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Cresce o índice de criminalidade na África do Sul

Depois de alguns anos de uma ligeira redução dos índices de criminalidade, está a crescer o número de assassinatos, assaltos a mão-armada e violações sexuais, segundo a estatística publicada esta quinta-feira (19) pelo ministro da Polícia e pela Comissária Nacional da Coorporação, Nathi Mthethwa e Riah Phieyega, respectivamente.

Em nove anos, o número de assassinatos aumentou na ordem dos 0.6 porcento. De 2012 a Abril do presente ano houve uma média de 45 assassinatos por dia, num país com cerca de 52 milhões de habitantes. E um total de 16.259 pessoas foram assassinadas durante este periodo, destacou o Ministro da Polícia, Nathi Mthethwa.

A África do Sul ganhou, assim, a má reputação ao ser considerado um dos países mais violentos a nível mundial. Assassinatos, assaltos à mão-armada e violações sexuais são reportados diariamente em várias comunidades deste país. Esta triste imagem foi piorada pelo assassinato, pela Polícia, de cerca de 34 mineiros em Marikana, a 16 de Agosto de 2012, e pelo assassinato de Reeva Steenkamp, pelo seu namorado, o atléta para-olímpico Oscar Pistorius.

Entretanto, os números divulgados esta quinta-feira pela Polícia sul-africana (SAPS) mostram, também, o aumento de crimes relaccionados com o tráfico e consumo de drogas, que subiram em cerca de 13.5 porcento.

A Comissária Nacional da Polícia, Riah Phiyega, responsabilizou pelo aumento do crime a generalizada violência da sociedade bem como o elevado índice de consumo do alcóol, drogas e o desemprego. Dentre quatro sul-africanos um é desempregado, mesmo que o país seja considerado um dos mais ricos a nível do continente.

Phiyega destacou, também, o facto de os crescentes protestos e levantamentos populares por melhores condições de salário e de vida estarem a lapidar os recursos policiais.

Segundo dados da Polícia, o país registou cerca de cinco protestos violentos num só dia, no ano passado. E registou-se, até aqui, cerca de 1.882 manifestações.

As estatísticas versam, igualmente, sobre o crescente número de ricos que vivem em casas “blindadas” por todo tipo de dispositivos de segurança, desde grades electricas a guardas pertecentes a companhias de segurança privada que usam armas automáticas. Entretanto, grande parte da classe pobre, a negra neste caso, é a mais afectada pela falta de condições para a sua protecção, cujos últimos números foram apresentados pelo maior partido da oposição, a Aliança Democrática (DA), a poucos meses da realização das eleições gerais agendadas para Abril de 2014.

“Os Serviços sul-africanos da Polícia (SAPS), falharam ao não conseguirem uma vitória na luta contra o crime,” avançou Dianne Kohler-Barnard, ministro Sombra da Polícia.

O partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC), deverá tentar resgatar a sua imagem, depois das crescentes acusações de que o seu Governo terá perdido a luta contra o crime. No entanto,  terá sido um sucesso a redução do índice de violacções sexuais e assaltos comuns. As ofensas sexuais e violacções baixaram em cerca de 0.4%.

Gareth Newham, analista do Instituto dos Estudos de Segurança em Pretória, disse que o aumento do número de crimes sérios se deve à crise no seio da Unidade de Inteligência da Polícia. Em 2012, o chefe da Unidade, Richard Mdluli, foi suspenso depois de ter sido acusado de assassinato e de fraude.

“Se tens uma boa Unidade de Inteligência, poderás, facilmente, identificar os involvidos e os levar à barra da justiça”, defendeu Newham. “Se os roubos a empresas, residências e aos carros está a aumentar, este tipo de crime é um sinal claro de que a Polícia não faz o bom uso dos serviços de inteligência para fazer patrulhas e desmantelar este tipo de operações nas ruas,” acrescentou.

Paralelamente a estes dados, a confiança popular quanto à Polícia desceu consideravelemente. Muitos sul-africanos alegam que a coorporação tem gradualmente exigido subornos. No último mês, a Comissária Nacional da Polícia, Riah Phiyega, foi forçada a retirar a sua escolha de um agente para o cargo de Comandante da Polícia de Gauteng (cidades de Joanesburgo e Pretória) depois da descoberta de registos criminais contra o mesmo, com destaque para as acusações de condução sob o efeito de alcóol.

No presente mês, o jornal Sunday Times, reportou que o antigo ajudante de Phiyega, Makhosini Nkosi, estava a dirrigir um prostíbulo clandestino. “Liderança pobre tem as suas consequências, uma delas a confiança popular,” destacou Gareth Newham, analista do Instituto dos Estudos de Segurança em Pretória, acrescentando que se os cidadãos não confiam na Polícia, eles não iriam reportar grande parte dos crimes, dai que muita coisa faltou no relatorio ora divulgado.

 

Milton Maluleque

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