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Conselho Municipal “ataca” problema de transportes na cidade de Maputo

O Conselho Municipal de Maputo está neste momento a fazer várias abordagens para fazer face ao congestionamento de tráfego, resultante do crescimento do parque automóvel, o que provoca graves problemas de entradas e saídas, bem como de circulação de viaturas ao nível da cidade. O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simango, disse à AIM que a edilidade está a estimular o surgimento de parques de estacionamento, e neste momento, há intervenções do sector privado na construção de silos para resolver o problema de estacionamento.

Relativamente à circulação de viaturas, que é bastante complicada em algumas horas do dia, Simango referiu que, num passado recente, houve uma decisão de transformar algumas vias para passarem a ser de sentido único, estando neste momento em curso um estudo para verificar se é preciso alargar mais ou não esta metodologia. A outra medida que está em curso diz respeito a intervenções com vista a melhorar as entradas e saídas ao nível da cidade, tendo sido identificadas duas zonas críticas, uma em direcção a Marracuene, norte de Maputo, e a outra em direcção à Matola.

“Estamos a identificar intervenções que precisamos de fazer nestes dois eixos e, em relação à Matola, já identificamos uma avenida, na Praça 16 de Junho, que passa pela antiga Pousada dos Caminhos de Ferro de Moçambique ou da antiga CIFEL, ali por baixo. É uma via que estamos a trabalhar para abrir e que pode ajudar na entrada e saída da cidade”, considerou o edil de Maputo. Afirmou ainda que a intervenção que está a ser feita na Av. Joaquim Chissano até ao nó da Machava também visa ajudar a escoar o tráfego em direcção à Matola e Machava, sendo que em direcção ao norte, começando pelo Bairro do Jardim, há uma via que passa atrás do Bairro 25 de Junho paralela à vala de drenagem do Infulene.

De igual modo, vai se fazer uma intervenção, no âmbito da reabilitação da Estrada Nacional número um, no troço Jardim-Benfica. “Mas há uma outra via, que se chama Rua da Paz, que parte da zona de Nsaleni ou 25 de Junho, que passa praticamente colada à vedação do aeroporto e vai até à Lurdes Mutola. É uma via que foi identificada para ser melhorada, mesmo que seja em terra batida”, sublinhou David Simango.

Outras vias estratégicas são, por exemplo, a Dom Alexandre, que vai dar à Marracuene, estando um consultor a trabalhar nesse projecto. Espera-se que seja uma via que fure em direcção ao norte da cidade, sempre encostada ao mar, até Marracuene. Existem ainda as vias internas, entre as quais a Dona Alice, que do ponto onde parou agora, poderá ser estendida até à Av. Julius Nyerere, mais concretamente até ao fim do muro da actual lixeira. David Simango disse que “se nós fizermos isso, a Dona Alice pode escoar o movimento da marginal até Julius Nyerere e, a partir daqui, as pessoas apanham a Lurdes Mutola, e se tivermos a Dom Alexandre também em condições, melhor ainda, porque isso ajuda muito no escoamento do tráfego”.

“Nós estamos a falar de acesso no sentido de entrada, mas o problema também se coloca em termos de saída, sendo por isso que com a Matola estamos, igualmente, a estudar uma outra via para sair da Estrada Nacional Número quatro – EN4 (que vem da África do Sul) para a Estrada Nacional Número Um – EN1, sem ter que entrar na cidade de Maputo”, explicou o Presidente do Conselho Municipal. O que se pretende é encontrar um corte que possa sair depois do Zimpeto, possivelmente em Marracuene, o que fará com que, por exemplo, os camiões que quiserem ir ao centro, norte ou mesmo sul de Moçambique, não tenham, forçosamente de entrar na cidade de Maputo, como acontece actualmente.

“O desafio que temos é de conseguirmos fazer isso nos próximos três ou quatro anos”, sublinhou David Simango, esclarecendo que a outra estratégia que está sendo preconizada visa a montagem de pontes aéreas em alguns pontos estratégicos, para resolver o problema do fluxo de trânsito. Um dos pontos identificados é a Praça 16 de Junho, onde poderá, eventualmente, ser construída uma ponte aérea, que vai escoar o movimento (trânsito) tanto para a Av. 24 de Julho como para a Av. OUA.

Segundo o edil de Maputo, “há um conjunto de medidas preconizadas, que combinadas, podem contribuir para fazer face ao congestionamento, e, para além disso, existe também a questão relativa à introdução do transporte de maior capacidade, em vez do chapa de menor capacidade”. Simango referiu que se houver um sistema de transporte público confiável, as pessoas podem até deixar de usar os seus carros durante o meio da semana e utilizar o transporte público, e se actualmente não o fazem é porque este não é confiável.

Uma outra estratégia, segundo ele, é a de combinar o transporte rodoviário com o transporte ferroviário, tendo sido já introduzidos comboios que fazem Maputo- Marracuene, Maputo-Ressano Garcia e Maputo-Chókwè, utilizando as automotoras, igualmente, como uma forma de dar resposta à procura de transporte. Simango anunciou que, nos próximos tempos, “vamos introduzir táxis ou ferries que vão circular na nossa baía de Maputo e Matola, neste nosso esforço de combinar várias soluções, pois, acreditamos que elas vão produzir um impacto positivo”.

Aliás, este projecto já havia sido anunciado, em 2008, pelo Ministro moçambicano dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, pouco depois dos protestos populares de 05 de Fevereiro, contra a subida de tarifas de transportes semi-colectivos de passageiros. PLANOS PARCIAIS Entretanto, o Conselho Municipal tem neste momento seis Planos Parciais de Urbanização em elaboração, num esforço destinado a dar resposta à grande procura que existe no acesso à terra neste município, incluindo a Catembe, onde, nos próximos tempos, vão ser demarcados e atribuídos mais de 8.000 talhões.

De acordo com o Presidente do Conselho Municipal, este município tem vindo a crescer em duas direcções, uma na zona de cimento e a outra na zona suburbana, para além do aproveitamento das zonas da marginal e do aterro do Maxaquene. Na zona de cimento, o crescimento, em geral, é em altura, consistindo essencialmente no aproveitamento dos espaços ainda disponíveis e no recondicionamento dos antigos, donde são removidas antigas moradias para a construção de prédios em altura.

Segundo o edil de Maputo, na área suburbana existem as zonas de expansão propriamente ditas e os chamados bairros históricos, que estão muito próximos da zona de cimento e que começam a sentir pressão por se estar a construir em altura. Simango realçou que “o que estamos a fazer para responder à grande procura no acesso à terra nas zonas novas, é aquilo que chamamos de Planos Parciais de Urbanização e, presentemente, temos seis planos de urbanização que estão a ser elaborados, em particular no Distrito Urbano nº 4, que vão permitir a regularização das actuais ocupações e abrir espaços para novos talhões, que vão dar lugar a novas atribuições”.

O Conselho Municipal está também a fazer parcelamentos, sobretudo na Catembe, uma zona muito requerida nos últimos tempos, pois, “quando as pessoas ouviram falar que vai haver ponte, o apetite pela Catembe aumentou muito”. Simango frisou que para responder a esta pressão, “há uma nova frente na Catembe, e espero que nos próximos dois ou três meses possamos começar a responder a uma parte dos pedidos de ocupação de terra para essas zonas, fora, naturalmente, das intervenções que foram feitas antes, em que foram demarcados 2.500 talhões e agora na Catembe vamos dar mais de 8.000 talhões”.

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