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China, Índia e Brasil procuram Moçambique por causa da energia e posicionamento estratégico

Moçambique não é a nação mais rica em recursos naturais mas está a tornar-se rapidamente um dos competidores crucias pelos novos poderes do século 21. China, a Índia e o Brasil concorrem pelos os recursos económicos, influências políticas e geo-estratégias. A energia está no topo da lista dos investidores externos.

Enquanto novas minas são abertas o Banco do Desenvolvimento Africano antecipa que até 2020 Moçambique vai tornar-se o segundo maior produtor de carvão em África com exportações de carvão projectadas em 110 milhões de toneladas por ano.

As reservas totais estão estimadas em 10 biliões de toneladas e, para além da China, Índia e Brasil, todos estão ansiosos em investir nos novos recursos energéticos para sustentar o rápido desenvolvimento ecocómico.

O maior investimento da China em Moçambique até agora é dum projecto de 1 bilião de dólares no sector das minas de carvão por Wuhan Iron and Steel, Segundo a reportagem do Financial Times em Junho de 2010.

A Índia comprometeu-se a investir 1 bilião de dólares no sector das minas de carvão e ofereceu 45 milhões de dólares para o treinamento e transferência de tecnologia ao sector das minas de carvão. Em 2010, logo depois da visita do presidente Armando Guebuza à Índia, Nova Deli concedeu ao seu país uma linha de crédito de 500 milhões de dólares. Em março de 2011 a Indian Giant Tata adquiriu uma participação de 27 por cento da australiana Riversdale Mining, numa operação avaliada em 90 milhões de dólares.

A gigante mineradora brasileira Vale também concorre para o carvão moçambicano. Desde 2009, Vale investiu 1,3 biliões nas minas de carvão nas províncias centrais de Zambézia e Tete, excedendo assim os investimentos da China e da Índia. Desde 2009, a Vale investiu 179 milhões numa operação conjunta com a mineradora australiana Rio tinto e em plantas de processamento de aço.

O Brasil também tem investido fortemente em Angola, rica em petróleo, outra ex-colónia portuguesa, onde a China é um parceiro comercial do país e principal importador de petroleo. Em 2008, o director da agência de investimento estatal brasileira recusou os relatos da competição Brasil-China sobre recursos em África.

No entanto, durante a visita do ex-presidente Lula da Silva à África, em Julho de 2010, o jornal brasileiro ‘Globo’ publicou uma reportagem intitulada ‘Lula exarceba a concorrência com a China’, descrevendo a crescente competição por recursos e mercados entre os dois gigantes. Enquanto que o Brasil não é tão dependente das importações de energias como a China, as suas largas e eficientes minerações fazem biliões na exportação desses recursos para Ásia.

Os outros recursos naturais em Moçambique são titânio, gás natural e tântalo, um excelente conductor de calor e electricidade utilizados pelas indústrias electrónicas. As províncias nortenhas de Niassa e Cabo Delgado são ricas em pedras preciosas como esmeraldas, rubis e safiras. A terra é outro motivo de competição.

Os investidores brasileiros anunciaram a intenção de investor até 6 biliões de dólares em biocombustíveis, para a produção de jatrofa, aproveitando-se da atribuição do governo moçambicano de 60.000 hectares de terras para os investidores estrangeiros em Gaza.

Para equilibrar a China, o Brasil entrou em joint ventures com empresas japonesas, europeias e australianas enquanto se engajam também na Índia. Ansiosa em responder a sua própria crescente demanda de alimentos, a China tem grande interesse nos acordos de terra com Moçambique. Em Maio de 2008 Li Zhengdong, director de cooperação internacional com o Ministério da Agricultura da China, anunciou que o governo estava em negociações com Moçambique para arrendamento de terras para a produção de cereais, de acordo com a publicação 21st Century Business Herald.

O governo de Moçambique negou a notícia, mas até Agosto de 2010, a Câmara de Comércio de Xangai afirmou que o Governo moçambicano tinha oferecido um contrato anual de terra a 8 dólares por hectare aos investidores chineses. De acordo com a Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, Moçambique possui 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais apenas 12 por cento estão a ser actualmente usados.

Moçambique oferece uma grande presença estratégica no Oceano Índico, com o Canal de Moçambique como uma rota alternativa importante para o Canal Suez. O país oferece também a saída mais próxima ao mar a Zâmbia e Zimbabwe que possuem duas das cinco Zonas Económicas Especiais da China, ou SEZ, em África. Em 31 de Janeiro a media de Moçambique informou que as companhias chinesas de navegação negoceiavam com o governo para modernizar e expandir o Porto da Beira. A concretizar-se, Beira pode tornar-se mais uma pérola do colar da China – portos modernizados, na Tanzânia, Sri Lanka e Paquistão. Dois dos cinco SEZs chineses em África estão no Oceano Índico, Tanzânia e Ilhas Maurícias.

Com excepção da Marinha dos EUA, a Marinha Indiana é a força dominante no Oceano Índico. A Índia cresce apreensiva pela presença da China na África Oriental. Em 2007, o exército indiano estabeleceu um centro de escuta electrónica em Madagascar, na costa de Moçambique, perto da Ilha Maurícia, a casa dum dos SEZs da China, de acordo com o descrito por um relatório de defesa da Índia. Em 2006, a pedido do governo moçambicano, os navios de Guerra indianos patrulharam a costa da capital durante a Cimeira dos Chefes de Estados da União Africana.

Oficiais militares e académicos chineses pediram bases militares na África Oriental e no Oceano Índico. Uma vez que se expande a navegabilidade, os interesses e conflitos no Oceano Índico e no Este de África tendem a aumentar. Uma vez que os portos e a segurança incrementam o comércio, a China emerge como o segundo maior parceiro comercial de Moçambique. O comércio cresceu de 208 milhões de dólares em 2007 para 690 milhões em 2010. O Banco Estatal Export-Import da China concedeu ao governo de Moçambique mais de 2 biliões de dólares para a construção duma mega-barragem.

As empresas chinesas têm construído estradas, pontes, instalações militares, hospitais e outras infra-estruturas no país por apoio e por contratos a longo prazo. O governo da China investiu 160 milhões de dólares para modernizar o principal aeroporto do país, o estádio nacional e o maior centro de conferências do país. Na sequência dum seminário de investimento, em Junho de 2010, organizada pelo governo de Moçambique em Xangai, os interesses das empresas chinesas prometeram até 13 biliões de dólares em infra-estruturas, mineração, agricultura e investimento no turismo para os próximos 10 anos, relata a Economic Times.

A potência regional, África do Sul, tem sido maior parceiro comercial de Moçambique nas duas últimas décadas e investiu fortemente nos sectores agrícola e mineral. A África do Sul investiu em Moçambique, até então, 7 biliões de dólares em 45 projectos. Actualmente, 820 agricultores sul-africanos de média e grande escalas estão a operar em Moçambique, e é provável que essa presença continue a crescer.

Moçambique era tradicionalmente duma economia baseada na agricultura, com receitas provenientes principalmente da exportação de castanha de caju, açúcar, algodão, frutas cítricas, chá, mandioca e outras culturas. Nos últimos anos, a descoberta de recursos minerais significativos está a aumentar rapidamente a importância do sector de mineração para a economia do país. O gás natural, carvão e alumínio tendem a se destacar como fontes cruciais de receitas para o país.

A expansão das indústrias extrativas e o crescimento do investimento extrangeiro tem o potencial de trazer benefícios significativos, mas esses também presenteam o país com novos desafios. A lista dos países ricos em recursos que foram vítimas da maldição dos recursos naturais e resultando na intromissão estrangeira é interminável.

Até agora, a experiente FRELIMO, no poder desde 1975, desempenha um sofisticado jogo de equilíbrio para evitar que qualquer país ganhe uma posição dominante. No entanto, com o crescente sector de mineração de carvão, o seu enorme potencial nos biocombustíveis e os relatórios de descobertas de petróleo, este acto de equilíbrio irá, provavelmente, crescer e ficar mais complexo.

Como diz o ditado africano: ‘quando os elefantes lutam a erva é pisada’.

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