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Circuncisão poderia evitar 4 mi de novos casos de HIV na África

Mais de 4 milhões de novas infecções pelo HIV poderiam ser evitadas no leste e no sul da África até 2025 caso as taxas de circuncisão sejam aumentadas em 80 por cento, afirmaram pesquisadores na terça-feira. A ampliação dos serviços de circuncisão em 80 por cento para adultos e recém-nascidos na região também economizaria 20,2 bilhões de dólares em gastos com a saúde relacionados ao HIV entre 2009 e 2025, disseram eles.

“Com os recursos globais escassos, precisamos focar na expansão de métodos comprovados e com uma boa relação custo-benefício como a circuncisão masculina para evitar a transmissão do HIV”, disse Krishna Jafa, especialista em HIV do grupo de assistência à saúde Population Services International (PSI), durante uma conferência sobre SIDA em Viena.

As declarações de Jafa ecoaram às do ex-presidente norte-americano Bill Clinton e do filantropo Bill Gates, cujos discursos na conferência pediram por uma ampliação rápida da circuncisão masculina como forma eficiente para evitar a disseminação do HIV.

A África Subsaariana abriga 67 por cento das 33,4 milhões de pessoas que vivem com o vírus HIV em todo o mundo. Cerca de 1,9 milhão de pessoas haviam sido infectadas recentemente na região em 2008. Uma pesquisa citada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que a circuncisão masculina pode reduzir o risco de um homem adquirir o HIV em até 60 por cento.

O PSI apresentou resultados de um estudo no Zimbábue no qual os pesquisadores programaram e experimentaram um modelo de eficiência chamado Move, destinado em aumentar a quantidade de circuncisões masculinas usando técnicas melhores, treinamento adequado, equipamento e equipe eficientes. No programa piloto do novo sistema, uma equipe de dois médicos e três enfermeiros conseguiu executar quatro circuncisões ao mesmo tempo e aumentar a taxa de três para 10 operações por hora, indicaram os resultados.

Ao longo dos 12 meses do projeto piloto, cerca de 6.500 homens foram circuncidados. Os resultados também indicaram que a qualidade do procedimento não foi comprometida e que não houve aumento na porcentagem de homens reclamando de feitos colaterais nocivos depois. Em março de 2007, a OMS e o Unaids recomendaram a circuncisão masculina como uma forma de prevenção efetiva ao HIV.

O estudo do PSI descobriu que, apenas no Zimbábwe, que tem uma taxa de 13,7 por cento de adultos com HIV e uma taxa de circuncisão masculina de pouco mais de 10 por cento, 750 mil novas infecções por HIV poderiam ser evitadas se 80 por cento dos homens fossem circuncidados. O estudo também descobriu que há uma alta demanda pelo procedimento.

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