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Continua a faltar comida no país!

Continua a faltar comida no país!

Insegurança alimentar atinge 350 mil pessoas ao mesmo tempo que novas bolsas de fome não param de surgir pelo país fora, segundo o balanço sobre a ronda do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) efectuada em 121 distritos de Fevereiro a Agosto deste ano.

Para se afirmar que numa casa existe segurança alimentar é preciso que os seus ocupantes não vivam com fome ou sob o medo de inanição, uma realidade estranha para muitas familias moçambicanas, sempre assoladas pela constante falta de disponibilidade e acesso aos alimentos.

Para já, a nível nacional, a região norte continua normal em relação ao centro e sul, dado ao facto de as campanhas agrícolas terem sido melhores. No norte encontraram-se mais famílias com reservas alimentares que vão até 12 meses, ao passo que no centro foi difícil devido, em grande parte, a subida galopante do preço de milho em alguns pontos.

Por exemplo, em Gondola, província de Manica o cereal chegou a atingir a fasquia dos 200 e 500 porcento em Chinde na Zambézia. Das análises da ronda consta que cerca de 456 mil pessoas encontram-se em situação de Insegurança alimentar Nutricional (InSAN) extrema em todo o país, o que exigiu a recomendação de assistência alimentar imediata, distribuição de água para o consumo, aquisição de pacotes de suplementação nutricional para algumas unidades sanitárias, expansão das intervenções de assistência social e a distribuição de insumos de produção incluindo motobombas.

Regra geral, a situação de reservas alimentares na zona norte vai até seis meses, ao passo que no centro e sul apenas três. Em termos de consumo, dos distritos visitados em Tete e Manica, descobriu-se que 50 a 60% das famílias apresentaram níveis de consumo pobre. Noutras províncias, a maior parte dos agregados familiares tem um consumo alimentar adequado, porém ainda existe uma parte da população (menor que cinco porcento) vítima de suprimentos inadequados de vitaminas, principalmente em Inhambane e Zambézia.

Depois de Nampula, Gaza foi a província que registou melhores níveis de consumo alimentar, graças igualmente aos bons resultados obtidos no campo agrícola garantidos por um bom período chuvoso. Peixe seco aumentou encarecimento O valor da cesta básica mínima para uma família composta por 5 membros subiu em todas as províncias visitadas pela ronda do SETSAN. Mais de 30% são para Maputo e Cabo Delgado. Em Junho de 2010, os valores da cesta oscilaram entre 2,327 meticais em Inhambane e 5,258 meticais em Cabo Delgado.

O peixe seco foi o alimento que teve maior peso para o encarecimento da cesta. Refi ra-se, que os aumentos superiores a 30% consideram-se uma ameaça para a segurança alimentar, pois limitam o acesso aos alimentos básicos, em particular das familias mais pobres e de baixa renda.

Das recomendações do balanço, importa sublinhar a menção sobre o apelo que se faz ao governo no sentido de até as próximas colheitas garantir-se uma assistência humanitária para as 350 mil pessoas em situação de Insegurança Alimentar Nutricional, assim como para os agregados familiares mais pobres.

Para Dezembro deste ano, recomenda- se uma monitoria do estado de Segurança Alimentar Nutritiva, que irá incidir na situação meteorológica; preços de alimentos básicos, preços de animais e os níveis de assistência humanitária.

Influência das chuvas

A época chuvosa 2009/ 10 foi caracterizada por variações na intensidade e regularidade das chuvas em todo país, embora na zona norte tenha iniciado atempadamente e com boa distribuição. Além de fracas e não se terem registado em Dezembro e Janeiro, as chuvas na região centro iniciaram tarde. No sul houve um início tardio, seguido por um período de chuvas irregulares e muito fracas, acompanhadas por temperaturas elevadas, além da seca e estiagem que afectou 61 distritos de sete províncias do país, colocando em risco a produção agrícola.

Segundo a Folha de Balanço Alimentar do Ministério da Industria e Comércio (MIC), o fenómeno da seca e estiagem resultou numa perda acima de 60% de culturas diversas em 11 distritos. Entre 20 a 60% em 29 distritos e até 20% em 15 distritos respectivamente.. Disponibilidade de cereais O documento do MIC refere que as disponibilidades totais de cereais para o presente ano são de 3.028 mil toneladas métricas, mas as necessidades são de 3.521 mil. Há um defi cit nos cereais calculado em 493 mil toneladas métricas.

As reservas de milho disponíveis apresentam um excedente de 107 mil toneladas. Na região norte, a disponibilidade total de cereais para o presente ano é de 1.139 mil toneladas métricas e as necessidades totais para o consumo são de 870 mil, verifi cando- se um excedente de 269 mil.

No centro o total de cereais disponiveis para 2010 é de 1.533 mil toneladas métricas e as necessidades para o consumo são de 1.606 mil. Há um défice de 73 mil. A região sul, apresenta uma disponibilidade total de cereais calculadas em 375 mil toneladas métricas e o que se precisa para o consumo são 1.034 mil. Há um défi ce de 659 mil em cereais.

Com base nestas projecções, a região norte apresenta excedentes de 269 mil toneladas enquanto as regiões centro e sul apresentam défice em relação a existência e às necessidades de consumo, um facto que remete para a necessidade da intensifi cação e comercialização dos excedentes de produtos alimentares produzidos pelos camponeses, assim como o armazenamento dos excedentes para fazer face às necessidades futuras.

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