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Crianças mais vulneráveis a riscos ambientais

Uma série de artigos publicados, mês passado, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em Moçambique, apontam para uma série de ameaças a saúde e bem-estar da criança devido ao impacto de degradação ambiental e emergências que ocorrem no país.

Os artigos, intitulados “degradação ambiental e os efeitos de mudanças climáticas em Moçambique”, abordam questões relacionadas com a saúde, nutrição, e acesso das crianças a água e ao saneamento, tendo em conta as mudanças climáticas que já são uma realidade há 40 anos.

Um dos artigos cita o próximo relatório do UNICEF sobre Disparidades e Pobreza Infantil segundo o qual os desastres naturais afectam a saúde de crianças por as dificultar o acesso aos serviços de saúde.

Esta agência das Nações Unidas indica que ciclones e cheias, em particular, podem destruir infra-estruturas como estradas, tornando difícil ou mesmo impossível o fornecimento de material médico.

“As famílias desalojadas das suas casas devido as emergências são sempre incapazes de aceder aos cuidados de saúde ou continuar com o tratamento antes iniciado”, refere um dos artigos a que a AIM teve acesso.

Segundo o UNICEF, a segurança alimentar e nutricional em Moçambique estão fortemente ligados as condições ambientais. “Tanto as cheias como a seca causam enormes prejuízos agrícolas para os agregados familiares dependentes da agricultura de subsistência”, refere a pesquisa.

Estatísticas indicam que cerca de 70 por cento da população moçambicana vive da agricultura e essa actividade depende da chuva, situação que torna o país extremamente vulnerável ao frequente ‘stress’ associado a disponibilidade de água.

O artigo aponta como exemplo as secas registadas no Sul do país entre 2001-2002 que causaram perdas de cerca de um terço da colheita planificada, o que obrigou o Governo a recorrer a um pedido internacional para atender cerca de 650 mil pessoas que careciam de ajuda alimentar.

O UNICEF refere que o problema de segurança alimentar sempre obriga as famílias mais necessitadas a recorrer a mecanismos de sobrevivência que são prejudiciais para as crianças. Contudo, quando é assim, os efeitos da desnutrição nas crianças podem ser mais severos e duradoiros.

“As estratégias principais usadas pelos agregados familiares rurais com insegurança alimentar são a de consumir alimentos menos preferidos, reduzir o número de refeições e comer parte ou todas as reservas de sementes para a próxima campanha agrícola”, refere o artigo.

“Enquanto os adultos podem adaptar tais mudanças na sua dieta, os efeitos da mesma nas crianças são mais severos por causa das suas necessidades nutricionais específicas”, acrescenta o documento. Por outro lado, o ‘stress’ de água aumenta muitas ameaças à saúde.

Os problemas de saneamento são sempre agravados pelas condições ambientais como cheias e seca, com a primeira a provocar doenças associadas a água como tracoma. Outro risco à saúde associado ao acesso a água tem a ver com os altos níveis de cianeto que afecta a mandioca na época seca, problema que tem ocorrido no Norte de Moçambique.

De acordo com o estudo, a grande vulnerabilidade do país aos riscos ambientais está ligada a água, podendo ser muita ou insuficiente. Tanto as secas como as cheias podem ter efeitos devastadores para o acesso da criança a água potável e saneamento.

Os poços rasos que normalmente sustentam as comunidades secam na época seca, colocando uma pressão excessiva aos poços mais profundos que possam existir nas proximidades. Outro problema tem a ver com o facto de as cheias contaminarem a água potável, especialmente em áreas com graves problemas de saneamento.

As frágeis infra-estruturas de abastecimento de água e de saneamento são vulneráveis as cheias e ciclones e áreas com problemas de drenagem podem agravar os riscos de cólera bem como criam viveiros para os mosquitos causadores da malária e outras doenças.

“As crianças são particularmente vulneráveis a doenças relacionadas ao saneamento por causa da sua fisiologia e devido ao seu comportamento que sempre as coloca num grande contacto com água contaminada”, sublinha o documento.

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