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Cientistas da malária defendem alargamento do MCTA

O projecto Aliança dos Ensaios Clínicos contra a Malária (Malária Clinical Trials Alliance – MCTA) poderá ser alargado por mais tempo, para permitir a consolidação dos resultados conseguidos nos últimos quatro anos em 12 países africanos cujos centros de pesquisa estão envolvidos em ensaios para a concretização da primeira vacina contra a malária.

O MCTA, criado em 2006, tem por objectivo criar capacidades para os centros de pesquisa e conduzir ensaios clínicos de novos fármacos e vacinas contra a malária, prover assistência aos centros de pesquisa em Moçambique, Malawi, Tanzânia, Gabão, Gana, Gâmbia, Nigéria, Quénia e Senegal. Nos últimos quatro anos, o projecto MCTA ajudou os vários centros membros a estarem devidamente equipados, a ter uma gestão adequada, a disporem de ferramentas para identificar, empregar e formar pessoal, a ter sistemas de base de dados e de comunicações eficientes e uma maior transparência dos seus sistemas financeiros.

Pascoal Mocumbi, Representante da Parceria entre os Países em Desenvolvimento e Europeus em Ensaios Clínicos e presidente da Fundação Manhiça, disse, hoje, em Maputo, na sessão de abertura, que a realização da reunião anual do MCTA no país pode contribuir na identificação das ferramentas que, a longo prazo, podem ajudar a controlar e erradicar a malária. “As ferramentas de que dispomos agora se usadas de forma apropriada podem ajudar a controlar e a erradicar a malária”, disse Mocumbi, apontando a importância de usar as vantagens do encontro na busca de soluções mais eficientes para o problema da doença no continente.

O país, a semelhança dos outros nove do continente, trabalha na concretização dos resultados da 3ª fase de estudos da vacina contra a malária, iniciados em Maio 2009, e aumenta e alimenta as esperanças de ver o novo produto disponível à comercialização no mercado dentro dos próximos cinco a seis anos. Os ensaios da 3ª fase da vacina contra a malária estão feitos em duas etapas.

A primeira, envolvendo um universo de mil crianças, em bebés com seis a 12 semanas de vida, enquanto que o segundo grupo (700 crianças) é composto por petizes de cinco a 17 meses de idade. As inoculações do estudo estão a ser administradas no Centro de Saúde de Malavele, distrito da Manhiça, coordenadas por cientistas do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), para apurar a eficácia e segurança imunológica do candidato mais avançado contra a malária, denominado RTS,S.

Os resultados da vacina, que após a concretização será pediátrica, têm uma eficácia estimada em 65 por cento em crianças recém-nascidas, contra apenas 30 por cento em episódios clínicos da doença, segundo os dados apresentados em 2007. Aliás, os resultados conseguidos entre 2002/07 que mostravam que além da eficácia constatada contra os episódios clínicos que é de 30 por cento, nos recémnascidos, já em 2007, os estudos mostraram que a eficácia aumentava para 65 por cento.

A malária, doença endémica no país, é responsável por cerca de 40 por cento de todas as consultas externas nos diversos hospitais do país. A este universo acresce cerca de 60 por cento de doentes internados nas enfermarias de pediatria, sofrendo de malária severa. No entanto, estudos feitos na África sub-Sahariana mostram que o uso correcto das redes mosquiteiras, impregnadas com insecticida de longa duração, pode reduzir até 48 por cento os episódios da malária e até 25 por cento a taxa de mortalidade infantil, grupo etário que muito sofre as consequências da doença nos países em desenvolvimento.

Seth Agyei, presidente do Conselho de Patronos do INDEPTH e director do Centro de Investigação em Saúde do Gana, disse, por seu turno, esperar que as pesquisas da terceira fase levem a concretização da primeira vacina contra a malária que ajudará a reduzir drasticamente o fardo da doença. Fred Binka, gestor do projecto INDEPTH MCTA, que não escondeu a sua profunda satisfação com os resultados até aqui conseguidos, disse haver discussões com os financiadores sobre o que será mais útil à INDEPTH Network em termos da fase subsequente e o interesse dos financiadores, uma vez que eles têm metas por atingir.

“Neste encontro temos uma proposta em análise que consiste em um seguimento da fase ora prestes a terminar, para consolidar todo o trabalho realizado. Acreditamos que as discussões da reunião anual permitirão chegar a um acordo sobre as metas comuns que determinarão o intervalo de tempo para a nova fase do MCTA”, explicou Binka.

A malária, a semelhança do HIV/SIDA, constituem a principal causa de mortalidade em países africanos, daí o interesse em acelerar a concretização desta vacina ora em estudo.

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