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SELO: Da Organização Nacional dos Professores à Organização Nacional dos Pobres – Por António Zimila

O professor deve ter autoridade para poder ensinar e ser respeitado, mas para tal é necessário um investimento na sua pessoa e profissão. Convivermos numa sociedade selectiva, classificatória e opressora. É preciso engajarmo-nos social e politicamente na transformação das estruturas opressivas da sociedade para criarmos um ambiente de trabalho mais atraente para o professor.

Na década de 90, com a “abertura legislativa” e o aumento dos conflitos laborais nas empresas, surgiram vários sindicatos com vista a proteger e promover os direitos e interesses dos seus trabalhadores. A Organização Nacional dos Professores (ONP) surgiu neste contexto.

Teoricamente, a ONP sempre defendeu que uma das suas missões é a defesa e protecção dos interesses dos seus associados. Mas o drama que se vive, desde a sua criação aos dias que correm, é tão repugnante que num Estado de Direito deixaria de existir. Trata-se de uma organização concatenada à cor partidária, sendo obrigado todo o filiado a fazer parte desta tétrica agremiação, que nem os direitos básicos do decente consegue defender, o direito à saúde.

Por se tratar de uma organização exploratória, nenhum professor recusa pagar as cotas, porque caso contrário, ele é automaticamente excluído do cartão vermelho, com a máxima que diz: ‘‘Esse não é nosso’’.

O professor não reclama, porque até os directores das escolas e escolinhas se fazem de representantes ora do Governo, da ONP ou do partido, condiciona a livre expressão do docente, a partir da sua área de jurisdição.

Aqui no distrito de Chibuto, há tanta coisa que se pode falar sobre esta desorganizada e exploradora organização, que se intitula ‘‘porta-voz do professor’’. Mas não é de muita vergonha que aqui quero falar. Quero falar sobre a recente circular que gira pelas escolas de Chibuto, cujo teor é obrigar, tacitamente, ao professor a pagar duzentos meticais (200mt) supostamente para apoiar a realização do congresso nacional da ONP, a ter lugar ainda este ano.

Sabe-se que ninguém devia obrigado a filiar-se ao sindicato. Todavia, todos pertencemos a uma categoria, tanto que somos obrigados a contribuir anualmente.

O que preocupa ao professor é a apetitosa vontade da ONP de, nos momentos difíceis, apartar-se das suas responsabilidades, aparecendo só para fazer cobranças de dinheiro. De que adianta contribuir para pessoas que só querem encher os seus celeiros de dinheiro cavado no mar mais fundo?

Sou professor, o caro leitor é também professor. Juntos arregacemos as mangas e vamos exigir o nosso direito por sermos membros, à força, desta agremiação.

Se a ONP é por nós, que venha ao público renovar a sua imagem, melhorar a sua actuação de modo a defender com unhas e garras os direitos do professor, que sempre é espezinhado. Trabalhamos em condições precárias, com turmas superlotadas, sem casa, sem bata, sem subsídio de assistência médica e medicamentosa e exposto a vários problemas que o apoquentam.

O professor pede ainda que a ONP, enquanto representante da classe, fale com os governantes para que não exijam a bata sempre que se fizerem presentes em qualquer escola. Esta organização sabe que nunca se ofereceu uma bata sequer a alguns docentes. Em Chibuto o problema é mais grave.

Por António Zimila

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