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SELo: Comentário sobre eleições em Quelimane – escrito por Uaranligane de Quelimane

Caríssimos leitores, jornalistas, juristas e população leitora em geral

Tenho estado a escutar atentamente os debates sobre as 4ªs eleições autárquicas realizadas a 20 de Novembro de 2013 em 53 vilas e cidades moçambicanas eleitas por lei para tal.

Antes de aprofundar o meu olhar atento deixe me realçar que tenho como referências nesta minha abordagem os comentários dos populares da cidade de Quelimane, cidade onde resido e aos programas café da manha da Rádio Moçambique do jornalista Emílio Manhique, os pontos de Vista Da STV do jornalista Jeremias Langa, dos debates ao longo do telejornal da TVM e também as redes Sociais principalmente ao Face book.

Não sou entendido sobre a legislação eleitoral, nem em direito aliás sou formado em ensino de Biologia mas isso não me tira o privilégio de poder comentar este facto por isso peço as minhas antecipadas desculpas se porventura nos meus comentários atropelar a lei eleitoral, civil, criminal e se ofender aos partidos políticos, não é essa a minha intenção.

Tem se comentado sobretudo os resultados da cidade de Quelimane que segundo um dos convidados do Telejornal da televisão de Moçambique que por sinal é um advogado o senhor Gustavo Mavie dizia e passo a citar “ os munícipes de Quelimane e Beira escolheram em não desenvolvimento” fim da citação. Quero aproveitar esta declaração para iniciar o meu olhar atento (os meus comentários). A autartização em Moçambique iniciou em 2008 e a cidade de Quelimane participou nestas eleições com uma vitória esmagadora do candidato da Frelimo o então edil Augusto Pio Matos.

Como disse na introdução não sou bom nas análises políticas mas penso que a autartização de Moçambique surgiu para dar a aquilo que eu ia chamar de descongestionar o governo central no desenvolvimento das cidades e vilas, ou seja com as lideranças locais viria um desenvolvimento acentuado em vês de ficar a espera unicamente do governo central que quanto a mim tem muito a fazer. Se esta minha análise for a certa então deixe me dizer que a cidade de Quelimane continuou a depender em 100% do governo central o que de acordo com alguns populares não valeu a pena ter Quelimane como cidade autárquica.

Aconteceu isto no primeiro, e metade do 2º mandato altura em que o Augusto Pio Matos era obrigado a deixar o puder no município, que segundo fontes populares e políticas locais esta obrigação surge numa altura em que o edil não colaborava com instituições centrais do governo nomeadamente na gestão dos fundos municipais.

Com muito poucas realizações para o desenvolvimento da cidade de Quelimane, com ruas esburacadas, lixo a solta, criminalidade, insuficiência de água potável e deficiente funcionamento das valas de drenagem aliás já se dizia que estas já estavam obsoletas Pio Matos deixava o puder. Em excepção as estradas suburbanas que ele abriu com muito sucesso que localmente se chamam de estradas bauladas. E ao mesmo que isso acontecia, começava e agudizava se o mau relacionamento entre a população de Quelimane e os dirigentes do Munícipes mandatados pelo povo da cidade de Quelimane para acelerar o seu desenvolvimento.

NOVA ERA

Com a renúncia de Augusto Pio Matos já se adivinhava uma nova era para os munícipes de Quelimane “ se nós votamos em massa em Pio Matos e eles obrigaram-no a sair então não podemos colaborar com qualquer que vier do lado deles” este sentimento soava com muita força nos bares, nas bancadas de jogos de futebol, nas escolas principalmente as superiores e em muitos outros lugares.

E ao mesmo tempo que isso se ouvia, se candidatava o DR Manuel de Araújo um filho que mesmo antes de ser famoso na politica já se ouvia que tinha feito algumas obras de caridade e outras impedidas de o fazer, por exemplo fala se de uma escola construída e oferecida a comunidade de Licuar por ele e tentativa da reabilitação da estrada Quelimane – Praia de Zalala onde se localiza o Zambézia beach Lodje seu empreendimento. Portanto o povo via nele uma esperança para resgatar Quelimane do sofrimento, dai a vitória esmagadora nas eleições intercalares, como puderam se aperceber ele concorreu sozinho portanto o povo votou nele e não em MDM e para a felicidade dos munícipes de Quelimane foi neste período 18 meses que Quelimane se beneficia da construção de valas de drenagem, reabilitação das ruas da capital da Zambézia, colocação de pave em 5 estradas e colocação de 5 semáforos pela primeira vez em 38 anos da independência nacional. Felicidade total.

Com a descoberta do DR Manuel de Araújo está declarado de uma vês por todas o divórcio entre os candidatos ao município de Quelimane a todos aqueles que provenham do partido Frelimo, divórcio que se consolidou na medida em que a esperança do povo de Quelimane soube enquadrar rapidamente e com muita inteligência as fraquezas da Frelimo em Quelimane nas suas intervenções ao longo da campanha eleitoral.

Foi notório ouvir insistentemente ao Araújo intervenções como estas: “ se eles é que trouxeram as valas de drenagem porque é que não o fizeram há muito tempo?” em resposta aquilo que o candidato da Frelimo dizia aos seus apoiantes que eles é que construíram as valas de drenagem na cidade de Quelimane, ora é impensável para os munícipes de Quelimane principalmente aqueles que não percebem a politica afirmar que a Frelimo é que construiu as valas de drenagem numa altura em que o presidente do município era outro, neste caso o DR Manuel de Araújo.

As ameaças que se ouviram na cidade de Quelimane mesmo antes da campanha eleitoral de querer recupera-la mesmo que fosse necessário o derrame de sangue, ou vamos recuperar Quelimane a todo custo ou ainda não vamos permitir que nenhuma capital provincial esteja na mão da oposição criou um espírito de luta entre os afirmantes e a população. E já se ouvia nessa altura” nós é que vamos decidir nas urnas” “eles que derramem o nosso sangue”.

Em Quelimane, 5 dias antes do término da campanha eleitoral já soava que esta cidade seria povoada pelos homens da FIR que tinham como missão disparar a boca das urnas para afugentar os votantes e dai introduzir votos alheios nas urnas, foi por esta informação que os populares se organizavam para lado a lado com a FIR controlar o seu voto.

E com a fama que existe em Quelimane de que os candidatos da Frelimo aos municípios ganham na sua maioria através da fraude (não tenho provas sobre o facto), aumentou a tensão entre os populares e FIR na cidade de Quelimane, com os populares a protegerem o seu voto e a FIR alegadamente para favorecer a Fraude – estou a citar intervenções populares. Dai que era revisto tudo que entrasse nas instalações em que houve votação. Conscidentimente minutos antes do inicio da contagem dos votos há corte de energia a todas escolas na cidade de Quelimane incluindo aquelas em que houve votação. Foi um corte estranho porque as ruas e as residências, estas tinham energia.

O que é querem que o povo pense?

Foi neste período, alias como explanei atrás que começa a soar o toque das armas com as balas reais ou de borracha não sei, e o famoso gás lacrimogéneo com finalidade clara de afugentar os populares que segundo populares estavam por lado de fora e a espreitar pelas janelas a contagem do seu voto.

Será que a lei eleitoral proíbe assistir a contagem de votos? Para situar o estimado leitor as escolas de Sinacurra, Janeiro, Sangariveira, Coalane, icidua, 17 de Setembro e Manhaua é onde a FIR esteve em peso, podes perguntar porque mas foi nessas escolas em que o Manuel de Araújo ganhou com uma margem enorme nas intercalares e voltou a fazer o mesmo nestas.

Pela movimentação dos homens da defesa e segurança na cidade de Quelimane que até assemelhou se a Muxúngue, Santongira, por aí em diante podem crer que se ouve participação nas actuais eleições é porque o povo quis de verdade si não as assembleias de voto estariam as moscas. Eleições daquela maneira não podem voltar a acontecer a não ser que seja introduzida pela lei a eleição dos órgãos de defesa e segurança. E o que se viu, parece que íamos votar no chefe maior general ou então o comandante geral da polícia como queiram.

Não vou falar dos feridos e nem de mortes, não é meu perfil, mas em todo caso as minhas sentidas condolências as famílias que perderam os seus filhos queridos.

FRAUDE ELEITORAL, MITO ou REALIDADE

Desde que Moçambique alinhou pele democracia multipartidária, há sempre lamentações no fim de cada processo eleitoral alegadamente haver favoritismos ao partido no puder em Moçambique para lhes legitimar a continuar no puder. E o que dizem os políticos independentes, será que realmente existe este fenómeno de fraude eleitoral?

1. O que podemos pensar quando numa eleição há mais policias armados que a população?

2. E porque então o slogan “ por eleições, livres, justas e transparentes”. Será que mesmo o são?

3. O que dizer dos elementos partidários que no inicio da campanha eleitoral são presos e só soltos depois do anuncio dos resultados? (tentaram fazer para o Manuel de Araújo na sua deslocação a Gurúè)

4. Há neste momento na Vila de Milange um cheque de 250 mil meticais que serviriam para oferecer ao delegado de candidatura do MDM e em troca introduzir 80 votos na urna. Isto está na posse da polícia da república de Moçambique. Fonte: pontos de vista STV. Não será esta uma amostra de haver algo estranho nas eleições? CONTINUA………

Uaranligane de Quelimane

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