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Comunidade internacional critica eleições na Birmânia

Na Birmânia já se contam os votos nas primeiras eleições gerais em duas décadas, prevendo-se contudo uma vitória clara para os líderes militares birmaneses e para os seus candidatos. Os primeiros resultados oficiais a serem publicados sugerem ganhos para os partidos com ligações ao governo militar. O pleito ficou marcado pelos obstáculos administrativos colocados a oposição e por relatos de irregularidades e de uma elevada abstenção, gerando um coro de críticas internacionais, liderado pelos Estados Unidos.

Em declarações proferidas diante de estudantes em Bombaím, na vizinha Índia, onde se encontra de visita, o presidente norte-americano Barack Obama afirmou que os birmaneses estavam a ser negados aos birmaneses direitos fundamentais: “As eleições que estão a ter lugar na Birmânia são tudo menos livres e justas, com base nos relatos que estamos a ouvir. Há muito que o povo da Birmânia vê negado o direito de determinar o seu próprio destino”, disse Obama.

“Portanto, sem querer impôr nenhum tipo de governo a outros países, nós, em especial os jovens, devemos sempre promover os direitos humanos que são universais e um direitos de que todos devem ter para decidir sobre o seu próprio futuro” acrescentou o presidente.

À BBC chegaram testemunhos de vários eleitores que falam de intimidação, em especial sobre funcionários públicos, que receberam instruções sobre em quem votar: Na localide de Bogalay um desses eleitores explicou que era quase impossível fugir ao escrutínio do USDP, o partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, no poder: “O USDP e as autoridades locais estão a vigiar-nos. Eles vêm tudo. Não podemos votar em liberdade”, disse.

Outro eleitor na localidade de Taunggyi disse que ao exercer o seu direito de voto estava a tentar lutar contra a fraude, mas que nem todos tinham a mesma possibilidade por serem obrigados a votar com antecedência: “As pessoas suspeitam que o governo tenha aprovado o referendo de 2008 para ficar com os votos daqueles que decidem não ir às urnas votar. Portanto nós decidimos votar para evitar que o governo fizesse batota”, disse. “Nas urnas não há fraude porque o governo já a cometeu antes ao captar votos com antecedência. Outro problema é a pressão que está a ser colocada sobre enfermeiras e médicos que são obrigados a votar à frente dos directores dos hospitais. É uma situação embaraçosa para os eleitores”, explicou o eleitor.

A maioria dos partidos que concorrem a estas eleições representam grupos etnicos minoritários, que compõem cerca de 40 por cento da população do país. A votação está a ser descrita como um teste à forma como a Junta Militar no poder se relaciona com estas minorias, muitas das quais possuem as suas próprias facções armadas e estão envolvidas num conflito que se arrasta há 60 anos depois da Birmânia se tornar independente da Grã-Bretanha.

A votação foi cancelada em milhares de assembleias de voto onde o governo disse que a situação é demasiado “volátil”. Tanto no parlamento como nas assembleias regionais, 40 por cento dos assentos estão reservados para os militares. Analistas dizem que é possível que após as eleições se siga uma campanha contra os grupos armados que se recusam a depôr as armas.

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