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Cidadãos deixam de usar latas

Cidadãos deixam de usar latas

Mercê da instalação de um banco, pela primeira vez na história

Os cidadãos do distrito de Caia, na província central de Sofala, estão a respirar de alívio, mercê da instalação, pela primeira vez na história, de um banco para depósito das suas poupanças, por isso mesmo, já começaram a desenterrar as latas, normalmente de leite condensado, contendo dinheiro, que guardavam nestes recipientes como alternativa.

Guardar dinheiro nas latas que são enterradas nos locais bem sinalizados, ou embrulhá- lo nos plásticos e enfiá-lo no capim de cobertura das cabanas, é um método primitivo, ao qual os cidadãos recorriam por falta de bancos para o depósito das suas poupanças. Este mesmo métodos ainda prevalecem nas regiões onde as instituições bancárias ainda não se existem. Porém, este cenário está sendo invertido no distrito de Caia, conforme testemunhou o nosso Jornal.

 

“O entusiasmo já paira em nós… estamos bastante satisfeitos, porque já temos um banco onde podemos guardar o nosso dinheiro”, assim se pronunciou o chefe de mercado do rio (rio Zambeze onde está a ser erguida a ponte), Jaime Chaves.

Naquele mercado existem 42 proprietários de barracas, que vendem um pouco de tudo, bem como confeccionam comida, o que salva os transeuntes que por ali escalam, quando se deslocam de várias regiões do norte, centro e sul de Moçambique, atravessando o rio com batelões, enquanto não se concluem as obras da ponte.

Outros 17 vendedores são ambulantes, todos estes já podem depositar as suas poupanças no referido banco. “Esta é a maior prenda que nos deram”, Chaves. Acrescentou ainda que “é um orgulho e prestígio para nós, porque enterrávamos o dinheiro e, consequentemente, as moedas e notas estragavam-se. Portanto, havia má conservação do nosso metical”.

 

Outros beneficiários

O banco não só vai beneficiar os cidadãos de Caia. “A vida está facilitada para todos… não restam sombras de dúvida”, frisou Chaves, para depois dizer que, as pessoas que viajam, podem utilizar o banco para o levantamento de dinheiro. Para além dos passageiros, os próprios transportadores podem depositar o dinheiro resultante de cobrança de passagens, evitando assim serem assaltados.

“Uff”, suspirou a comerciante Jertrudes Manuel Maireles, mais conhecida em Caia por Dona Vovô. “Estamos a respirar de alívio, porque já temos uma casa que nos dá confiança para depositar o nosso dinheiro”.

Dona Vovô disse que está cheia de alegria e não sabe como manifestar a sua satisfação. “Não tenho palavras, porque para além de nós, o banco vai contribuir para o desenvolvimento do distrito de Caia.

Antes da instalação do banco em causa, Vovô depositava o dinheiro em sua casa, embora sabendo o risco que isso representava. Depois de acumulado, levava-o para o depósito nas cidades da Beira, Chimoio e Quelimane.

“Sempre viajávamos com o coração nas mãos, porque não sabíamos que chegamos com o dinheiro ou não”, sublinhando que “arriscávamos, porque não tínhamos alternativa, mesmo sabendo que o dinheiro adquirido à base de imenso sacrifício podia numa fracção de segundo estar em mãos alheias”.

Dona Vovô explicou que por isso, para fazer uma viagem daquelas, alguém tinha que pensar mil vezes e não anunciar que hoje ou amanhã vai viajar, porque isso era grande risco, na medida em que constitua um alerta para os bandidos”.

A nossa Reportagem abordou o administrador de Caia, António Cuela José. Este disse que o Governo sempre apostou na melhorias das condições de vida dos cidadãos, daí que em parceria conseguiu-se instalar um banco para permitir que as pessoas depositem as suas poupanças.

“Este é um dos pontos de partida rumo ao desenvolvimento sócio-económico do nosso distrito”, sublinhou o administrador de Caia.

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