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Chilembene / projecto de piscicultura varinha mágica para pobreza

O Projecto de Piscicultura em implementação no Posto Administrativo de Chilembene, distrito de Chókwè, província meridional de Gaza, vai a médio e longo prazos melhorar a qualidade de vida das comunidades e gerar novas oportunidades de alívio a pobreza.

A convicção foi expressa por Olívia Machel, filha do finado presidente Samora Machel, que trabalha sem mãos a medir na concretização do sucesso da iniciativa inovadora cujos resultados serão de longo alcance para Chilembene, com forte potencial agro-pecuário, mas sofre sobremaneira as diversas manifestações da pobreza.

O projecto de piscicultura, segundo Olívia Machel, foi iniciado pelo próprio pai e juntamente com o mesmo estava a desenvolver um outro de avicultura e de pequenas espécies animais destinado essencialmente ao consumo familiar, porquanto quando concebeu as iniciativas tinha sempre em mente que “não se pode comer dos cofres do Estado”.

Porém, após a sua morte no trágico acidente aéreo nas colinas de Mbuzine, em 1986, África do Sul, tudo foi por água abaixo e com o barulho das armas durante os 16 anos da guerra de desestabilização ficam, segundo Olívia, completamente inviabilizadas as possibilidades de revitalizar o sonho do pai, assim como a seca prolongada que absorveu a água no canal.

A declaração de Chilembene, a pouco mais de 60 quilómetros da cidade de Xai- Xai, a capital provincial, como património cultural pelo governo moçambicano, em 2008, permitiu ressuscitar o sonho que estava moribundo e que ajudaria a reconfigurar o tecido social deveras dilacerado pela pobreza.

Chilembene, a semelhança de grande parte da região sul do país, debate-se com sérios problemas de HIV/SIDA e a maioria dos jovens emigram para as terras do rand em busca de melhores oportunidades de emprego para iniciar uma vida adulta decente, mas bastas vezes regressam ou doentes ou simplesmente envelhecidos e vem morrer, deixando luto e órfãos.

Todavia, a declaração daquele local património cultural, por ser terra natal do primeiro presidente de Moçambique independente ou por outras palavras líder da epopeia que levou a consumação da independência, constituiu forte pretexto para o relançamento e resgate do histórico prestígio guardado na memória colectiva.

“Nós, os filhos, aproximamo-nos do governo para perceber melhor o que é isso de património cultural e como é que o mesmo devia funcionar, não devendo ser estático e adormecido”, disse Olívia, acrescentando que a sua revitalização seria uma das formas de assegurar a retenção dos jovens e criar emprego.

A ideia de Samora Machel era fomentar a piscicultura a nível da zona porquanto Gaza é uma província com muita abundância de recursos hídricos, bastando, para o efeito, apontar o exemplo do regadio Chókwè.

O plano do seu pai era “povoar” todas as águas, quer do canal quer do regadio, visando garantir que as comunidades tivessem possibilidade de diversificar a proteína e neste momento o governo e a Família Machel trabalham sem mãos a medir na consumação deste desiderato. Para o efeito, está em curso o povoamento de quatro viveiros no Centro de Desenvolvimento de Conhecimento Samora Machel, ali em Chilembene.

São quatro tanques, abertos no solo, um pequeno e três grandes. Sem revelar o valor envolvido na concretização da iniciativa, Olívia disse estarem já povoados três tanques estando em curso o povoamento do quarto. O primeiro só com machos com um total de seis mil, os dois outros com 11 mil e na fase do engordo das espécies.

“A ideia é que esta iniciativa seja disseminada em toda a região e estamos a ter uma boa experiência, porque além de teremos povoado os tanques com alvinos comprados, ora em multiplicação, o próprio rio está a trazer peixe e já foram detectadas três variedades e duas delas são bastante apreciadas pelas comunidades”, disse Olívia Machel.

O sucesso da iniciativa será um dos melhores êxitos que o posto pode ter porque, segundo a fonte, todos os residentes que podem não dispõem de capacidade financeira para comprar o alvino de Inhambane, podem ser capacitados sobre as técnicas de multiplicação e passados quatro ou cinco meses podem ter peixe.

A medida que o projecto de piscicultura for ganhando corpo e forma, a vontade da família é diversificar os seus benefícios. A tilápia, por exemplo, as cabeças podem ser usadas na produção da ração e uma vez que a zona tem excelentes níveis de milho e feijão montar-se-á uma fábrica de processamento de ração.

A disponibilidade deste produto permite, por conseguinte, iniciar a produção de pequenas espécies como coelhos, galinhas e várias outras que têm como alimento básico a ração e facilitar que a cadeia de produção que o seu pai idealizara se concretize.

“O projecto, quando arrancar plenamente será uma autêntica cadeia de muitas coisas que daí virão e mudar de forma qualitativa a vida dos residentes de Chilembene”, sublinhou Olívia Machel.

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