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Cidadão preso por contestar casamento de sua filha menor

Um cidadão foi detido, durante três dias, pela Polícia da República de Moçambique (PRM) no posto administrativo de Nihessiue, distrito de Murrupula, por, alegadamente, se opor ao casamento prematuro da sua filha menor, de treze anos de idade, com um indivíduo de mais de trinta anos, a qual depois de engravidar acabou por perder o seu filho num parto complicado.

Segundo apuramos do conselheiro principal das organizações sociais de Nihessiue, Vitorino Alberto, o caso, que ocorreu recentemente e que chocou a comunidade local, foi facilitado pela actuação irregular dos agentes da lei e ordem afectos ao posto policial daquele posto administrativo de Murrupula, que se supõe tenham sido corrompidos.

A nossa fonte conta que Hussene Aide, pai da menor em causa, contactou as estruturas comunitárias de Nihessiue para manifestar a sua inquietação face ao desaparecimento de casa da sua filha que frequentava a sexta classe na escola primaria completa de Nihessiue.

Encetados os contactos junto dos parentes no sentido de apurar o paradeiro da jovem, descobriu-se que ela se encontrava refém na casa do suposto namorado.

O encarregado de educação foi, então, aconselhado a notificar o caso à PRM porquanto o jovem que mantinha refém a suposta namorada não se mostrava disponível a libertá-la não obstante os apelos de vários membros influentes da comunidade nesse sentido.

Depois de receber a queixa do ofendido, o agente em serviço no posto policial, convocou as partes envolvidas no caso para uma sessão de audição marcada para as oito horas do dia seguinte.

Ficamos espantados quando o agente da polícia em serviço mandou recolher Hussene Aide aos calabouços alegando ter chegado depois da hora marcada para o inicio da sessão de audição das partes envolvidas – explicou a nossa fonte.

Insatisfeitos com a medida, parentes de Hussene Aide solicitaram a intervenção do representante máximo da estrutura tradicional de Nihessiue, que, de imediato, intercedeu junto das forcas da lei e ordem que, sem argumentos que justificassem a decisão tomada, libertaram o queixoso três dias depois da sua detenção.

Vitorino Alberto explicou que aquela detenção se deveu a um eventual suborno aos agentes do posto policial de Nihessiue por parte do suposto namorado da menina E. Aide, que, segundo apuramos, quase perdeu a vida, pois esteve grávida e o parto, com nado morto, foi muito complicado.

A nossa reportagem tentou em vão ouvir a reacção da PRM em Nihessiue, pois remeteu-nos para o efeito ao comando distrital que, por seu turno, aconselhou-nos a contactar o porta-voz do Comando Provincial da corporação, Inácio Dina, que disse desconhecer o caso.

Os casos de casamento prematuro e gravidez precoce no distrito de Murrupula são muito frequentes devido a factores culturais, não obstante os esforços que as autoridades governamentais, com apoio das organizações da sociedade civil, tem vindo a desenvolver visando a mitigação de tais fenómenos.

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