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Crise no MDM tem com causas o modelo de gestão fomentado pelo presidente do partido

Dioníso Quelhas é conhecido intelectual moçambicano. Tem o título académico de Mestrado em Administração e Gestão de Empresas, concluído no ano 2000, numa parceria que envolveu o Instituto Superior Politécnico (ISPO) e o Instituto Superior Técnico de Lisboa (ISTL).

Licenciou em Economia em 1991, pela Universidade Nova de Lisboa. É docente universitário desde 1991 e já foi consultor da União Europeia (UE) em Angola e muito recentemente, durante um ano e meio, foi contratado como consultor sénior do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) na Guiné-Bissau.

Já foi deputado da Assembleia da República pela bancada da coligação Renamo-União Eleitoral. Afinal, foi ele quem coordenou os esforços na cidade e província de Maputo para a criação do MDM.

Por conseguinte, achamos uma peça importante para comentar a crise no MDM. Numa breve entrevista ao nosso jornal, Dionísio Quelhas comentou que a crise no MDM não tem como causa o pedido de demissão do Dr. Ismael Mussa, do cargo de Secretário Geral do Partido, tendo afirmado “a crise tem como causas o modelo de gestão fomentado pelo Presidente do Partido”.

É muito provável que muita gente não conheça o seu envolvimento com o MDM e ele próprio explica: “Apoiei na fundação do Partido e como. Eu é que coordenei os esforços na cidade e província de Maputo. Estavam os senhores Dr. Carlos Jeque, Dr. Benjamim Pequinino, Eng. Cuna, Dr. Gulamo Jafar Gulamo, Eng. Técnico Lutero Simango, Dr. Barnabe Nkomo e o senhor Agostinho Ussore”.

Num entretanto, Quelhas observa que tudo quanto era discutido nos encontros que mantinham em Maputo, algumas vezes em sua casa, os senhores Lutero, Ussore e Barnabe transmitiam a Beira, numa clara referência ao Daviz Simango que já era tido como o emblema do partido.

Dionísio Quelhas referiu na breve entrevista terem sido eles que desenharam os Estatutos, Programa, e Manifesto Eleitoral. “Não foram os ditos da revolução 28 de Agosto. Admiramos o seu papel na Munhava, Manga etc., mas no Maputo estávamos nós” – salientou.

Questionamos à ele, nos últimos tempos verifica-se certo afastamento da sua parte nas actividades do partido, tendo respondido peremptoriamente: “Não me afastei do partido, em Fevereiro de 2009 dei uma ronda a todas as capitais provinciais para ver a dinâmica do emergente MDM. No dia 26 de Fevereiro desloquei-me a Guiné- Bissau para cumprir um contrato profissional que acabava de celebrar com o Banco Africano de Desenvolvimento. O Daviz e os demais sabiam da minha ausência” – clarificou.

No entanto, lamentou talvez tenha sido por isso que de cabeça de lista que era no seu círculo eleitoral, Manica, sua terra natal, acabou sendo empurrado para o sétimo lugar. “De 1 à 6 e de 8 ao fim estavam os Eloys e vários simangos de perto e de longe” – revelou.

Sobre a carta supostamente subescrita pela “ala” intelectual do MDM e dirigida ao presidente do partido, alertando irregularidades na gestão do mesmo, o nosso entrevistado lamentou que tenha sido o próprio Daviz Simango a fazer circular a carta até cair nas mãos da imprensa, enquanto o aconselhável seria responder aos remetentes pela mesma via e ou convocar um encontro com os mesmos.

“Os problemas são resolvíveis e o diálogo é a via mais aconselhada” – defendeu, para quem nessa história toda quem pode ter saído a perder mais, além do partido, é o membro Agostinho Ussore que perdeu a oportunidade de ficar calado e continuar a beneficiar do estatuto de intelectual que alguns colegas partidários o emprestavam, tendo se precipitado à imprensa para se identificar com a ala boçal do partido.

Dionísio Quelhas concluiu afirmando que não há prazos para comentar a crise no MDM.

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