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Com ou sem dignidade, de cabeça erguida ou não, Moçambique tem apenas um ponto e um golo marcado por isso está fora do CAN de 2017

Com ou sem dignidade

Foto de Adérito CaldeiraDepois da derrota por 3 a 1 em Acra, na passada quinta-feira, nem a Páscoa ajudou a ressurreição da selecção moçambicana de futebol que neste domingo (27) recebeu e empatou sem golos com o Gana, no estádio nacional do Zimpeto. Com ou sem dignidade, de cabeça erguida ou não, no futebol contam os golos marcados e os pontos somados, Moçambique tem apenas um ponto e um golo marcado o que já não permite continuar a alimentar o sonho de disputar o Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol de 2017.

No seu segundo jogo como seleccionador nacional Abel Xavier manteve a dupla atacante Elias Pelembe (Dominguês) e Ápson Manjate (Sonito), que conseguiu facturar no Gana o primeiro golo de Moçambique nestas eliminatórias, mas mexeu na defesa tirando Clésio e lançando Sidique.

Mas foi no meio campo onde o novo seleccionador tentou ganhar o jogo, da partida de Acra só sobrou Simão Mate, entraram no onze inicial Witinesse, Gildo e Leonardo Waruma (Lolo). A estratégia era roubar a bola assim que os ganenses a tivessem e procurar sair para o ataque pelos flancos.

O jovem médio Witiness foi o primeiro a rematar à baliza de Razak Braimah, primeiro na transformação de um livre próximo da quina da grande área e depois num remate também à entrada da área ganesa, a bola saiu ao lado.

As “Estrelas Negras”, que não trouxeram para Maputo as suas estrelas que brilham no ataque, procuravam fazer um jogo de contenção acelerando pelas alas para criar perigo, quando em resposta a um cruzamento Assifuah cabeceou perto do poste de Soares Soares (Soarito).

Foto de Adérito CaldeiraTambém de bola parada os ganenses criavam perigo, no primeiro canto da partida, decorria o minuto 18, Soarito voltou a socar para frente da sua defesa onde um ganense recuperou a bola e chutou para a baliza onde Sidique de cabeça salvou o golo, mas o esférico continuou na área e na recarga a bola beijou o poste de Moçambique.

O Gana procurava adormecer os moçambicanos em campo, e os poucos que acorreram às bancadas do estádio, mas o experiente capitão dos “Mambas” acordava o jogo sempre que tocava na bola. No minuto 24 Dominguês subiu no centro da pequena área e cabeceou com perfeição mas a bola foi beijar o travessão da baliza de Braimah e saiu pela linha de fundo.

O jogo continuou morno, com muitas faltas de ambos os lados, o que contribuiu ainda mais para a fraca qualidade do futebol que se praticava. Razak Braimah, o guarda-redes do Gana, que quase não participava na partida não se cansava de perguntar pelo tempo do jogo.

A equipa moçambicana até defendia bem mas o meio campo claramente não sabia o que fazer à bola, Dominguês e Sonito estavam muito recuados e as linhas de passe não se abriam. Quando tentavam os passes longos a defesa facilmente limpava e as combinações individuais também não saíam.

Antes do intervalo Jordan Ayew ainda armou um remate forte para a baliza de Soarito mas a bola passou longe do travessão.

Dominguês o inconformado do costume

Depois do descanso Abel Xavier trocou de avançados, tirou Sonito e lançou para o jogo Hélder Pelembe, mas não havia maneira dos moçambicanos remataram para a baliza do Gana.

No minuto 50 o capitão dos “Mambas” trabalhou bem a bola pelo franco direito, entrou na área e foi a linha cruzar atrasado para o jovem Loló que na marca de penálti não conseguiu dominar o esférico em condições a primeira e, apesar das facilidades da defensiva, não conseguiu recuperar e chutar para a baliza onde Razak Braimah continuava a ser um assistente do jogo.

Foto de Adérito CaldeiraOs ganeses faziam o seu jogo de contenção, com trocas de bola seguras e quando aceleravam davam algum trabalho a Soarito, que entretanto teve que ser ligado na cabeça após sofrer uma entrada mais dura.

Dominguês, como habitualmente, era o mais esclarecido mas sozinho não pode fazer tudo. No minuto 64 voltou a deixar para trás os seus defensores, no flanco esquerdo, serviu no centro da área mas nenhum compatriota apareceu para receber e rematar. Três minutos depois o capitão que já soma 32 anos rompeu pelo centro da defesa do Gana serviu um colega de equipa mas este não entendeu e o lance atacante foi mais uma vez limpo pela defesa.

O seleccionador de Moçambique parecia acreditar que era possível chegar ao golo e lançou para o relvado Luís Miquissone, para o lugar de Witinesse. No minuto 71 Hélder Pelembe apareceu solto de marcação à entrada da grande área mas fuzilou muito ao lado da baliza de Braimah.

As “Estrelas Negras” pareciam satisfeitas com o empate afinal jogavam sem três das suas maiores estrelas: o capitão Asamoah Gyan, Andre Ayew, Christian Atsu. Também as suas novas estrelas Frank Achendock e Majeed Waris não puderam dar o seu contributo a equipa treinada por Avram Grant por problemas físicos.

Só no minuto 82 se viu uma jogada de ataque digna de golo, Luís Miquissone arrancou pelo flanco direito deixou para trás os seus adversários, flectiu para o centro do relvado e abrindo espaço rematou forte, a bola passou perto do travessão do guarda-redes Braimah.

Foto de Adérito CaldeiraQuando Abel Xavier preparava-se para reforçar a frente atacante, com Diogo, Simão Mate pediu para ser substituído, Jumisse entrou para o seu lugar. “Estou velho” deixou escapar o médio de 27 anos de idade que joga no Levante de Espanha, e que andava “fugido” das convocatórias da selecção nacional de Moçambique.

Pouco depois o árbitro que veio do Uganda, Denis Batte, deu por terminado o jogo. Zainadine Júnior ficou deitado no centro de relvado, disse ter sofrido uma cotovelada na partida que o deixou debilitado e quase não se conseguia mover, o defesa moçambicano de 27 anos de idade teve que sair do campo em maca.

Em quatro jornadas disputadas, duas delas jogadas em Maputo, Moçambique somou o seu primeiro ponto nesta eliminatórias enquanto o Gana distanciou-se ainda mais na liderança, tem agora 10 pontos e está a uma vitória do apuramento. As Ilhas Maurícias, que ainda vão jogar com o Ruanda para a 4ª jornada, ocupam a segunda posição do Grupo H com 6 pontos enquanto os ruandenses têm 3 pontos. Para a fase final do CAN, que será disputado no Gabão em 2017, apuram-se apenas os vencedores de cada um dos grupos e ainda as duas selecções que ficarem em segundo lugar com o maior número de pontos.

Os “Mambas” ainda têm duas partidas, para cumprir calendário ou pelo menos para vingarem-se das derrotas, vão defrontar o Ruanda em Kigali a 4 de Junho e recebem na capital moçambicana as Ilhas Maurícias a 2 de Setembro.

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