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Celestino: o drama de um adolescente paralítico

Celestino: o drama de um adolescente paralítico

Aos 16 anos de idade, Celestino Joaquim vive debilitado na sequência de uma enfermidade detectada nos seus primeiros meses de vida, que paralisou os seus membros inferiores e superiores. Além de o privar de todas a liberdade de movimentos, a doença não lhe permite qualquer comunicação oral e gestual, o que agrava o drama não apenas do visado, mas de toda a família.

Nampula figura da lista das províncias com maior incidência de paralisia no país, sobretudo a nível das camadas mais jovens. Por vários factores, alguns pacientes com aquele tipo de enfermidade chegam a atingir a fase da adolescência na mesma situação.

Celestino Joaquim, de 16 anos de idade, filho de veteranos da Luta de Libertação Nacional e, actualmente, dependentes da agricultura de subsistência, necessita de todo o tipo de apoio. O adolescente reside com os seus progenitores e parte dos seus sete irmãos, numa pequena palhota, construída com material precário, na Unidade Comunal Muako Thaya, no extenso bairro de Muahivire, arredores da cidade de Nampula.

Sob o olhar impaciente do adolescente, Joaquim Saíde prontificou-se a falar de alguns dos episódios por que tem vindo a passar na companhia da família, na tentativa de criar condições de vida condignas para o seu filho.

“Não temos esperança de que um dia possa recuperar, porque fizemos várias tentativas, mas não tivemos resultados satisfatórios”, disse Saíde, visivelmente preocupado.

O mais caricato ainda, de acordo com o nosso entrevistado, é o facto de a única cadeira de rodas, alocada em 2013 pela Direcção Provincial da Mulher e Acção Social, encontrar-se em vias de destruição. Conforme apurámos, o referido meio de locomoção era o principal suporte do doente, quando os membros da família estivessem ocupados.

Cenário triste e vergonhoso

Isabel José Tanga, mãe do adolescente, considera algo triste e vergonhoso o facto de ter de ser ela a tratar da higiene do filho quando o marido se ausenta de casa. Para a nossa fonte, não existe outra alternativa.

Isabel conta que em 2003 foi integrada num grupo de mulheres, cujos filhos padeciam de deformação física para uma consulta médica na República da África do Sul, mas tal não passou de simples promessa, alegadamente porque a Direcção Provincial de Saúde de Nampula nunca se dignou a honrar os seus compromissos.

Falta de habitação condigna

Em Muako Thaya, a casa onde o pequeno Celestino reside corre sérios de desabamento, devido ao seu estado avançado de degradação. Apesar de usufruírem de pensões de reforma, na qualidade de veteranos da luta de libertação nacional, os pais dizem não possuir condições financeiras de modo a erguerem uma habitação condigna.

“Quando tento pedir crédito no banco dizem que sou velho e por isso continuo nestas condições”, frisou Saíde. O nosso entrevistado pede às pessoas de boa vontade que apoiem o seu filho, sobretudo em meios de locomoção. Com uma cadeira de rodas em perfeitas condições, Celestino deixaria de fazer as necessidades maiores e menores no local de acomodação, como tem acontecido actualmente.

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