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Contaminar conjuga-se no masculino

Os maus hábitos alimentares e o uso ineficiente do transporte fazem com que os homens provoquem mais emissões do contaminante dióxido de carbono do que as mulheres.

A desigualdade de género em detrimento da mulher é bem conhecida e documentada. O que não se sabe tanto é que o comportamento masculino também é o maior responsável pela emissão de gases causadores do efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta. A essa conclusão chegaram dois estudos independentes desenvolvidos por cientistas europeus separadamente, ambos baseados em dados estatísticos sobre o consumo e as actividades quotidianas de homens e mulheres em países industrializados.

Frédéric Chomé, consultor francês para questões ambientais e de desenvolvimento sustentável, afirmou que uma mulher francesa típica provoca a emissão de 32,3 quilos de dióxido de carbono (CO²) por dia, em média, enquanto um homem no mesmo período é responsável por 39,3 quilos. “As estimativas têm como base um estudo das actividades humanas dividido por género, realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Económicos da França”, explicou Frédéric ao Terramérica.

“Embora o nosso método de cálculo ainda seja muito aproximado, creio que o resultado é um bom indicador das diferenças de poluição ambiental derivadas do comportamento diferente entre homens e mulheres”, acrescentou o autor do estudo “23 Heures Chrono: Votre Bilan Carbone” (24 Horas Exactas: A Sua Conta Pessoal de Carbono). A conclusões semelhantes chegaram a sueca Annika Carlsson-Kanyama e a finlandesa Riita Räty numa pesquisa sobre os comportamentos de homens e mulheres em dez actividades quotidianas na Alemanha, Grécia, Noruega e Suécia.

“Os homens consomem mais carne e bebidas processadas do que as mulheres, além de utilizarem com mais frequência o automóvel e conduzirem por distâncias mais longas. Isso leva-os a emitirem maior quantidade de CO²”, diz o estudo “Comparing Energy Use by Gender, Age and Income in Some European Countries” (Comparação do Uso de Energia por Género, Idade e Renda em Alguns Países Europeus).

Comentando os dois trabalhos, Corinna Altenburg e Fritz Reusswig, do Instituto de Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático (Alemanha), avaliaram que alguns dos hábitos mais poluentes atribuídos à população masculina são motivados pelos papéis que eles cumprem na sociedade.

“No transporte, por exemplo, fazem muitas viagens de avião e automóvel, o que aumenta consideravelmente a pegada ecológica dos homens”, explicaram Corinna e Fritz. Este desequilíbrio pode ser compensado “na medida em que a igualdade de oportunidades profissionais permitirem que a mulher suba na escala profissional e os homens assumam mais tarefas domésticas”, afirmaram.

Por outro lado, as diferenças na alimentação são determinantes por género. “Os homens tendem a comer mais carne e as mulheres mais frutas e vegetais, hábitos difíceis de serem combatidos”, acrescentaram.

Corinna e Fritz sugerem que uma política voltada para a redução das emissões masculinas deve orientar-se tanto para objectivos ambientais como para temas de desenvolvimento urbano, tradições profissionais e costumes arraigados.

“A meta em alimentação deveria ser trocar quantidade por qualidade. Ao diminuir o consumo de carne consegue-se reduzir a produção em massa e, assim, baixar as emissões de CO² emitidas pelos animais, por exemplo”, ressaltaram.

A culpa dos homens

Frédéric comprovou que na França, apenas devido aos hábitos alimentícios, um homem é responsável pela emissão de 7,98 quilos de CO² por dia, enquanto uma mulher emite 6,79 quilos. O cientista estimou diferenças semelhantes de género em praticamente todas as 11 actividades analisadas.

No único caso em que as mulheres provocam maiores emissões desse gás-estufa é quando realizam tarefas tradicionais em casa, como lavar, cozinhar, limpar a casa e passar a roupa, segundo o estudo divulgado no dia 24 de Novembro.

Por seu turno, Annika explicou que a pesquisa feita com Riita apresentou como resultado que, além das diferenças substanciais entre género em transporte a e alimentação, o consumo de álcool e tabaco são dois factores que aumentam as emissões sobre as quais os homens são muito mais responsáveis.

“Para o estudo, examinamos o uso total de energia por família nos quatro países e depois diferenciamos os consumos individuais entre homens e mulheres por actividade”, explicou.

A actividade mais importante pelas suas consequências ambientais é o transporte, disse Annika. “Só neste item, os homens consomem entre 70% e 80% mais energia do que as mulheres na Alemanha e na Noruega, 100% a mais na Suécia e até 350% na Grécia”, acrescentou.

Isto explica-se pela utilização muito mais intensiva de automóveis individualmente por parte deles, o que representa um consumo maior de combustível e peças de reposição, bem como mais consertos.

“Estas diferenças não são específicas dos quatro países analisados, sendo generalizadas em toda a União Europeia (UE), e têm pouco a ver com as diferentes actividades profissionais entre homens e mulheres”, disse Annika.

As mulheres na UE tendem a fazer viagens mais curtas de carro, utilizar mais vezes o transporte público e concebem seus trajectos em função das necessidades de transporte de outras pessoas. Em geral, o estudo publicado em Agosto de 2009 pela UE e por Riita mostra que os homens consomem muito mais energia do que as mulheres. As diferenças vão desde 8% na Alemanha, passando por 6% na Noruega, até 22% na Suécia e 39% na Grécia.

Como outros estudos anteriores, o destas pesquisadoras também conclui que o consumo de energia aumenta na medida em que cresce o nível de renda das famílias, e com isso também aumentam as emissões de CO² e a sua contribuição individual para a mudança climática.

Segundo Annika, as descobertas das duas pesquisas sugerem que os governos europeus devem focar os seus esforços de redução de emissão de gases-estufa em convencer a população masculina a mudar os seus hábitos de transporte e alimentação, para aumentar a sua eficiência no consumo de energia nessas actividades.

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