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China comemora o ‘Dia da Emacipação dos Servos no Tibete’

As autoridades chinesas comemoraram oficialmente neste sábado o ‘Dia Anual da Emancipação dos Servos’ para marcar o 50º aniversário do fracasso da rebelião antichinesa no Tibete.

Bandeiras chinesas enfeitavam o Palacio de Potala, residência do Dalai Lama em Lhassa antes de seu exílio na Índia, em 1959, e cerca de 13.000 pessoas – a maioria usando trajes tradicionais tibetanos – cantaram o hino nacional em uma cerimônia transmitida ao vivo pela tv estatal.

O “Dia da Emancipação dos Servos” é comemorado pelas autoridades chinesas como uma espécie de ‘libertação dos escravos’ do Tibete e, dessa maneira, respondem às recentes celebrações pelos 50 anos da rebelião tibetana que repercutiram em todo o mundo.

“A bandeira de cinco estrelas sempre vai ondular no Tibete”, afirmou o secretário do Partido Comunista da China na região autônoma, Zhang Qingli. “A luta que travamos com o Dalai Lama não se trata de etnia, religião ou direitos do Homem; ela diz respeito à soberania nacional e à integridade do território.

Nós devemos ficar vigilantes e reprimir com firmeza qualquer atividade separatista”, acrescentou. Em 1959, a China, cujas tropas haviam libertado o Tibete oito anos antes, de acordo com a versão oficial arrasou uma rebelião de partidários do Dalai Lama, o líder espiritual dos budistas tibetanos, que se revoltaram no dia 10 de março daquele ano.

Pequim anunciou, no dia 28 de março de 1959, a dissolução do governo local e a instauração de um comitê provisório para preparar a criação da Região Autônoma do Tibete, sob controle do PCC. A China afirma que sua intervenção na região himalaia permitiu acabar com a teocracia budista e libertar o povo mantido em servidão por apenas 10% da população em um sistema feudal.

Segundo o número dois espiritual do Tibete, o Panchen Lama, designado em 1995 por Pequim e rejeitado pelos tibetanos no exílio, o “Tibete jamais teria conhecido a paz e a liberdade sem o Partido Comunista chinês”. “Os fatos provam que sem o Partido Comunista chinês, mais de um milhão de servos nunca teriam conhecido a dignidade humana e a liberdade”, assegurou o Panchen Lama, Gyaincain Norbu, de 20 anos.

Este ano, a China assegurou que nenhuma manifestação seria realizada por ocasião deste 50o. aniversário por causa do reforço de segurança implementado no Tibete e em suas províncias vizinhas. O Dalai Lama e seus partidários continuaram pelos 50 anos que se seguiram denunciando a opressão política e religiosa que a China exerce na região.

O governo tibetano no exílio afirma que mais de 87.000 pessoas morreram na repressão chinesa entre março e outubro de 1959. No início do mês, o Dalai Lama acusou a China de ter transformado o Tibete em um “inferno”. “Estes últimos 50 anos têm sido de sofrimento e destruições para o território e o povo do Tibete”, afirmou o Prêmio Nobel da Paz de 1989 em um discurso pronunciado em um templo do Himalaia indiano.

“Uma vez ocupado o Tibete, o governo comunista chinês passou a realizar ali toda uma série de campanhas de violências e repressão.

Os tibetanos têm vivido literalmente um inferno na Terra”, acusou o líder do budismo tibetano.

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