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Chuva mata sete crianças na Beira e deixa munícipes de rastos em 72 horas

Sete crianças morreram e três ficaram feridas em diferentes bairros da cidade da Beira, na província de Sofala, em consequência da chuva que em 72 duas horas, para além de deixar centenas de famílias desesperadas e a pernoitarem sobre as mesas, por conta do alagamento das suas casas, e ruas intransitáveis, trouxe à superfície as fragilidades da edilidade no que diz respeito à manutenção das valas de drenagem.

Todos os 26 bairros da urbe ficaram inundados e diversos bens destruídos. José Manuel, vereador institucional no Conselho Municipal da Beira, disse que uma morte ocorreu na zona de Munhava, onde a vítima caiu num poço. Devido ao mesmo problema, um outro petiz perdeu a vida na Manga-Mascarenhas.

No bairro de Vaz uma criança precipitou-se numa vala de drenagem e outros dois petizes sucumbiram por conta da queda do muro de vedação de uma empresa.

Umas das vítimas respondia pelo nome de Joaquim José, tendo encontrado a morte quando regressava da escola, onde frequentava a quarta classe. O pior não aconteceu com os outros petizes que estavam na sua companhia porque acabavam de transpor a área onde a parede ruiu.

O outro chamava-se Manuel Júnior, e morreu por volta das 11h00 em virtude de ter caído numa cratera aberta por uma empresa de construção, sem que as autoridades locais, que agora se queixam de negligência e pretendem apurar responsabilidades, fizessem nada para contornar o perigo que já estava à vista.

O cadáver do menor só foi achado por volta das 18h00 depois de buscas intensas com o envolvimento de vizinhos e demais pessoas próximas da família enlutada.

No décimo terceiro bairro, na Beira, duas crianças caíram numa fossa.

Na cidade da Beira, a chuva deixou um rasto de destruições, parte das quais por conta de um sistema de drenagem desfuncional, a par do que se passa em muitos centros urbanos de Moçambique, onde as valas de drenagem encontram-se constantemente entupidas e não permitem o escoamento das águas.

José Manuel disse que os sistemas de drenagem estão entupidos porque os munícipes não depositam o lixo em locais apropriados, fazem montões na via pública, o que obstrui os canais de escoamento. Aliás, ele alegou ainda que o muro que ruiu foi erguido à revelia das autoridades municipais e houve aplicação de uma multa que não foi, para além de que a estrutura do muro não tem consistência e obedece os padrões concebidos para o efeito. “Foi construído numa zona onde passa água”.

Refira-se que a chuva já matou dezenas de pessoas e os ventos fortes aliado a má qualidade das construções deixou destruídas 1.103 habitações, danificou 100 escolas, nove unidades sanitárias e 46 igrejas em todo o país.

Para o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), até a passada quinta-feira (25) as chuvas e os ventos fortes, normais durante a época chuvosa em Moçambique, tinha afectado 22.133 cidadãos. Não foi disponibilizado o número cumulativo de vítimas mortais porém existiam até a altura 47 feridos.

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