Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Coordenador da Rádio Comunitária Catandica em Báruè vai a julgamento esta quinta-feira

O coordenador e Jornalista da Rádio Comunitária Catandica em Báruè, na província central de Manica, John Chekwa, vai ser julgado, a partir desta quinta-feira (21), pelo Tribunal Judicial de Báruè, acusado de crime de difamação no caso das “sementes que não germinam”, distribuídas a um grupo de mais de 60 camponeses pela empresa Nzara Yapera e pelo Serviço Distrital das Actividades Económicas (SDAE) locais. A sessão terá início pelas 09 horas.

No dia 23 de Janeiro de 2012, a Rádio Catandica divulgou uma notícia que dava conta de que um grupo de mais de 60 camponeses da localidade de Inhazónia, naquele distrito, recebeu, da Nzara Yapera, duas toneladas e meia de semente de milho supostamente deteriorada, que depois de lançada à terra germinou parcialmente, tendo trazido prejuízos para os agricultores.

A partir desse momento, instalou-se um braço-de-ferro entre os camponeses e a firma Nzara Yapera, representada por Peter Waziweyi. Este, por sua vez, processou criminalmente o jornalista John Chekwa, acusando-o de difamação. Na sequência, em Maio de 2012, a Procuradoria Distrital de Báruè lavrou o processo número 263/12, contra o articulista os agrários. O processo levou muito tempo para ser julgado, o que gerou muitas especulações em torno do seu andamento. Aliás, a lentidão com que foi tramitado fez os camponeses suspeitarem que alguém tivesse o interesse de obrigá-los a pagar uma semente que depois de lançada à terra só trouxe prejuízos.

Camponeses recusaram pagar uma semente podre

Pela aquisição da referida semente, ora na origem da discórdia, os camponeses deviam desembolsar noventa e cinco mil de meticais (95.000Mt) provenientes do crédito agrário. Insatisfeitos com o problema, que, de certo modo, comprometia as suas metas de produção, os mesmos, num acto fracassado, convidaram a fornecedora para se inteirar, in loco, da situação nas suas machambas.

Como recurso eles colocaram o SDAE a par do problema. Colhidas 100 gramas de amostra da mesma semente concluiu-se que ela germinava abaixo de 50 por cento. Na altura, a empresa Semente Nzara Yapera, representada pelo agente económico Peter Waziweyi, ficou insatisfeita com o resultado do teste. Dirigiu-se ao SDAE para junto do mesmo tirar satisfações.

A firma mandou, por sua vez, examinar a mesma semente, tendo sido indicada que germinava 93 por cento, prova com a qual Peter Waziweyi levantou um processo-crime contra os mais de 60 camponeses e a Rádio Catandica, esta por divulgar a notícia sobre a “semente que não germina”, na circunstância considerada difamadora.

Um certificado de lote adulterado

Na altura, os visados do processo-crime estranharam o facto de o certificado de lote exarado pelo Departamento de Sementes do Ministério da Agricultura ter sido assinado a 16 de Janeiro de 2012, enquanto as amostras foram colhidas e submetidas ao laboratório a 30 de Janeiro do mesmo ano.

O porta-voz e presidente da Associação dos Camponeses em Báruè, Tariro Murimi, questionou como é que Manuel César Bacicolo, responsável do laboratório, assinou o certificado numa data diferente da que as sementes foram examinadas e o porquê da lentidão no processo 263/12.

Entretanto, o Procurador Distrital de Báruè disse, em conversa com jornalistas, que no processo em alusão os camponeses não têm prova de que a semente não germinou. Tariro Murimi desvalorizou os pronunciamentos do magistrado e justificou que a empresa Semente Nzara Yapera fez os camponeses perderem seu tempo e recursos com a sementeira daquele milho.

Constantemente receberam notificações que chegaram a significar intimidação, segundo descreveram na altura.

Refira-se que Nzara Yapera significa a fome acabou, mas os camponeses disseram que eram obrigados a fazer biscates para poder sustentar as suas famílias.

Por que é que as Sementes não germinaram

O Jornal @Verdade contactou, telefonicamente, a partir de Maputo, Peter Waziweyi, por sinal director-geral da empresa envolvida no problema. Narrou que a semente repartida pelos camponeses pertence a uma outra distribuidora, da qual a Nzara Yapera estava a prestar serviço.

Questionado por que é que um grupo significativo de camponeses se uniria para alegar que a semente não germinou enquanto sucedeu o contrário, Waziweyi respondeu: “há vários motivos para não germinar, dentre eles a falta de humidade, contaminação da terra pelos insectos, calor intenso”. O interlocutor disse também que “havia condições para aquela semente não germinar. Estávamos no mês de calor intenso”.

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!