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Co-réu nega que contabilidade da ADM estava desorganizada

“Espanta-me esta afirmação de Jorge Marcelino (Inspector Geral de Finanças), porque já tivemos vários especialistas em contabilidade que trabalharam nos ADM e deram nota positiva ao nosso trabalho”, disse hoje o antigo administrador dos ADM, que juntamente com os outros cinco co-réus e uma declarante compareceram em tribunal para alguns esclarecimentos.

Pereira deixou claro que na altura em que foram desviados os mais de 54 milhões de meticais, a contabilidade dos ADM podia ter alguns problemas mas estava suficientemente organizada para merecer confiança de instituições financeiras nacionais e estrangeiras que, segundo ele, chegaram a injectar 130 milhões de dólares norte-americanos em empréstimos.

Quanto as dificuldades que a IGF “sofreu” na disponibilização de documentos durante a auditoria, Pereira disse não ser verdade que tal tenha acontecido, sustentando que os documentos foram disponibilizados em mais de 80 por cento. A quando da sua audição, em tribunal, Jorge Marcelino, Inspector Geral de Finanças que supervisionou a auditoria nos ADM, disse que uma das principais constatações desta auditoria foi de que a contabilidade estava desorganizada e não permitia que as contas fossem auditadas com facilidade.

Para além disso, Marcelino acusou os funcionários de contabilidade e finanças de terem feito tudo para obstruir a auditoria ao não permitir o acesso a informações detalhadas sobre as operações financeiras no mandato de Diodino Cambaza, ex-Presidente do Conselho de Administração (ex-PCA) dos ADM, e que agora se encontra no banco dos réus. Marcelino disse ainda que a constatação de que a contabilidade dos ADM estava desorganizada teria também sido feita por duas vezes consecutivas por parte da empresa de consultoria “Ernst and Young”, o que Pereira também refuta.

Por seu lado, Diodino Cambaza atacou ao também antigo Administrador Financeiro dos ADM, Hermenegildo Mavale, que foi exonerado destas funções por proposta de Cambaza. Mavale foi um dos que lideraram as denúncias do “caso ADM” e que culminaram com a detenção de Cambaza e Pereira, para além da exadministradora delegada da Sociedade moçambicana de Serviços (SMS), Maria Deolinda Matos.

Neste mesmo processo respondem, mas sob liberdade provisória, o ex- Ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe, e o seu antigo chefe de gabinete, António Bulande. Cambaza disse ter proposto a exoneração de Mavale por ter se constatado que este último não declarava algumas receitas, principalmente as provenientes de aeroportos sem muito movimento, para além de alegadamente ter transferido valores para as contas da SMS sem, no entanto, aclarar para que fins.

Segundo Cambaza, ao não declarar as receitas Mavale sustentava que os mesmos valores destinavam-se a suportar ‘despesas confidenciais’. Contratação do ex-chefe de gabinete de Ministro volta a berlinda A ex-PCA da SMS, Maria João Coito, reiterou hoje que a contratação de António Bulande pela SMS foi imposta pelo co-réu Diodino Cambaza.

Numa sessão em que foram feitas algumas acareações, Coito, que responde como declarante, negou que alguma vez tenha dado trabalho a Bulande que chegou a auferir 1.750 USD mensais, mas sem fazer absolutamente nada. Enquanto Coito assim se posicionava, o próprio Bulande contraatacava, afirmando que Coito lhe deu trabalho, incluindo a angariação de clientes para a SMS.

Ao se expressar desta maneira, Bulande fez entender que para além de assessor jurídico, também era angariador de clientela para a SMS. Por seu turno, Cambaza distanciouse dos contornos da contratação de Bulande, frisando que instruiu a Maria João Coito para tal em cumprimento de um despacho ministerial.

Apesar de ter sido contratado na SMS, os salários de Bulande provinham dos cofres dos ADM, que comparticipa na SMS com 50 por cento das acções. A outra percentagem é detida pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Os próximos dias são reservados principalmente para as alegações finais deste julgamento.

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