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Cavaco Silva reeleito presidente de Portugal

Cavaco Silva reeleito presidente de Portugal

Portugueses foram a votos, este domingo, e reelegeram Aníbal Cavaco Silva para um segundo mandato. O actual presidente venceu à primeira volta com 52,94 por cento dos votos, mais de 30 por cento acima do segundo classificado, o socialista Manuel Alegre que reuniu apenas 19,75 por cento. Mas estas eleições presidenciais ficaram marcadas pelo nível recorde da abstenção que atingiu os 53,38 por cento, quando há cinco anos tinha sido de apenas 38.

As autoridades dizem que o frio que se fez sentir no Domingo e alguns problemas informáticos com o novo Cartão do Cidadão não ajudaram à adesão às urnas. Mas também o número de votos brancos quase que quadruplicou nestas presidenciais, ultrapassando os quatro por cento, enquanto que os nulos duplicaram (1,93%) para quase dois por cento dos votos expressos.

Mas no momento da vitória, Cavaco Silva, disse ter conseguido vencer os ataques e insultos pessoais e que tinha prevalecido a dignidade e a verdade sobre a calúnia dos adversários.

Cavaco Silva, ex-primeiro ministro e líder do Partido Social Democrata, de centro-direita, tem vindo a apoiar os esforços do governo socialista para combater a aguda crise financeira de Portugal, onde se sente cada vez mais a pressão dos investidores para que recorrer a um plano de resgate e resolver a questão da dívida.

Apesar do seu papel essencialmente simbólico, o chefe de estado português tem poderes para dissolver o parlamento, e com o seu mandato renovado, o presidente, da ala conservadora, poderá sentir-se tentado a usar desses poderes, servindo assim de alavanca ao regresso do seu antigo partido, o PSD, que as sondagens mais recentes colocam à frente nas intenções de voto.

Mas, para o primeiro-ministro socialista José Sócrates, a promessa do governo continua a ser de “leal cooperação com o Presidente da República”.

Derrota da oposição

Já o candidato apoiado pelo partido de Sócrates, o PS, e pelo Bloco de Esquerda, o socialista Manuel Alegre, assumiu as responsabilidades na derrota e negou que esta esteja relacionada com o descontentamento popular para com o governo que o apoiou.

“A derrota é minha, não é daqueles que me apoiaram. Em Democracia não é vergonha perder, vergonha é fugir ao combate”. Em terceiro lugar nestas eleições ficou o candidato independente Fernando Nobre, presidente da AMI, a Assistência Médica Internacional, para quem, com 14,1 por cento dos votos, a sua candidatura – que não contou com o apoio de nenhum partido – conquistou um resultado histórico.

“Esta candidatura é a candidatura da pura cidadania e acabou de ter um resultado histórico, tremendo. Com cerca de 14% dos votos e 500 mil votantes não tenhamos dúvidas: a cidadania está vida, recomenda-se e o futuro do nosso país vai ter de ter isso em conta doravante”.

Mas se para o Partido Comunista Português, cujo candidato Francisco Lopes termino em quarto lugar com cerca de sete por cento dos votos, a reeleição de Cavaco Silva vai levar ao agravamento do rumo e da injustiça social, para o PSD e o CDS-PP, à direita, já se pensa no futuro.

Aos jornalistas, o líder do Partido Social-democrata, Pedro Passos Coelho felicitou Cavaco Silva pela vitória e disse não ser nenhum segredo que o PSD tem a aspiração de regressar ao governo:

“Temos a aspiração de poder vir a governar durante os próximos cinco anos de mandato”, disse mas sublinha que “o Presidente mantém toda a a sua independência face aos que o apoiaram”.

Anibal Cavaco Silva vai ficar agora mais 5 anos no Palácio de Belém, numa altura em que Portugal continua a debater-se com uma grave crise financeira e a tentar demonstrar aos investidores de que consegue, sozinho, mitigar a pesada dívida pública que já levou a Grécia e a Irlanda a recorrerem de fundos internacionais de resgate.

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