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Dennis Hopper, versátil ator, cineasta e artista plástico morreu aos 74 anos

Dennis Hopper

O ator e cineasta americano Dennis Hopper, diretor de “Sem Destino” (“Easy Rider” – 1969), morreu este sábado aos 74 anos vítima de câncer de próstata, após uma carreira de mais de 50 anos que abrangeu desde o cinema até a fotografia e a pintura. Apesar da sua doença, Hopper assistiu no dia 26 de março a cerimônia em sua honra para receber uma estrela na calçada da Fama de Hollywood.

Na ocasião, esteve acompanhado pela sua família e por seus colegas Viggo Mortensen e Jack Nicholson. “Tudo o que aprendi em minha vida foi com vocês e com o maravilhoso mundo por onde viajei”, disse então Hopper. “Este tem sido o meu lugar e minha escola. Eu amo a todos vocês. Só tenho a agradecer. Isto significa muito para mim, muito obrigado a todos”.

O seu médico, David Agus, informou em documentos judiciais que o ator pesava 45 quilos e era incapaz de manter diálogos longos, condições que ficaram evidentes durante a festa de entrega de sua estrela em Hollywood. No momento de sua morte, o ator atravessava um duro processo de divórcio com sua quinta esposa, Victoria, com quem estava casado há 14 anos e teve uma filha, hoje com sete anos.

O advogado do ator, Joseph Mannis, havia informado no final de março que Hopper estava na fase terminal do câncer de próstata e que não estava em condições de atender às exigências da ex-esposa, de quem se divorciou em janeiro de 2010, pouco depois de divulgar sua enfermidade e o tratamento de quimioterapia.

Nascido em 17 de maio de 1936 no Kansas, Hopper atuou pela primeira vez na televisão em 1955, ano em que estreou na grande tela com “Juventude Transviada” (“Rebel without a cause”). Voltou a atuar ao lado de James Dean no ano seguinte em “Gigante” (“Assim caminha a humanidade”), seguindo com papéis secundários fundamentais na televisão.

Em 1969, co-escreveu e dirigiu “Sem Destino”, onde também atuou e garantiu sua primeira indicação ao Oscar, pelo Melhor Roteiro. Por este longa-metragem obteve o prêmio de melhor estreia como diretor no Festival de Cannes. Depois de uma década marcada pelo alto consumo de álcool e drogas, durante a qual teve um notável papel em “Apocalypse Now” (1979), seguido de “O Selvagem da Motocicleta” (“Rumble Fish”- 1983) e “O casal Osterman” (“The Osterman Weekend” – 1983), o ator voltou a ganhar reconhecimento com “Veludo Azul” (“Blue Velvet”) e “Momentos Decisivos” (“Hoosiers”), ambos de 1986 , filme que valeu a ele uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Dos oitos longas-metragens que dirigiu destacam-se “As cores da violência” (“Colors” – 1988), “Atraída pelo Fogo” (“Catchfire”- 1990) e “Homeless” (2000). Longe de aposentar-se, nos últimos anos, o ator veterano ganhou papel principal na série de televisão “Crash” (2008 e 2009) e trabalhou em 2009 na comédia “The last film festival”, que vai estrear este ano.

Apesar de sua prolífica carreira cinematográfica ser geralmente mais conhecida, antes de filmar “Sem destino”, Hopper já havia feito suas primeiras incursões pela pintura, somando-se ao expressionismo abstrato e convertendo-se em colecionador de arte contemporânea americana, com obras de André Basquiat, Andy Warhol, Robert Rauschenberg e Roy Lichtenstein. Depois de um incêndio em 1961, que consumiu quase toda a sua produção, o artista voltou-se para a fotografia em preto e branco, retratando atores de Hollywood e também a nova geração de artistas pop.

De convicções republicanas, nas últimas eleições Hopper havia se pronunciado publicamente a favor do presidente democrata Barack Obama. Nas eleições anteriores, “votei em Bush, pai e filho, mas agora vou votar em Obama”, disse Hopper em outubro de 2008 durante a inauguração de uma exposição que o consagrou na Cinemateca Francesa de Paris, “Dennis Hopper e a nova Hollywood”. “Fui o primeiro republicano da minha família”, afirmou Hopper. “Mas admiro Thomas Jefferson, que redigiu nossa declaração de independência, e disse que, para que a democracia funcione, é necessário uma alternância política a cada vinte anos”, explicou.

Na ocasião, o artista foi também condecorado com a Ordem de Artes e Letras no grau de comendador. Hopper se casou cinco vezes e teve quatro filhos e duas netas.

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