter virado o ritmo da partida a favor do Brasil e ameaçado ofuscar o desempenho brilhante de Neymar em campo.

No jogo seguinte, quando México enfrentou Camarões, nada menos que dois gols de Giovani dos Santos foram anulados após questionáveis impedimentos que deixaram o jogador indignado.

Oribe Peralta foi providencial ao assegurar o 1 x 0 para o México e poupar a equipe de arbitragem de um vexame, mas seja qual tenha sido o resultado da partida contra Camarões, as decisões do juiz não seriam esquecidas assim tão facilmente.

Tais decisões discutíveis agora parecem uma lembrança distante no meio das emocionantes partidas, e Massimo Busacca, chefe de arbitragem para o Campeonato Mundial, disse estar feliz com o desempenho geral.

“É impossível para o juiz não cometer nenhum erro ao longo de 90 minutos – do mesmo modo que os jogadores”, disse ele à Reuters por email, esta quarta-feira. “Tentamos reduzir os erros e não influenciar o resultado. No geral, acho que estamos a fazer um trabalho muito bom e estou confiante para o resto da competição.”

Busacca negou comentar sobre incidentes específicos ocorridos na primeira semana do torneio, embora no dia seguinte ao jogo de abertura ele tenha defendido o penalti marcado por Nishimura, dizendo que cabia também aos jogadores parar de segurar os adversários dentro da área.

Desempenho melhor

A sina de todo o árbitro é ter as más decisões lembradas e as boas esquecidas. Mas com o desenrolar do Campeonato mundial no Brasil, várias intervenções decisivas provaram ter sido correctas, mesmo se o time que foi vítima dessas marcações nem sempre enxergar assim.

O juiz uzbeque Ravshan Irmatov foi criticado por interromper jogadas durante o duelo pelo Grupo E entre Equador e Suíça, mas acabou se redimindo ao dar uma vantagem crucial na jogada em que o time europeu acabou conseguindo uma dramática vitória aos 48 minutos da segunda parte.

Noutro exemplo de boa arbitragem que passou despercebido, o juiz brasileiro Sandro Ricci deu um segundo cartão amarelo ao jogador hondurenho Wilson Palacios após uma entrada dura contra o meia francês Paul Pogba, segundos depois do retorno do intervalo.

Karim Benzema converteu o penalti resultante do lance e, em nome da neutralidade, a justiça foi feita com a partida terminando em 3 x 0 contra os violentos hondurenhos. No mesmo jogo, a tecnologia da linha do gol foi usada pela primeira vez em um Mundial.

Teria sido praticamente impossível definir a olho nu se a bola havia passado integralmente pela linha, depois de ter rebatido no guarda-redes de Honduras Noel Valladares, mas a nova tecnologia mostrou que a bola havia entrado por questão de centímetros, com o juiz marcando um respectivo gol contra.

“Para nós foi óptimo ter a confirmação de que o sistema funciona”, disse Bussaca. “Não tínhamos dúvida, mas é diferente usar a GLT (sigla em inglês para a tecnologia da linha do golo) nos treinamentos e testemunhá-la naquele momento em campo, durante uma partida importante. Em certas situações é impossível ver o que aconteceu com olhos humanos.”

Outra novidade introduzida no Mundial deste ano no Brasil foi o spray que desaparece para demarcar a distância correta da barreira, o que tem resolvido a aproximação dos jogadores na cobrança de faltas.

Mais mudanças fundamentais na arbitragem podem estar a caminho, depois de o presidente da Fifa, Joseph Blatter, sugerir na semana passada um sistema pelo qual os técnicos podem submeter até duas decisões dos juízes por partida para serem examinadas em vídeo.

Por enquanto, as equipes e os adeptos no Brasil devem se contentar com o julgamento humano em quase todas as decisões, e esperar que elas sejam esquecidas. “O menos que notares um juiz, melhor o seu desempenho – esse é um princípio geral e definitivamente nossa meta”, disse Bussaca. “Não somos os protagonistas em campo.”

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