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Chega de água engarrafada!

Chega de água engarrafada!

A água vendida em garrafas não é, regra geral, melhor do que a da torneira. E representa um gasto de energia muito maior. A revolta já começou…

 

David Wilk é um herói. Este livreiro estava farto de, três vezes por semana, ver o campo de futebol onde os seus fi lhos jogavam transformado em cemitério de garrafas de plástico. Certo dia, levou para lá um grande reservatório cheio de água da torneira. Desde então, e em cada jogo, os jovens futebolistas enchem garrafas reutilizáveis que trazem de casa. Wilk juntou-se a uma família cada vez maior: a dos americanos que declaram guerra à água engarrafada.

 

 Este homem fez um cálculo rápido: o seu gesto permitiu “poupar” cerca de 1800 garrafas por ano. É um ganho líquido, pois, na sua cidade do Estado de Connecticut, o plástico PET [sigla inglesa de tereft alato de polietileno, um polímero, isto é, um composto químico de elevada massa molecular relativa – ver explicação detalhada em http://scienceblogs.com/ moleculeoftheday/2006/10/ polyethylene_terephthalate_ cal.php] não se recicla. “Parto do princípio de que uma pequena mudança de comportamento pode ter grandes consequências”, explica, ao telefone. “Beber ou não beber uma garrafa de água é uma decisão verdadeiramente simples. Tal como a alternativa de abrir a torneira!”

Nos Estados Unidos da América, a água engarrafada (ainda) corre num grande caudal. Há muito que esta bebida ultrapassou a cerveja e o leite, em termos de vendas. Está apenas atrás das bebidas gaseifi cadas, mas deverá superá-las em 2011. O crescimento foi prodigioso: em 1980, cada americano bebia 19 litros de água engarrafada por ano. Hoje, bebe 114 litros. Só no ano passado, a produção foi de 34 milhões de litros, que geraram lucros de cerca de 12 milhões de dólares [8 210 milhões de euros].

Apesar destes números, o futuro da água engarrafada parece sombrio. Os críticos estão acirrados contra esta bebida, que há poucos anos era considerada uma fonte de bem-estar e um sinónimo de vida sã e activa. Na esteira de São Francisco, várias cidades americanas baniram a compra de água engarrafada pelos funcionários. Associações de estudantes tentam fazer o mesmo nas universidades.

Várias igrejas e a Coligação Nacional de Freiras Americanas pediram aos seus membros que evitassem, “tanto quanto possível”, a água engarrafada, por se tratar de um bem que deve estar disponível para todos. Por todo o país, dezenas de organizações defendem o boicote. E alguns restaurantes deixaram de servir aos clientes qualquer água que não provenha da torneira.

“Aqui, o cálculo foi fácil: 500 mil dólares poupados por ano”, afi rma um porta-voz das lixeiras da Califórnia. Levam mil anos a decomporse e vão libertando aditivos tóxicos nos lençóis freáticos. Todos estes detritos e a poluição são gerados por um produto cuja qualidade costuma ser, segundo critérios objectivos, inferior à da água municipal”.

À escala dos Estados Unidos, vendem-se cerca de 25 500 milhões de garrafas por ano. Só 16 porcento são recicladas.

Três litros para fazer um

De acordo com os organismos independentes, são precisos três litros de água para produzir um litro de água mineral engarrafada. E o seu fabrico requer, sobretudo, um gasto anual de 17 milhões de barris de petróleo, sem contar com o transporte. No fi nal, tudo se traduz numa equação simples: a energia necessária para produzir, transportar, refrigerar e eliminar uma garrafa de plástico é equivalente a encher de petróleo um quarto da sua capacidade.

Os produtos de água engarrafada estão na defensiva. Outrora louvado por múltiplas virtudes, o seu produto poderá, em breve, juntar-se aos sacos de plástico na lista de objectos odiados por uma população cada vez mais consciente dos desafi os ecológicos.

Em Nova Iorque, perante os seus pares, o director de águas minerais de uma das empresas americanas, refutou as acusações à água mineral. Assegura que é saudável (“os nossos produtos são testados seis mil vezes por dia”), que responde às necessidades de uma população que inclui 32 porcento de obesos e, sobretudo, que a indústria da água tem feito progressos constantes no que toca ao respeito pelo ambiente. “Reduzimos o peso das nossas embalagens em 40 porcento, nos últimos dez anos”, garante.

As novas empresas enchem as garrafas após uma simples fi ltragem e acrescentam algumas substâncias (incluindo sal). O método indigna todos aqueles que a vêem como absurda, num país em que 97 porcento da água da torneira é de boa qualidade. Ainda assim, tendo em conta que 36 Estados norteamericanos vão sofrer faltas de água até 2013 e que certas redes públicas estão em risco de degradação por escassez de fundos, os consumidores poderão ver-se obrigados a optar pelas garrafas de plástico. A um preço que é 240 a dez mil vezes superior ao da água da torneira.

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