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Depoimento de Nelsinho Piquet deixa a F1 de cabelo em pé

A Fórmula 1 balançou nesta quinta-feira depois que da fuga de informacão de uma transcrição de provas do caso de Nelsinho Piquet revelou que, de acordo com o piloto, a equipe a Renault pediu que ele batesse na corrida de Cingapura vencida pelo espanhol Fernando Alonso. 

O desporto, que já luta para se recuperar da crise iniciada em 2007 com um escândalo de espionagem entre escuderias e agravada este ano no Grande Prêmio da Austrália pela mentira de Lewis Hamilton, está em estado de choque após a denúncia do jovem piloto brasileiro. Piquet afirma que o chefe da Renault, Flavio Briatore, e seu engenheiro-chefe, Pat Symonds, exigiram que ele batesse de propósito para favorecer Alonso, seu companheiro de equipe à época, que acabou vencendo a corrida.

No seu longo depoimento, que circulava em vários sites especializados nesta quinta-feira, Nelsinho Piquet diz ter concordado bater em um ponto específico do trajecto para que não tivesse a carreira prejudicada por uma eventual negativa de renovação de contrato. Ele afirma ter recebido instruções claras de quando e onde provocar o acidente no circuito urbano de Cingapura.

Na transcrição, Piquet diz: “Fui procurado pelo senhor Flavio Briatore, que é meu agente e dono da equipe ING Renault F1, e pelo senhor Pat Symonds, director técnico da equipe Renault F1, que me pediram para bater meu carro deliberadamente para influenciar de forma positiva o desempenho da equipe ING Renault F1 na corrida em questão. Eu concordei com a proposta e fiz com que meu carro atingisse uma parede durante a volta 13/14 da corrida”.

“A proposta de causar deliberadamente um acidente me foi feita antes do começo da prova, quando fui intimado pelo senhor Briatore e pelo sehor Symonds no escritório do senhor Briatore”, acrescenta. “O senhor Symonds, na presença do senhor Briatore, me perguntou se eu estaria disposto a sacrificar minha corrida pela equipe “causando um safety car”.

Todo piloto de Fórmula 1 sabe que o “safety car” entra no circuito quando acontece um acidente, que faz com que a pista seja bloqueada por destroços ou por um carro parado, ou em pontos onde seja difícil rebocar um carro danificado, como é o caso aqui”, explica o piloto.

“No momento da conversa, eu estava em um estado espírito muito frágil e emotivo, que foi causado por um estresse intenso devido ao fato de que o senhor Briatore havia se recusado a me informar se meu contrato com a escuderia seria renovado ou não para a próxima temporada (2009), como geralmente acontece no meio do ano”. “Ao invés disso, o senhor Briatore repetidamente pedia que eu assinasse uma “option”, o que significa que eu não tinha permissão para negociar com nenhuma outra equipe. Ele repetidamente me pressionou a prolongar a “option” que eu havia assinado, e regularmente me chamava ao seu escritório para discutir essas renovações, mesmo em dias de corrida – um momento que deveria ser de concentração e distensão antes da prova”, destaca Piquet.

“Este estresse era acentuado pelo facto de que, durante o Grande Prêmio de Cingapura, eu havia me qualificado para o 16º lugar do grid da partida, então estava muito inseguro em relação a meu futuro na equipe Renault. Quando me pediram que batesse o carro e causar um incidente de safety car para ajudar a escuderia, aceitei porque esperava que isto melhorasse minha posição na equipe neste momento crítico da temporada de corridas”. “Em nenhum momento alguém me disse que, se aceitasse causar um acidente, teria a renovação de meu contrato garantida ou qualquer outra vantagem.

No entanto, considerando o contexto, pensei que me ajudaria a alcançar este objetivo. Então, aceitei causar o acidente”, admitiu o piloto. “Depois do encontro com o senhor Symonds e o senhor Briatore, o senhor Symonds me levou para um canto mais calmo e, usando um mapa, apontou o local exacto do trajeto onde eu deveria bater”, revelou.

“Este lugar foi escolhido porque, especificamente ali, não haveria nenhuma grua que pudesse levantar o carro quebrado da pista, assim como também não haveria nenhuma entrada lateral na pista, O que permitiria que um reboque de segurança entrasse na pista rapidamente para retirar o carro danificado”.

“Assim, ele acreditava que uma batida neste ponto específico causaria uma obstrução na pista, o que obrigaria a entrada do safety car para limpar o trajeto e garatir a segurança no resto da prova”, explica. “O senhor Symonds também me instruiu sobre a volta exacta em que eu deveria causar o acidente, para que meu companheiro de equipe, senhor Fernando Alonso, tivesse tempo de reabastecer no pit-stop pouco antes da entrada do safety car, o que de facto ocorreu na décima-segunda volta”.

“A chave desta estratégia residia no facto de que a quase certeza da entrada do safety car entre as voltas 13 e 14 permitia que a equipe armasse uma estratégia agressiva, abastecendo o carro do senhor Alonso no começo da corrida com combustível suficiente apenas para chegar à 12ª volta, deixando-o mais leve”, acrescenta. “Isso permitiria que o senhor Alonso ultrapassasse o maior número possível de carros, sabendo que estes carros teriam dificuldade de alcançá-lo depois na corrida devido à entrada do safety car.

Esta estratégia foi bem sucedida e o senhor Alonso venceu o Grande Prêmio de Cingapura de F1 2008″, concluiu Piquet.

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